Podcast da escola Maple Bear Marília para dar voz a comunidade escolar e impulsionar o potencial das pessoas através da educação.
00:00 Speaker 1: Oi, meu nome é Giovana, sou do Miroirce e hoje estamos com o Podbear Pode Falar, série Profissões. Eu sou a Rebeca e eu também sou do Middle East.
00:16 Speaker 2: Olá, eu sou a Miss Dani Gugel, sou a coordenadora do Middle East. E hoje a gente tem mais um episódio muito especial do nosso PodBer Pode Falar Profissões com o doutor Guilherme. Vou pedir que ele se apresente para vocês. Olá, meu nome é Guilherme
00:32 Speaker 3: Facchini, eu sou magistrado de profissão, juiz de direito no estado de São Paulo.
00:38 Speaker 2: Obrigada.
00:40 Speaker 1: E agora eu vou começar com a primeira pergunta que é, o que você faz no seu trabalho que a gente já faz aqui na Maple Bear?
00:46 Speaker 3: Tá bom. Eu acredito que no meu trabalho algo que se assemelha ao que acontece na escola é basicamente a solução de conflitos. Então eu imagino que aqui aconteçam conflitos, situações da vida entre alunos, entre professores, entre alunos em escola, enfim, situações de conflito e basicamente é isso que o juiz faz, que o magistrado faz, decide conflitos, ajuda a encontrar uma solução, um caminho. para solucionar essas situações.
01:14 Speaker 2: Esses conflitos.
01:16 Speaker 1: Como sua profissão ajuda as pessoas?
01:20 Speaker 3: Então, exatamente nessa atividade de distribuir justiça. Então, basicamente, a gente busca encontrar um caminho para todo mundo, um caminho de acordo com a lei, de acordo com as regras que a sociedade estabelece. A gente tem leis vigentes no país. E a gente tenta encontrar o melhor caminho para todo mundo.
01:43 Speaker 2: E é interessante que a escola é o primeiro ambiente social das crianças. depois da família, do núcleo familiar. E assim como na sociedade, a escola tem as regras também. E as regras vão norteando todas as relações, todo o processo. Então é importante, e um dos objetivos dessa série é a gente fazer a conexão do que os profissionais fazem, como que eles atuam e quais são essas habilidades de vida, essas social skills, soft skills, que a gente já trabalha com. os alunos aqui, a resolução dos problemas, de fato, é um grande pilar da escola. Então, desde pequenininhos, acho, do nursery, o seu mais novo estar, até, enfim, até o oitavo ano que a gente, a nossa turma mais antiga, os mais velhos, a gente tem esse pilar muito forte de resolução e vai ajudando nesses conflitos, realmente. E na sua formação, como que foi o percurso da sua formação, da sua escolha por essa profissão?
02:46 Speaker 2: Da formação até hoje,
02:48 Speaker 3: você
02:50 Speaker 2: cometeu algum erro? Teve alguma situação que poderia ter sido feita diferente? E como que você lidou com essa situação? São muitas perguntas, uma só, né?
03:00 Speaker 3: Sim, é. Sobre essa questão de habilidades sociais, para mim, eu vejo na minha história que uma das minhas habilidades, talvez, uma... não digo que é uma habilidade, mas um ponto que me interessava, sempre me interessou, me ajudou na escolha dessa profissão, que é a questão da escuta ativa, da empatia. Eu imagino que aqui na escola eu já vi meus filhos nessa atividade, nesse movimento, de ouvir o outro, entender o que o outro precisa. Eu acho que essa habilidade é talvez o coração da nossa atividade.
03:43 Speaker 3: Fica mais fácil julgar e achar uma solução quando você tem a escuta ativa. O que você precisa, o que aconteceu, me fala, enfim. De certa forma, eu tinha um interesse meu lá dentro desde novo. desde o ensino médio ali, eu tenho os pais também que estudaram direito, não exerceram, mas eu ouvi um pouco sobre isso, enfim, leituras também, e nisso foi o despertar desse interesse. Então eu me formei no ensino médio, decidi estudar direito,
04:24 Speaker 3: faculdade de direito, terminei a faculdade de direito, e aí são... Há exigências para poder entrar no cargo, na profissão, para exercer a magistratura, no cargo de juiz de direito, que é a prática jurídica e o concurso público. Então, me formei na faculdade, comecei a prática jurídica. estudando para o concurso público, que é o central. O grande filtro é um concurso público, várias etapas, enfim. E assim eu ingressei
04:55 Speaker 2: na carreira. Ai, que bom. E nesse percurso, teve alguma situação que você faria diferente? A gente usa tentativas e acertos, né? Que você faria diferente? Como é que você lidou com uma situação que... Enfim, mais desafiadora.
