Pus quando escorre… é neutrófilo que morre Pus quando escorre… é neutrófilo que morre Pus quando escorre… é neutrófilo que morre Sabe disso? Ou ignora? O pus quando chora é a nossa vitória O pus quando morre é neutrófilo que morre O pus é leucócito, é guardião tácito O pus... foi desvendado O seu segredo revelado Mas antes de contar — Deixa eu lembrar: Na medicina… demoramos Muito. E hoje… comemoramos. Saímos do racional, Do primitivo que culminou Em tratamento irracional, Destrutivo, que culminou E chegamos ao formal, Ao produtivo que afinou A medicina por séculos me ignorou Nem sabia de mim, eu era só dor Não fui nada… nem ignorado E mesmo assim fui louvado Já se sabia: pus era inflamação Até que veio… a enganação Metchnikov me viu Comer a bactéria O micróccito nasceu Pra contar a minha história Fui batizado Por ser neutro na coloração Mas meu nome te engana: Neutralidade não é a minha direção Voltando à enganação... Logo de cara veio uma associação Com a tal da bactéria, A purulenta, a infecção E sim — não suporto o estáfilo, Nem o estrepto, irmão Mas te adianto: Eu não paro nelas, não Ataco vírus Além da bactéria Ataco fungo E qualquer matéria Ataco parasita E até a própria célula Já me falaram: DNA? Não posso vê-la E assim quero afirmar Deixar claro Se estiver fora do lugar Se me alertar O meu sistema vai ativar Se for pequeno… nem vou perguntar Pego, engulo, vou fagocitar Se for maior… mudo a estratégia Mas não se engane… eu vou atacar Tenho mísseis Canhões E até o coração posso arrancar Caro amigo, deixa eu te falar Pus é o meu representar Tenha clareza Que se for bactéria… estarei lá Se não for também — Por isso, a partir de agora Vamos aprender a interpretar Porque se errar Na boa intenção O seu paciente Você vai prejudicar Eu não sou vilão Eu sou sinal Eu sou neutrófilo E eu não sou neutro... Não mais.