A maré do autoconhecimento nunca esteve tão alta. Livros, podcasts e redes sociais repetem como um mantra moderno: “diga não”, “proteja sua paz”, “você não tem que agradar ninguém”. Cuidar da saúde mental virou prioridade - e ok, tá tudo bem.
O problema é quando o discurso da autopreservação começa a erguer muros altos demais.
Olhar para dentro é fundamental, mas a convivência também exige olhar para fora. Afinal, somos seres sociais. Relacionais. A neurociência lembra que o cérebro humano é moldado para a conexão: interações positivas ativam o sistema límbico, reforçam o bem-estar e ajudam a reduzir o estresse.
Mesmo quando o mundo convida ao isolamento, o afeto segue sendo combustível de sobrevivência. O ponto de atenção está na linha tênue entre autocuidado e egoísmo. Quando a busca por bem-estar pessoal se torna absoluta, o risco é escorregar para comportamentos individualistas, com menos empatia e menos disposição para o encontro.