ESG na Indústria do Vinho
Pósgraduação unicinos.
Speaker 2:Olá pessoal eu sou o professor Vitor Greenberg e estamos começando agora o nosso podcast produção e consumo de vinho frente às mudanças climáticas, dos aprofundamentos da temática ESG na indústria do vinho da nossa disciplina de mesmo nome, hoje temos a grande oportunidade com de conversar com ele, o Adeliano Cargni, se eu falei seu sobrenome errado depois você me corrige por favor. O Adeliano ele tem graduação em agronomia pela Universidade Federal de Pelotas, mestrado em fitotecnia, produção vegetal pela Universidade Federal de Viçosa, e doutorado em genética e melhoramento pela Universidade Federal de Viçosa. Desde abril de 4007, é pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a Embrapa, tem experiência em recursos genéticos e melhoramento vegetal, desenvolve e lidera projetos de PDI, na nessas áreas em especial na seleção e avaliação clonal da uva vinifera pra produção de vinhos finos e espumantes, atualmente é o chefe geral da Embrapa uva e vinho. Adeliano muito obrigado pela sua participação conosco.
Speaker 1:Boa tarde professor Vitor, é 1 satisfação de nossa parte podermos conversar pouquinho aí e bater papo com vocês aí.
Speaker 2:A Juliana eu queria começar perguntando pouco sobre a Embrapa né, ela é 1 das principais empresas estatais brasileiras, mais de 50 anos capitaneando esforços de 1 pesquisa num setor crucial pro Brasil que é a agropecuária. Você consegue contar pouquinho sobre o que que a Embrapa, o vivinho, faz e como que é a sua atuação nela com o chefe geral?
Speaker 1:A Embrapa como você comentou é 1 empresa né estatal do governo federal ligado ao Ministério da Agricultura, completou 50 50 anos em em 2023, possui a sua sede em Brasília né e e tem 43 unidades descentralizadas pelos os estados do Brasil todo. Nós aqui em Embrapa, o vivinho, somos somos 1 dessas 43, a nossa unidade aqui tem a missão né por pesquisar e desenvolver soluções tecnológicas pro setor da vitivinicultura brasileira então é pra todo o território nacional estamos localizado em Bento Gonçalves na na Serra do Rio Grande do Sul mas a nossa missão é é nacional então a gente atua em todos os estados brasileiros que tem cultura ou que tem interesse em em em nessa cultura aí. A Embrapa então essas 43 unidades né só pra pra contextualizar pouquinho, elas são divididas em 3 tipos de unidades né, então a nossa é 1 unidade de produto que a gente chama né porque estuda especificamente né sobre a vitivinicultura, assim como outras unidades como a Embrapa soja, trigo né, milho, enfim, tem outras unidades que são chamadas de ecoregionais que trabalham no ecossistema regional, por exemplo, Embrapa clima temperado que estuda tudo que é cultura na região clima temperado e outras unidades né, o terceiro tipo é a unidades temáticas né, esse é trabalho com determinado tema então por exemplo, agroenergia né, é o tema agroenergia, o tema recurso genético na Embrapa, recurso genético e biotecnologia, então a gente tem algumas unidades também nesse nesse sentido aí, então essas são as diferentes tipos de unidades né dessas 43, a nossa aqui Embrapa ou vivinho então é a unidade de produto, que tem a missão bem específica então de todo o território nacional mas é específico na vitivinicultura.
Speaker 2:É muito legal é muito importante esse trabalho e acho que é por isso que eu quero encadear a minha primeira pergunta falando sobre mudanças climáticas, né a gente viu recentemente o quanto que o Rio Grande do Sul que é dos principais produtores de vinho do país foi afetado pelas grandes chuvas e a gente tem passado muito por esse processo de mudanças climáticas no Brasil e no mundo. Então eu queria saber como que esse processo de mudanças climáticas tem mudado o cultivo e a produz, cultivo das uvas e a produção dos vinhos, como que nesse processo de pesquisa vocês têm observado essas transformações em relação à indústria e esse produto que é tão valorizado?
Speaker 1:Esse tema, esse assunto assim de de mudanças climáticas obviamente também que não é 1 exclusividade da da Embrapa né que que tem trabalhado já há alguns anos já visando essa preocupação na época era 1 era 1 preocupação, mas hoje já é 1 realidade, então inúmeras instituições no Brasil e no mundo alertavam né pra essas alterações né, seja em teste de água né hídrica, excesso né, temperatura alta, temperatura baixa, ocorrências extremas de clima como que ocorreu em maio do ano passado, e a Embrapa claro não é diferente dessas instituições todas de pesquisa e ensino, tem já se dedicado há algum tempo, nós especificamente aqui é 1 preocupação que vimos tendo já alguns anos aí, 4 5 anos mais assim, mais a fundo, principalmente porque a gente estava observando em dados meteorológicos que quase ou praticamente todos os anos a gente tinha alguma alteração dentro da normal observada aí nos 50, 60 anos anteriores, e aí a gente percebeu que, principalmente em 2020, 20 e 22, a gente teve estiagem né, e aí começamos a trabalhar pouco mais mais a fundo nesse tema, em 2023 no final do ano e 24 a gente já teve o fenômeno de El Niño né que é o contrário o excesso de chuva, o que que a gente tem trabalhado ou entregue de forma mais prática, vamos dizer assim, com relação a vamos dizer assim, com relação a a esse tema aí.
