U24 | PÓS 9 - Salton - DCP 7

What is U24 | PÓS 9 - Salton - DCP 7?

ESG na Indústria do Vinho

Speaker 1:

Pósgraduação unicinos. Olá pessoal, eu sou o professor Vitor Guinberg e estamos começando agora o nosso podcast olhar para as práticas ESG na indústria de vinho brasileira, dos aprofundamentos da temática olhar para o e da nossa disciplina ESG na indústria do vinho. Hoje temos a grande oportunidade de conversar com ela, a Caroline e Dani, ela é bacharel em biomedicina pela Universidade de Fivale, possui mestrado e doutorado em biotecnologia pela Universidade de Caxias do Sul, fez seu pósdoutorado em Georgetown Lombardi Comperhansive Cancer Center na Universidade de Georgetown em Washington, disse, atualmente é professora do Centro Universitário metodista e coordenadora do programa de pósgraduação em biociências e reabilitação. Atua junto ao setor da Uva e do Vinho auxiliando em projetos diversos, e na elaboração de materiais pra divulgação dos benefícios dos derivados da uva à saúde humana. Possui diversas publicações em periódicos internacionais especializados, é coordenadora da comissão de saúde e segurança da Oiv no Brasil, e além de tudo isso é professora também aqui na nossa pósgraduação em estratégia de inovação e tendências globais do mercado de vinho e espumante.

Speaker 1:

Caroline, muito obrigado pela sua participação aqui conosco.

Speaker 2:

Eu que agradeço a oportunidade Vitor de estar aqui hoje falando né sobre tema tão importante, e vai ser momento legal pra nós compartilharmos aqui ainda mais conhecimento.

Speaker 1:

Queria começar fazendo 1 pergunta mais abrangente, enquanto eu estava pesquisando referências pra construir a disciplina de ESG na indústria do vinho, né muitas discussões teóricas e práticas, acabaram levando a conteúdos produzidos, sobre a indústria do vinho no canal da ABS, do Rio Grande do Sul né, a Associação Brasileira de sommelier, que se eu não me engano você também faz parte. Então você podia contar pouquinho sobre o papel da associação, como que ela está conectada com essas discussões da indústria?

Speaker 2:

Bom, eu atualmente sou presidente da Associação Brasileira de Somelierz no Rio Grande do Sul, e nós temos 1 discussão muito grande né em todas as nossas práticas levando a essa preocupação porque entendemos que além de estar vinculado a práticas dentro da da própria vinícola né dentro do setor pensando em viticultura em vinicultura é importante nós sabermos como que nós vamos comunicar isso ao consumidor né, nós como sommelieres nós estamos formando profissionais que vão atuar diretamente junto ao consumidor então como comunicar né a nossa preocupação é como que a gente vai comunicar ao consumidor que na viticultura, lá dentro da vinícola, nós temos práticas de ESG né, e hoje isso vem sendo 1 tendência mundial em termos de grandes grandes polos né vitivinícolas do mundo como a Austrália, a África do Sul nós estamos estamos sendo cada vez mais né, essa preocupação, esse olhar para com a com com a preocupação e aí aí não é só a sustentabilidade, não é só a questão de meio ambiente mas também as práticas sociais né então nós temos esse cuidado em poder ensinar ao nosso sommelier, ao nosso profissional, que está se formando conosco, como comunicar isso pro consumidor, né?

Speaker 2:

Como fazer ele entender o quão importantes são essas práticas por isso essa é a nossa preocupação.

Speaker 1:

Muito legal e é trabalho que eu super recomendo e que as pessoas acompanhem, porque traz discussões muito contemporâneas e relevantes. Queria também te perguntar, como que você enxerga o atual cenário da indústria do vinho no país? Né, no na nossa disciplina eu trouxe alguns dados sobre a, da Oiv, sobre o crescimento da área produtiva, da produção, até do consumo no país, o Brasil ele é dos grandes mercados atrativos na América Latina, Os produtores têm sentido esse crescimento? O mercado ele tem se potencializado tanto pro público doméstico quanto internacional? Como que você tem enxergado essa transformação da indústria?

