Por Que Dói?

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A dor do parto é uma das mais temidas pelas mulheres. Ela tem vários estágios e atinge seu ápice na fase expulsiva, quando o bebê está pronto para nascer. 
 
No segundo episódio do podcast “Por Que Dói?”, conversamos com a ginecologista e obstetra Telma Mariotto Zakka, que explica sobre o que podemos esperar do parto, esse momento tão importante na vida de tantas mulheres e o que ajuda no controle das dores.
 
Veja também: Qual o tipo de parto mais adequado para você e seu bebê
 
Abaixo transcrição da entrevista completa:
 
Olá. Meu nome é Juliana Conte, sou repórter do Portal Drauzio Varella, e está no ar mais um episódio do Podcast Por Que Dói.
Hoje a gente vai falar de um assunto que só de pensar já me dá um pouco de aflição: a dor do parto. Eu encontrei um estudo recente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), feito com mais de 25 mil mulheres, que mostra uma coisa muito interessante: a grande maioria [das mulheres] acaba optando pela cesárea pelo medo de sentir dor.
Para se ter uma ideia, a taxa de cesárea na rede particular [de saúde] chega a 80% — um índice muito alto. No SUS, é um pouco menor — ainda que elevado —, ficando à margem dos 42% do total de partos. A coordenadora do estudo, Doutora Maria do Carmo Leal, deu uma entrevista, na qual disse o seguinte: “O índice elevado de cesarianas se deve a uma cultura arraigada de que o procedimento é a melhor maneira de se ter um filho, em parte porque no Brasil o parto normal é realizado com muitas intervenções e dor”. Mas, afinal, o que seria essa dor? Por que ainda é tão temida e tão presente no imaginário feminino? E será que nos âmbitos emocional e físico o parto normal sempre terá um significado de experiência traumática? O que isso significa?…
Para falar mais sobre este tema, a gente convidou a Doutora Telma Mariotto Zakka, que é responsável pelo Ambulatório de Dor Pélvica do Hospital das Clínicas daqui de São Paulo, e também membra da Sociedade Brasileira do Estudo da Dor (SBED). Boa tarde, Dra. Telma. Obrigado pela presença.
 
Juliana Conte — Gostaria de começar perguntando, doutora, o quanto essa porcentagem alta do número de cesáreas no Brasil tem a ver com esse medo da mulher de sentir dor durante o parto?
 
Telma Mariotto Zakka — Boa tarde, Juliana. Obrigada pelo convite.
Na verdade, acho que a porcentagem do medo é muito grande, mas existem várias coisas que nós precisamos analisar em relação à essa porcentagem alta de cesáreas. Então, nós temos que pensar na questão cultural… Nós fomos criados, pelo menos no cristianismo, com “parirás com dor”. Esta frase — que está na Bíblia —, se de um lado, durante muitos anos, levou uma desconsideração do processo doloroso no trabalho de parto — porque era natural, era esperado que a mulher tivesse dor durante o trabalho de parto —, por outro, leva as mulheres a temerem — pois se eu tiver um parto normal eu vou ter dor; está escrito na Bíblia.
No entanto, existem vários outros aspectos. Por exemplo, a conveniência… na fase que estamos hoje, nesta geração que chamo de Crtl+C/Crtl+V, em que as pessoas querem que as coisas aconteçam naquela hora, naquele momento [específico]; elas têm todo um preparo, tudo programado… É conveniente que nasça naquela data, porque de alguma maneira vai prestigiar a família… Enfim, todas essas questões devem ser avaliadas, e não só o medo da dor [em si, de maneira isolada].
Então, [temos que considerar] o medo da dor; a conveniência; a questão da própria etnia — mulheres ocidentais parecem ter um limiar de dor e uma tolerabilidade dolorosa menor que as mulheres orientais, que têm os partos mais rapidamente e, aparentemente, entre aspas,

Show Notes

A dor do parto é uma das mais temidas pelas mulheres. Ela tem vários estágios e atinge seu ápice na fase expulsiva, quando o bebê está pronto para nascer. 
 
