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DESCRIÇÃO
"Não fica tentando me distrair só pra eu ficar mais confortável, porque eu sei o que você tá fazendo." A frase, dita por um paciente durante uma consulta, poderia ser muito bem empregada no meio da cirurgia com anestesia tópica e resume o nível de consciência — e de parceria — que a sutura ajustável exige. É uma técnica que não perdoa improvisação: escolha errada de paciente, equipe desalinhada ou planejamento frágil e o desconforto vira caos. Mas quando tudo se encaixa, o resultado é difícil de bater.
Neste episódio, a Dra. Júlia Rossetto e a Dra. Luisa Hopker destrincharam cada etapa da cirurgia ajustável single-stage (SSASS) como fazem no dia a dia. Começam pela seleção do paciente, o teste do cotonete, os sinais durante o exame que já mostram quem vai tolerar e quem não vai e por que adultos jovens motivados e idosos com exotropia adquirida são os melhores perfis para começar. Passam pela hierarquia de dor entre os músculos (reto lateral quase indolor, verticais bem mais desconfortáveis) e pela dica prática de pedir ao paciente que olhe na direção oposta ao músculo operado para relaxar a tração.
A anestesia ganha um bloco inteiro: propofol e fentanil como base, o papel da pré-medicação venosa (ondansetrona, dipirona, dexametasona e tramadol), a quetamina em dose baixa com cuidado pelo risco de nistagmo e o score de Ramsey 3 como alvo. A Dra. Júlia conta como construiu a parceria com sua anestesista, das primeiras cirurgias em que o despertar demorava até o ponto atual em que é quase imediato. A Dra. Luisa detalha sua técnica de nó e como usa o cover test deitado como triagem antes de decidir se senta o paciente.
A conversa ainda passa pela experiência da Dra. Júlia com a Dra. Capó no Bascom Palmer, que opera em dois tempos e ajusta no consultório. Pelo conceito de exodrift e por que deixar o paciente em leve esotropia na mesa é o certo mesmo quando ele diz que está vendo duplo, incluindo a história da Dra. Luisa que operou em um hospital na China, com a cirurgia sendo transmitida ao vivo para um auditório precisou manter a conduta sob pressão.
E ainda:
- Por que a cirurgia ajustável não serve para compensar um plano ruim, ela refina um plano que você já tem
- O artigo da Academia Americana que mostra 86% de sucesso com ajustável na exotropia contra 59% sem sutura ajustável
- Como reservar a ajustável para o último horário do dia muda completamente o nível de estresse da equipe
ARTIGOS CITADOS
Heidary G, Aakalu VK, Binenbaum G, et al. Adjustable Sutures in the Treatment of Strabismus: A Report by the American Academy of Ophthalmology.
Ophthalmology. 2022;129(1):100-109.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34446304/DICAS DO EPISÓDIO
📖 Despertar Materno: Guia para uma criação consciente de 0 a 6 anos — Cristina Martinez e Vivian Cirineu (Editora Literare Books)
PARTICIPANTES
Dra. Júlia Dutra Rossetto - Mestrado, Doutorado e fellowship em Oftalmopediatria e Estrabismo na UNIFESP.
https://go.bdg.fm/ldJBis
Dra. Luisa Moreira Hopker - Doutorado pela UNIFESP e está atualmente no Pós Doutorado na mesma instituição.
https://go.bdg.fm/3Z0CMn
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