Speaker 1:Dos dos programas aqui mais antigos e que é claro que lá em, no final da década de 70 quando nós fomos criados e início de 80 quando a gente instituiu o programa de melhoramento genético de videira esse talvez não era de fato o grande propósito, mas A0A estratégia utilizada pra esse programa de melhoramento aí veio trazendo algumas, vamos dizer, consequências que a gente nem pensava na época lá quando não se falava em mudança climática. A ideia era criar e desenvolver novas cultivares de Videira, que fossem mais adaptados né as condições climáticas do Rio Grande do Sul, especialmente porque na época lá era basicamente o Rio Grande do Sul que tinha produção de de Videira, mas hoje essas cultivares estão espalhadas pelo Brasil principalmente na região Nordeste, no Vale de São Francisco, onde a gente tem o maior polo produtor de uva de mesa, mas aí o Rio Grande do Sul ainda é o maior produtor de uva processamento né, seja pra vinho ou pra suco. Então essas cultivares que nós fomos desenvolvendo e começamos a lançar principalmente na no final da década de 90, porque para você fazer o trabalho em germoplasma principalmente numa espécie perene, demora bastante tempo e e aí a gente foi lançando essas essas variedades mais adaptadas né, pra produção aqui e consequentemente quando você tem o programa de melhoramento onde você faz hibridações com cultivares já adaptadas né, como era o caso nosso aqui das cultivares de origem americanas, com maior resistência a doenças que eram principal problema na época aqui pela pelo excesso de chuva né, principalmente né no período vegetativo, você acaba desenvolvendo 1 adaptação né maior desse germoplasma ao clima aqui e é o que a gente tem notado nos últimos anos né que independente se é, se as ocorrências dos eventos climáticos aí fora da normalidade é de seca ou de excesso de chuva, essas nossas variedades aí tem se demonstrado 1 adaptação boa né, mais estáveis ao ao clima né, e com 1 produção maior do que a do que as cultivares médias né, e com 1 qualidade de de de uva e de vinho também bastante superiores, então é o principal talvez principal trabalho seja no desenvolvimento de germoplasma adaptada a essas mudanças climáticas.
Speaker 2:1 outra pergunta que surge é, quais são as estratégias que a Embrapa tem desenvolvido pra ajudar os produtores a se adaptarem às novas condições? Como que tem essa ponte entre as pesquisas e o mercado? Né? Como que o produto final da Embrapa ele ajuda quem está envolvido com a viticultura?
Speaker 1:É, 1 é essa estratégia que a gente tem adotado aí no no programa de de de melhoramento mas também em outros projetos também, é 1 estratégia de desenvolver parte do trabalho ao menos junto com os produtores. Então pegando o exemplo aí das cultivares né que que talvez seja o case mais mais conhecido e mais fácil da gente exemplificar, a fase final do desenvolvimento dessas cultivares, a validação que a gente chama tanto agronômica quanto a validação de mercado, ela é feita com produtores, com empresas, seja cooperativas, empresas de vinícolas, as vinícolas, então a gente faz essas essas parcerias e coloca essas essas seleções, essas candidatas a cultivares né, para serem validados né, por esse pessoal aí. Em contrapartida a gente tem a informação de como que é o desempenho dessa cultivar, na condição que o produtor ali coloca o sistema de produção dele, a tecnologia que ele adota e o produtor tem a contrapartida de que ele vai fazendo a validação, 1 candidata a nova a nova cultivar e e também já vai conhecendo esse material se caso a gente decida lançar ele já tem né todo o conhecimento e serve até de de promotor né, de agente promotor da tecnologia para outros produtores né, então é relato do próprio produtor dizendo que aquele material ali aquela tecnologia foi validada por ele e ele está satisfeito e até nos passando algum feedback de eventuais ajustes né, que são necessários né, eventualmente, Da mesma forma né, com as cooperativas, com as vinícolas né, eles também vão testando esse material, vão produzindo os seus produtos que podem ser elaborados a partir da curva dela, né, então já vão testando mercadologicamente e e já fazendo né a sua a sua formação aí de de de fornecedores.