No segundo episódio do podcast “Por Que Dói?”, conversamos com a ginecologista e obstetra Telma Mariotto Zakka, que explica sobre o que podemos esperar do parto, esse momento tão importante na vida de tantas mulheres e o que ajuda no controle das dores.
 
Veja também: Qual o tipo de parto mais adequado para você e seu bebê
 
Abaixo transcrição da entrevista completa:
 
Olá. Meu nome é Juliana Conte, sou repórter do Portal Drauzio Varella, e está no ar mais um episódio do Podcast Por Que Dói.
Hoje a gente vai falar de um assunto que só de pensar já me dá um pouco de aflição: a dor do parto. Eu encontrei um estudo recente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), feito com mais de 25 mil mulheres, que mostra uma coisa muito interessante: a grande maioria [das mulheres] acaba optando pela cesárea pelo medo de sentir dor.
Para se ter uma ideia, a taxa de cesárea na rede particular [de saúde] chega a 80% — um índice muito alto. No SUS, é um pouco menor — ainda que elevado —, ficando à margem dos 42% do total de partos. A coordenadora do estudo, Doutora Maria do Carmo Leal, deu uma entrevista, na qual disse o seguinte: “O índice elevado de cesarianas se deve a uma cultura arraigada de que o procedimento é a melhor maneira de se ter um filho, em parte porque no Brasil o parto normal é realizado com muitas intervenções e dor”. Mas, afinal, o que seria essa dor? Por que ainda é tão temida e tão presente no imaginário feminino? E será que nos âmbitos emocional e físico o parto normal sempre terá um significado de experiência traumática? O que isso significa?…
Para falar mais sobre este tema, a gente convidou a Doutora Telma Mariotto Zakka, que é responsável pelo Ambulatório de Dor Pélvica do Hospital das Clínicas daqui de São Paulo, e também membra da Sociedade Brasileira do Estudo da Dor (SBED). Boa tarde, Dra. Telma. Obrigado pela presença.
 
Juliana Conte — Gostaria de começar perguntando, doutora, o quanto essa porcentagem alta do número de cesáreas no Brasil tem a ver com esse medo da mulher de sentir dor durante o parto?
 
Telma Mariotto Zakka — Boa tarde, Juliana. Obrigada pelo convite.
Na verdade, acho que a porcentagem do medo é muito grande, mas existem várias coisas que nós precisamos analisar em relação à essa porcentagem alta de cesáreas. Então, nós temos que pensar na questão cultural… Nós fomos criados, pelo menos no cristianismo, com “parirás com dor”. Esta frase — que está na Bíblia —, se de um lado, durante muitos anos, levou uma desconsideração do processo doloroso no trabalho de parto — porque era natural, era esperado que a mulher tivesse dor durante o trabalho de parto —, por outro, leva as mulheres a temerem — pois se eu tiver um parto normal eu vou ter dor; está escrito na Bíblia.
No entanto, existem vários outros aspectos. Por exemplo, a conveniência… na fase que estamos hoje, nesta geração que chamo de Crtl+C/Crtl+V, em que as pessoas querem que as coisas aconteçam naquela hora, naquele momento [específico]; elas têm todo um preparo, tudo programado… É conveniente que nasça naquela data, porque de alguma maneira vai prestigiar a família… Enfim, todas essas questões devem ser avaliadas, e não só o medo da dor [em si, de maneira isolada].
Então, [temos que considerar] o medo da dor; a conveniência; a questão da própria etnia — mulheres ocidentais parecem ter um limiar de dor e uma tolerabilidade dolorosa menor que as mulheres orientais, que têm os partos mais rapidamente e, aparentemente, entre aspas,

What is Por Que Dói??

Dor de ouvido, dor de cabeça, dor do parto…sentimos vários tipos de dor ao longo da vida. No entanto, cada dor tem suas próprias particularidades e exige tratamento específico. O podcast Por Que Dói? vem para falar sobre isso.