ESG na Indústria do Vinho
Pósgraduação unicinos. Olá pessoal, eu sou o professor Vitor Greenberg e estamos começando agora o nosso podcast sustentabilidade na viticultura, dos aprofundamentos da temática olhar para o e, na nossa disciplina de es g na indústria do vinho. Hoje estamos continuando a nossa conversa com a Caroline Dani. Pra quem já esqueceu das suas incríveis credenciais, vou dar aquela relembrada. Ela é bacharel em biomedicina pela Universidade de Fivale, possui mestrado e doutorado em biotecnologia pela Universidade de Caxias do Sul, fez seu pósdoutorado em Georgetown Lombardi Comperhansive Cancey Center na Georgetown University, nos Estados Unidos, atualmente ela é professora do Centro Universitário Metodista e coordenadora do programa de pósgraduação em biociências e Reabilitação, Atua junto ao setor de uva e do vinho, auxiliando em projetos diversos, e na elaboração de materiais para divulgação dos benefícios dos derivados da uva, à saúde humana.
Speaker 1:Possui diversas publicações em periódicos internacionais especializados, e é coordenadora da comissão de segurança e saúde da Oiv no Brasil. Ela também atua aqui na nossa pósgraduação. Caroline, muito obrigado por estar aqui conosco mais 1 vez.
Speaker 2:Eu que agradeço a oportunidade de estar aqui hoje trocando informação com o pessoal né trazendo a gente podendo conversar falando de tema que é tão caro pra mim né que é uva e o vinho.
Speaker 1:Eu queria começar te fazendo 1 provocação pra gente contextualizar o que que a gente está falando quando a gente fala de sustentabilidade na viticultura de forma conceitual o que que significa essa essa questão?
Speaker 2:Bom, falar de sustentabilidade na viticultura, acho que a gente tem que pensar primeiramente nas questões de produtividade, né? Quando a gente fala em escolha de variedades, por exemplo, né? Qual variedade pra qual solo quais são as variedades que melhor se adaptam, as práticas do uso de agroquímicos, agrotóxicos né a gente fala porque a uva ela pode ser acometida por várias doenças né então, em especial fungos né estão presentes na uva e é prática comum em muitos lugares do mundo o uso desses compostos pra controlar, pra tratar, pra evitar o aparecimento dessas doenças. Entretanto é muito importante como falava no início essa identificação de melhor variedade pra cada lugar, em especial quando a gente fala de resistência EEE sensibilidade a determinadas doenças né? Então você implantar 1 variedade muito sensível numa área super húmida, a tendência de você ter 1 doença e precisar tratar várias vezes por exemplo pra fazer com que ela tenha 1 produtividade significante, isso acaba por invalidar né a produtividade então são cuidados que a gente tem que ter porque isso acaba por ser grande problema né pra questão da sustentabilidade, do meio ambiente.
Speaker 2:Então são cuidados que nós precisamos ter dentro da viticultura pra que a gente possa aplicar essas práticas, né, da sustentabilidade. É importante também a gente, quando a gente olha pra viticultura a gente olhar pra questão de nutrição de solo, né, porque muitas vezes, como é que está esse solo que eu vou implementar, como é que está a nutrição dele, e muitas vezes a nutrição não é simplesmente você incorporar micro ou macronutriente no solo, mas é com pouco reequilibrar a microbiota daquele solo né? Microbiota de solo hoje é estudo à parte e a gente já sabe o quanto o equilíbrio da microbiota do solo pode impactar na qualidade bruto final então, são olhares que precisam ser feitos, ah é que eu quero plantar Merlot né? Tá mas e nesse nesse lugar que tu deseja plantar Merlot é onde tu vai conseguir ter o melhor desempenho, cuidando né com o mínimo de aplicação de compostos que podem afetar né, a questão da água, entre outros, então são fatores que devem ser cuidados e outro fator muito importante quando a gente fala de viticultura mundial é a água, né? Então hoje há 1 preocupação mundial, para para com né viticulturas dependentes de irrigação, né então, bom, precisamos cuidar dessa irrigação, né, 1 vez comentando comigo no no Vinhedo ele disse, existe 1 coisa que é irrigação e 1 outra que é malhação, né?
Speaker 2:Então o quanto eu preciso irrigar? Então hoje já existem estratégias, existem sensores que você pode colocar na videira e você entende o quanto aquela videira precisa de água. Então, pra você ter 1 avaliação da evapotranspiração daquela videira. E aí você consegue saber o quanto de água ela realmente precisa, e não simplesmente irrigar por irrigar né? Então que cuidados eu preciso ter quando eu falo de irrigação.