05:14 Speaker 3: A gente, inevitavelmente, encontra situações de frustração no caminho. O que me vem aqui, principalmente, são as questões de progressão na carreira. Então, quando você começa, você começa numa cidade bem pequena. Depois você passa para uma cidade um pouco maior. E assim sucessivamente. E uma das frustrações que eu tive, que gerou uma dificuldade até da família, questão geográfica, de onde morar e tudo mais,
05:45 Speaker 3: se organizar, foi o fato de eu ter esperado muito, talvez, para progredir ali no primeiro degrau, sabe? Da primeira cidadezinha, sair, se eu tivesse ido antes, talvez fosse mais fácil, enfim. A gente tem que lidar com essas frustrações, mas como qualquer outra frustração, você encontrar também, refletir sobre, achar um caminho, assumir, às vezes, alguma dificuldade, faz parte.
06:13 Speaker 2: É o processo do crescimento. A gente entender quando dá esse passo seguinte na carreira ou nos estudos, como a gente faz para eles. É um modelo gradual, assim, de gradual release mode. Eles vão tendo mais responsabilidade à medida que vão ficando mais velhos. Então, ter o timing certo ali de fazer essa mudança. Não esperar nem tanto, nem antecipar essas mudanças. Exatamente.
06:39 Speaker 3: Talvez confiar em si mesmo. Sim, sim. Se sentindo preparado, vá além, dá um passo à
06:46 Speaker 2: frente. Sim, sim, sem dúvida.
06:50 Speaker 1: E se você fosse dizer alguma coisa para você mesmo, quando você tinha 13 anos, o que seria?
06:56 Speaker 3: Quando eu tinha 13 anos, o que eu diria para mim? Bom, vamos lá. Esse período meu, dos 13, 14, 15 anos, vamos ali nessa janela. Que é a idade que elas estão agora, né? A idade de vocês, pra mim, foi uma virada de chave. Uma virada de chave pra mim.
07:17 Speaker 1: Por quê?
07:19 Speaker 3: Eu não era um excelente aluno. Eu tinha uma certa dificuldade na... no desenvolvimento escolar, pensando assim, não era muito obediente e tal. E nessa época foi quando eu percebi que eu precisava estudar. De certa forma, meu pai me chamou e falou assim, olha, eu tenho um irmão mais velho, meu irmão mais velho ia muito bem na escola, sempre foi muito bem, muito estudioso, sempre gostou daquilo. E aí meu pai me chamou e falou, olha, deixa eu explicar uma coisa, se você não estudar, se você não se interessar por isso... Vai ser mais difícil a sua vida daqui para frente.
08:00 Speaker 3: E foi ali que eu comecei a ter mais interesse, a saber que a educação é a melhor ferramenta, é a única herança que eu tive, por exemplo. Se eu pegar a história do meu pai, da minha mãe, das minhas avós, a educação é aquilo que deu um encaminhamento para eles na vida, de certa forma, mais nada. Era o único recurso. Não tinha recurso financeiro, não tinha outra situação, era a educação. Então, ali, para mim, o que eu diria, eu acho que é algo que eu disse de fato, e é essa questão da responsabilidade, de entender por que a gente está aqui. Sim. Basicamente isso.
08:42 Speaker 2: Olha só, meninas. A gente... E quando está nessa idade, eu acho que a gente não tem a noção da dimensão, do que está por vir. Então, quando a gente consegue se organizar, entender, fazer esse planejamento e praticar e perseverar, então, eu acho que esse caminho é mais fluido, é mais tranquilo, não tem um choque de realidade. Exatamente. E aqui também, é do mesmo processo da liberação. gradual de responsabilidade, aos pouquinhos a gente vai trazendo pra fortalecê-los nesse processo. Nesse processo de encaminhamento pra vida. São situações que eles vivem na escola, assim, numa escala reduzida, bem reduzida, pra, claro, a maturidade que eles têm, que eles vão enfrentar essas situações, esses desafios na fase adulta. Então é importante que eles vivenciem agora também.
09:39 Speaker 3: Exatamente. Essa situação. Eu tive, por exemplo, nesse momento... O que eu diria para mim era tentar fazer o melhor possível e sempre um pouco além. E o fato de eu não ter ido, às vezes, além me dificultou o caminho. Então, por exemplo, vamos supor, que foi de fato o vestibular. Eu tive que estudar mais, eu fui reprovado algumas vezes para ingressar numa universidade.