Speaker 2:

Bom acho que a gente, vem observando né na indústria, a indústria de vinhos no Brasil a gente vem observando aumento de conhecimento para com esse setor. Então eu falo isso por quê? Porque com o passar do tempo a gente vem entendendo melhor o que que a gente produz que de fato tem relevância né que de fato tem qualidade. Então hoje a gente já entende aonde é que determinada variedade se adapta melhor, aonde eu tenho melhor resposta, aonde eu consigo ter cultivo, né a gente nós falávamos há pouco sobre ESG cultivo com uso de menos agrotóxicos com a questão né agroquímicos, onde a gente fala sobre entender melhor nós estamos conhecendo e esse conhecer o setor vitivinícola nos leva também a levar esse a entender melhor o setor e poder comunicar de 1 forma melhor ao consumidor então eu acredito também que isso seja esse conhecimento que nós estamos tendo cada dia mais dentro do setor vitivinícola vai estar fazendo com que o consumidor reconheça produto nacional também, porque não tem como a gente gostar do que a gente não conhece né então a gente falar sobre o o esse produto pro consumidor e isso é muito facilitado hoje com as novas áreas de produção, então antes quando a gente falava em produção vitivinícola nós falávamos sobre Rio Grande do Sul, não tínhamos esse olhar né, de outros estados e hoje não, hoje nós temos outros estados com introdução da vitivinicultura e isso de novo faz com que a gente tenha mais conhecimento em termos de reconhecimento para produto nacional, então algo que era 1, claro que o Rio Grande do Sul ainda representa, né, a grande maioria da produção nacional, mas essa produção por mais que ela não seja grandiosa em termos numéricos, ela é muito importante em termos de conhecimento, em termos de reconhecimento, isso faz com que as pessoas passem a olhar o vinho com produto que eu posso beber, né, produto que está próximo de mim, não produto que está distante, às vezes não é nenhuma distância geográfica, é 1 1 distância de cultura, né?

Speaker 2:

Então hoje a gente está vendo isso, a gente está vendo do país melhor entendimento da cultura do Vini e a gente tende a ter esse esse aumento de consumo a partir do momento em que a gente vai introduzindo essa cultura no dia a dia do brasileiro.

Speaker 1:

Pegando gancho aí nessa sua informação, o Rio Grande de, né, como o maior polo de produção de vinhos no país, como que tem sido essa implantação da agenda, introdução, atualização, discussões em geral da agenda ESG? Ela é sempre 1 prática que às vezes é vista mais como custo e menos como 1 oportunidade, mas ao mesmo tempo diversas pesquisas e inovações às vezes se apresentam como 1 forma de continuar gerando esses resultados de ganho, tanto em produção quanto em valor agregado pra marca. Então você tem visto na prática pouco dessa discussão se transformando nos últimos anos?

Speaker 2:

Sim, isso vem acontecendo de 1 forma bastante significativa em termos de de Rio Grande do Sul, em termos de Serra Gaúcha né? As empresas preocupadas na questão da aplicação desses desses conceitos, dessas práticas, tanto do ponto de vista de sustentabilidade, no na parte produtiva, né? Bem como essa questão toda do meio ambiente, então há 1 preocupação muito grande com isso, as as empresas elas estão buscando recursos e tecnologias pra fazer o melhor aproveitamento de de recursos, pra poder ah melhor aproveitar né a gente sabe que o vidro por exemplo como como fazer bom destino desse vidro é claro que a gente tem práticas que são se tornam né a empresa começa a desenvolver por exigência de governo por exemplo né Entretanto, isso passa a ser 1 prática necessária e que hoje as empresas já entendem e esse consumidor entende dessa prática, então o consumidor vai querer saber o que está acontecendo dentro da vinícola, quais são as práticas que estão sendo aplicadas e assim assim como comentava antes o o Brasil ele é país que está iniciando na vitivinicultura né? Ele é país novo mundialmente, representativamente na vitivinicultura e mas nós temos países quais nós podemos nos seguir como podemos seguir essa ideia né que é, como comentava antes, a África do Sul, a Austrália, a Nova Zelândia né, então eu acredito muito que nós tenhamos que olhar pra esses países e buscar né, aplicar cada vez mais essas essas práticas e aí sim buscar no futuro né, selo né algo que venha a representar o tanto que nós estamos e podemos fazer né porque acho que é é interessante que nós todos saibamos né que esses esses recursos naturais eles são finitos e não infinitos né e que a gente precisa ter esse olhar não só do ponto de vista de meio ambiente mas de toda a cadeia né que sustenta vitivinicultura.