Speaker 2:Além do trabalho da da Embrapa o setor ele precisa também estar muito aquecido né essa relação da Embrapa com as indústrias né e de forma geral. Como que você vê a importância do trabalho de pesquisa e inovação na busca de variedades por uvas mais resilientes resistentes ao clima, né quais avanços que tem sido feitos nessa frente, muito se fala sobre essas inovações genéticas, outras formas de se ambientar né a produção pra poder impactar menos as as variações. Como que esse campo tem sido desenvolvido nos últimos tempos, seja em pesquisas públicas ou em parceria com o com produtores? A
Speaker 1:gente tem percebido assim que verificar as tendências né de de mercado de consumidor é também bastante importante né, então essa questão assim de usar ferramentas por exemplo biotecnológica né a gente percebeu que em outras culturas de mais fácil uso e que algumas empresas empregaram acaba gerando 1 certa desconfiança e tal, apesar que a gente usa também ferramentas né, de de tecnologia pra ajudar no processo, mas ainda a base do do programa é uso de germoplasma né, cruzamentos, hibridações, então a gente chama de do método clássico de melhoramento. A tendência né do mercado consumidor também com relação ao tipo de produto é importante para a gente fazer o lançamento de novas variedades, por exemplo. Hoje o mercado apesar de que tem 1 parcela e vai continuar tendo daqueles que consomem o vinho né o espumante aquele mais bruto e tal vai continuar mas a gente tem percebido que tem público aí bastante significativo que está indo para o consumo de vinho, mas vinho mais mais leve, menos alcoólico, vinho mais refrescante, então o brasileiro está tomando mais está tomando mais vinho e o Brasil por ser país tropical, normalmente então se pede vinho mais leve né, então as últimas cultivares que a gente lançou aí, a BRS Bibiana por exemplo, é é 1 variedade que que além daquela adaptação daquela, de 1, de menor, maior resistência, tolerância à doença né, com menor uso de de fungicidas né defensivos agrícolas agrotóxico pra produção né então isso tem custo menor né pelo baixo volume de de insumos a ser aplicado, tem 1 produção maior se consequentemente tem 1 renda maior para o produtor e a uva dela tem gerado 1 1 1 qualidade que permite elaborar produtos que caiam nesse nesse novo novo modelo de consumo vamos chamar assim né, além de ter de também 1 1 variação nas possibilidades de produtos né, então ela ela pode ser usada para elaboração de vinho né ou de espumante né, mais mais mais leve ou mais pesado então depende muito do que que o produtor, o que que a vinícola quer produzir.
Speaker 2:E só pra encerrar essa nossa primeira parte da nossa conversa, o Brasil né segundo dados da Organização Internacional de Vinho e Vinho, é a ponta que o Brasil tem crescido muito no mercado internacional que está bem em linha com o que você estava dividindo com a gente, né o vinho brasileiro ele tem feito frente a grandes produtores até muito maiores que a gente, pela forma com que a gente estrategicamente tem usado a nossa capacidade de produção. Quais são as perspectivas futuras pra viticultura brasileira né a gente tem espaço limitado pra produção ideal de vinhos, mas com pesquisas, tecnologias e outras estratégias a gente tem conseguido aumentar nossa capacidade de produção. Como que você enxerga esse futuro da nossa indústria? Sustentabilidade, práticas ESG, como que elas estão encaminhando pra potencializar essa essa capacidade do Brasil de exportar mais?
Speaker 1:É eu acredito assim até que o Brasil nem vai ser grande competidor no mercado externo mas talvez vá produzir vinho dentro dessa lógica aí que tu comentasse né de sustentabilidade né, pra competir e pra ampliar o mercado próprio interno né, então do brasileiro valorizar mais o vinho brasileiro né, produzido a partir de de de cultivares né desenvolvidas pelo Brasil mais adaptadas né por isso que vão por isso que vão estar mais nessa nessa lógica e nesse contexto da sustentabilidade. 1 outra outro fator também que que vai aumentar o o consumo ou a compra, a comercialização do vinho brasileiro né, é o aumento do enoturismo né, o turismo local, o turismo familiar né então a agricultura familiar já é mais ávida por esse tipo de tecnologia né, com menor uso de insumo né, com tecnologia mais adaptada a menos uso de insumos e e aquele o modo de fabricar e de elaborar o vinho né, então é isso atrai, atrai, tem atraído muito o turista brasileiro para essas regiões, né, até pela alta do dólar, dificuldade de fazer turismo fora, então essas coisas e eu acho que vai fazer com que o vinho brasileiro tenha de fato ganhar mais importância, não só a a importância que já tem no mercado internacional, mas pelo pela, por mais até o mercado interno mesmo né, os próprios brasileiros.
Speaker 2:Adeliano, eu queria te agradecer e convidar pra ficar mais pouco que a gente tem mais papo pra continuar no nosso quarto podcast onde a gente vai buscar entender esse processo de atingir as discussões sobre o impacto dos eventos climáticos e termos na cadeia produtiva. Então, se você já viu a nossa videoaula sobre ESG na indústria do vinho e leu a parte correspondente no web leitura, já vai pro nosso podcast, se você ainda não fez corre lá e volta pra mais da nossa conversa com o aderiano da Embrapa O Vivinho, até mais.
Speaker 1:Pósgraduação Unisinos.