10:08 Speaker 3: Meu pai disse para mim, olha, não posso pagar a determinada faculdade que você quer fazer, você vai ter que seguir um caminho de uma universidade gratuita, pública, no caso. Então foi mais difícil para mim, e assim eu fui encontrando dificuldades. Então com 13, 14 anos, se eu tivesse dito para mim, vamos planejar melhor, vamos ir além, me sentindo preparado, vamos dar um passo adiante para me preparar um pouco mais.
10:32 Speaker 2: Sempre tá um passinho a mais, né? Não se contentar com o básico, né? Sempre ir um pouquinho além pra ir se preparando cada vez mais. É a história inevitável. Eu tenho
10:44 Speaker 3: amigos que, de certa forma, não olharam assim. Talvez não tivesse tido a oportunidade de conversar a respeito, de entender essa questão de carreira, de profissão. que passaram confortáveis, flutuando, vamos dizer assim, por muito tempo, e de repente a realidade veio. De repente veio o vestibular, de repente vem a carreira profissional, e
11:08 Speaker 2: as dificuldades vão vir. E passa tão rápido, né? Muito rápido. Parece que foi ontem. Quando vocês menos esperarem, vocês estarão aqui nos nossos lugares, e estarão com alunos aí, meninas.
11:19 Speaker 1: Como você acha que no futuro vai ser... Vai ser a sua profissão também, muito pela tecnologia de hoje em dia também, que vai avançar durante os anos?
11:34 Speaker 3: Essa pergunta é interessante, é a pergunta de um milhão. A tecnologia evolui muito rápido, se a gente parar para olhar dois anos atrás, comparativamente a hoje, mas para a minha profissão, acredito que a tecnologia vai ajudar muito. Na produtividade, principalmente, na rapidez dos processos. Porque a solução tem que ser, de certa forma, rápida. Acho que na escola também deve ser assim. Numa situação de dificuldade, tem que achar um caminho logo.
12:08 Speaker 3: Corrigir rumos quanto antes, melhor. A gente vem até falando disso, sobre rumos profissionais e tudo mais. Então, a tecnologia, no meu ponto de vista, vai ajudar nisso. Hoje... Um processo, às vezes, demora, demora muito, a solução vem, mas vem tarde. E a solução que vem tarde para um problema não é a melhor solução já. A melhor é aquela que vem rápido, que vem no momento certo. Então, acho que a tecnologia nisso vai ajudar muito, na celeridade dos processos, na rapidez.
12:36 Speaker 2: A gente conversou com outros profissionais nos... nos capítulos anteriores, digamos assim, e a gente também, alguns deles, a tecnologia vai auxiliar, por exemplo, a gente entrevistou o doutor Jean, e ele trouxe a questão da tecnologia e os robôs que fazem as cirurgias hoje em dia. Existe essa possibilidade na sua área também de ter essa automatização dessa... Não é substituição, mas, enfim, acho que você entendeu esse contexto. Sim.
13:15 Speaker 3: Eu acredito que, inevitavelmente, há uma certa substituição também. Já está em vigor na nossa área, na condução de processos judiciais, a automatização. Existem já ferramentas. Em modo experimental, muitas em modo experimental, mas algumas já sendo usadas, já autorizadas, os autorizaram.
13:42 Speaker 1: Que
13:43 Speaker 3: automatizaram o andamento desse processo. Então, até o momento em que vai chegar no juiz para julgar, esse processo tem vários trâmites.
13:57 Speaker 2: Que tiveram algumas etapas contempladas.
13:59 Speaker 3: Exatamente, que hoje estão sendo automatizadas. Estudos da área jurídica dizem que o juiz se dedica a um processo, em média, para julgá-lo, para decidir o que vai fazer. Seis horas, é um tempo médio. Então, seis horas é... Uma hora ali no começo, talvez uma situação de urgência, duas horas ali no meio do processo para definir as coisas, para caminhar, e mais três, quatro horas, vamos colocar assim, para decidir de fato.
14:32 Speaker 3: Mas o processo, ele leva muitas vezes anos. Sim. Anos, anos. Um, dois, três anos. Para o juiz dar a solução. Então, essa automatização, essa automação que a gente chama, vai condensar essas fases, vai tornar a coisa mais fácil, mais rápida para essa entrega. Já é usado.
14:54 Speaker 2: E no futuro mais ainda, com mais intensidade. Então, eu acredito que é isso, meninas. Dr. Guilherme, agradecemos a Giovana, a Rebeca por participarem conosco, ao Guilherme também, por ter participado desse episódio da série Profissões. E ficamos por aqui. Um abraço a todos. Obrigado. Obrigado.