Speaker 2:

É é importante também falar que a vitivinicultura ela é cercada de pequenas famílias né ela é formada por pequenas famílias então nós não temos grandes produtores de de uva né, no no Brasil como todo. Então essas práticas elas elas tendem também né a ser aplicadas e muitas vezes essa questão de investimento ela depende por exemplo que a 1 cooperativa pense pra que os seus associados apliquem né, então isso acho que é algo que também a gente tem que com o passar do tempo no Brasil buscando estratégias pra melhor compreender né, Então quem sabe via associações, de de produtores, via cooperativas, porque são práticas que muitas vezes, né, nós temos dispêndio de recurso grande no início e que precisa com que isso seja então absorvido de certa forma pra que todos possam estar aplicando, né?

Speaker 1:

Esse ponto que você trouxe ele é muito importante eu acho que a gente conhece às vezes pouco sobre as características, né do dos produtores. É apesar da gente ter 1 concentração maior de marcas, que são, vamos dizer assim a ponta final da cadeia produtiva, é a realidade da produção da indústria ela é muito mais pulverizada, ela não são grandes produtores, né? Você consegue falar pouquinho mais sobre essa característica da indústria pro pro nosso aluno que está conhecendo pouco mais agora durante o nosso curso?

Speaker 2:

É, é importante a gente olhar o setor da vitivinicultura brasileira como, eu não gosto de separálos porque eu acho que eles são setor único, mas a gente tem que olhar sobre a visão do viti e a visão do porque nós temos grandes empresas, né? Então então nós temos grandes empresas como por exemplo as cooperativas, né? Mas que são sustentadas, que têm a uva, né, o recurso a matériaprima vinda de várias pequenas famílias. Então o o Rio Grande do Sul em especial a Serra Gaúcha né porque se for pra campanha as áreas são pouco maiores né, na Serra Gaúcha por conta até do relevo, as áreas são menores, e essas áreas elas são, ocupadas por 1 pequena família, é 1 pequena família que tem lá né período específico de safra, período específico de poda né, e que trabalha e que precisa muitas vezes buscar recurso externo pra ocupar essas essas ações porque, porque quando a uva ela fica madura, você tem que colher e pensa em você você tem 1 família de é o pai e a mãe e 2 filhos né e não vão conseguir dar conta de todo aquele Parreiral que eles têm todo é pouco mas pra 4 pessoas fica inviável então acaba precisando de de mão de obra externa então são coisas que hoje 0AA característica da do nossa do nosso viticultor são pequenas sanilhas que fazem parte de desde a de cooperativas que são grandes né?

Speaker 2:

Ou de empresas que são grandes, mas normalmente as empresas na sua grande maioria são são alimentadas né? Tem essa matériaprima oriunda de pequenos produtores né essa é a característica e assim importante né, famílias que vivem exclusivamente da uva né, então não não existe outra cultura comercialmente falando né, claro que eles estão no interior e têm outras culturas nos nos seus ambientes né, mas não comercialmente falando então dependem da uva. E isso também é algo importante porque nós estamos sujeitos ao meio ao ambiente né? Somos sujeitos ao clima, ao tempo, então também são famílias que com 1 frequência são castigadas né? Hora por chuva em excesso, hora por falta de chuva, hora por granizo né então de fato é setor que precisa se organizar né precisa ter muito suporte pra sustentar.

Speaker 1:

Pensando justamente nessa nesses grandes impactos né que né que de alguma forma são tocados pela agenda ESG né, tentar trazer novas práticas que melhor ajudam a enfrentar as mudanças climáticas, os episódios climáticos né, melhor as práticas sustentáveis, principalmente pra produtores, em em condições menores como a gente estava comentando, quais que você enxerga como as principais oportunidades e os principais desafios, pra além do investimento na agenda sustentável. Você acha que tem 1 parte ainda de informação? 1 parte de como traduzir as principais pesquisas, tendências, discussões, pra toda essa cadeia produtiva?

Speaker 2:

Acredito que sim acredito que é muito importante a gente tem que fazer essa conversa né? Eu acho que órgãos como a Embrapa, o Voe Vinho né, vem já trazendo essas discussões, veja trazendo essa preocupação mas é necessário a informação né, a gente sabe que nós temos né, 1 mudança climática, aquecimento global e isso vai nos deixar cada vez mais à mercê, cada vez mais suscetíveis a aos impactos ambientais né, então, e como eu falava antes a uva ela depende das condições climáticas, se eu não tiver chuva na hora certa, frio na hora certa, calor na hora certa, infelizmente o qualidade da minha matériaprima ela vai ficar deficitária, e tendo qualidade deficitária o produtora é totalmente prejudicado e numa sociedade aonde se vive da uva e do vinho é 1 sociedade que impacta com o todo então pensando na na questão social eu tenho diretamente o as questões sustentáveis, a questão do meio ambiente social porque falase então de 1 região aonde as pessoas vivem da uva e do vinho né? Então você ter esses impactos então é importante a gente falar sobre isso, é importante a gente olhar olhar com ter olhar muito cuidadoso, em especial quando a gente fala de variedades né, hoje nós temos variedades brasileiras, que são variedades que se adaptam muito bem às novas condições climáticas, tem boa adaptação à questão de chuva, a questão né de, doenças e assim por diante são mais resistentes a doenças, isso faz com que a gente tenha 1 prática mais sustentável com o uso menor de agroquímicos então, são questões que a gente precisa conversar.

Speaker 2:

Nós temos muitas soluções próximas da gente, mas essa conversa setorialmente ela precisa acontecer, né? É eu vou te dizer que talvez ela não aconteça na mesma proporção que ela deveria acontecer, mas ela é algo necessário e não vejo o futuro da vitivinicultura sem nós termos 1 conversas maiores sobre esse tema.

Speaker 1:

E falando sobre a importância dessas conversas e fontes atualizadas de informação, até pela sua experiência, queria perguntar pouco sobre como, a oiv né, fomenta essas discussões né, como que o a indústria brasileira, tanto na na parte acadêmica que você tem experiência quanto na parte profissional, como que esses conteúdos têm permeado as discussões e como que ela pode ser 1 fonte de referência importante pra quem quer estudar o setor ou quer mais ativamente se engajar com as notícias tendências informações?

Speaker 2:

Olha a OIV é 1 fonte espetacular de informação, de discussão, quem puder dia né participar aí dum congresso da OIV é 1 é cenário né é o celeiro de informações onde a gente tem muitas discussões com o mundo todo né então a a Oiv ela tem várias preocupações entre elas é a questão da mudança climática então nós temos vários materiais sendo construídos, é possível acessar o site da Oiv e ter acesso a esses materiais. É possível você se inscrever lá no no próprio site pra receber notícias, né? Porque é 1 preocupação muito grande da Oiv essa questão da estamos preocupados porque nós temos cenário de aquecimento global e consumidor que quer vinho cada vez menos alcoólico. Então nós estamos indo num, num caminho contrário aqui é algo que está nos preocupando e a gente vem, né, conversando sobre muito sobre isso no 0EV então eu superrecomendo as pessoas que queiram saber mais sobre os movimentos da 0EV né, nós conversamos sobre esse tema em todas as comissões, né? Então seja na legislação, seja em enologia, na segurança e saúde, né?

Speaker 2:

Então nós estamos na na viticultura, em todas as comissões nós tratamos sobre esse tema que é muito importante E QUE NÓS NO MUNDO TODO, NÉ? MAS NO BRASIL EM ESPECIAL, PRECISAMOS ESTAR CONVERSANDO E APLICANDO, NÉ? ESSAS PRÁTICAS NO NOSSO DIA A DIA.

Speaker 1:

Perfeito. EU ACHO QUE, COM ISSO A GENTE CONSEGUE ENCERRAR ESSA primeira parte da nossa conversa, é Carolina queria te agradecer e convidar pra ficar pouquinho mais com a gente porque a gente vai falar mais no nosso, quarto podcast enquanto a gente busca entender esse processo de como atingir a sustentabilidade na viticultura. Então você que já assistiu a nossa videoaula sobre olhar para 0EE já leu a parte correspondente no rubi leitura, já pode correr lá pro nosso próximo podcast, se você não fez isso ainda, vai lá, dá 1 lida assiste e volta pra mais da nossa conversa com a Caroline Dani. Até mais. Pósgraduação unicinos.