Speaker 2:Então são são olhares que que a gente precisa ter, porque recentemente por exemplo estive numa numa vinícola na região do do NAPA, nos Estados Unidos, na Califórnia, e 1 região que costumeiramente precisa irrigar né 1 1 região que usa a derrigação pra tornar a viticultura viável, tem produtor que decidiu por dry farm né, então ele não faz irrigação e a videira sustenta né, então assim inclusive faz com que as raízes da videira elas busquem elas ainda fiquem mais robustas e sejam mais longas em busca de aporte de água, então por isso esse olhar nós temos que ter olhar pro ambiente que a viticultura está sendo implementada, pra que eu tenha a melhor produção, a melhor resultado frente a cenário saudável né, frente a a meio ambiente saudável.
Speaker 1:Pegando gancho no que a gente conversou no podcast passado inclusive dada essa destacada importância, como que a gente enxerga a sustentabilidade da viticultura no Brasil hoje? Qual que seria o maior espaço pra melhoria? Principalmente considerando que talvez muitos dos nossos estudantes não atuem diretamente, mas queiram atuar de forma conecta a potencializar essa indústria. Então, onde eles têm espaço pra pra atuação e potencializar o que que os produtores estão precisando ir desenvolvendo?
Speaker 2:Bom, hoje nós temos alguns alguns cenários que já estão muito bem estabelecidos, né? Então assim, a gente já vê esse olhar por solo, esse olhar agronômico, né já pra questão da sustentabilidade, então é claro que como comentava né até no no outro podcast, a cultura da uva e do vinho no Brasil ela é jovem, né? Então nós estamos entendendo, vocês terem 1 ideia né, as Vits vinifera elas passam a aparecer de forma significativa nos últimos 30 anos, né, vamos dizer 20 anos de forma mais mais né significativa. Então, nós estamos ainda entendendo esse cenário, né? Ainda entendendo, mas o que é mais importante é que nós nunca deixemos de olhar pra esse cenário, né?
Speaker 2:Então é algo que hoje nós precisamos, tem muitos espaços pra trabalhar, né? Tem muitas as as vinícolas entendem esse essa importância e tem hoje muitos cuidados à aplicação, essa aproximação do viticultor com vinicultor faz com que o setor todo ganhasse muito, né então hoje há 1 preocupação do vinicultor em fazer acompanhamento de campo junto com o viticultor. Então hoje é o do ano todo e não somente na safra, há acompanhamento, então bom vamos lá vamos acompanhando como é que está essa poda, como é que está a questão do a brotação, está brotando, não está floresceu não, como é que estão as bagas, como é que está o processo de amadurecimento então são todo todo olhar hoje que há ao longo de ano todo, porque a safra ela não se dá só no momento do amadurecimento, ela leva todo ano pra acontecer e qualquer questão no meio desse processo vai impactar na qualidade final, então são cuidados que hoje a gente sabe que são importantes então a sustentabilidade ela é bem necessário né, a gente vê isso dentro das práticas, dentro das falas, mas nós ainda temos muitos espaços pra cobrir né? Muitos olhares que precisam ser feitos, já existe sim hoje olhar, 1 cuidado, aplicação de técnicas dentro do setor, que vão como eu falei desde práticas na agricultura até dentro da vinícola também, que são olhares voltados à sustentabilidade, mas ainda nós estamos né implementando vários desse sistema.
Speaker 1:E pensando numa outra frente que é relevante nessas discussões, quais são os principais marcos regulatórios, benefícios, propostas, que estão ligadas com a presença do poder público no setor? Ele é setor que enfim, tem sido alvo de grandes regulações, regulamentações ou ainda, existe espaço aí pro desenvolvimento de mais políticas públicas que possam, tanto potencializar a presença de práticas ESG e sustentabilidade, nas discussões?
Speaker 2:Olha a gente, tem né a gente tem hoje, dizer assim nós, temos alguns marcos regulatórios, né? Como por exemplo, a questão do uso de garrafas, né? A questão, esse essa devolutiva de garrafas, isso são são coisas que, ãh, vêm sendo aplicadas, né? Então, a questão do lixo produzido, a responsabilidade com relação ao lixo, a gente tem alguns algumas orientações, né? Com relação, por exemplo, a parte social também né visto os últimos acontecimentos né que nós tivemos no principalmente no em 2020 e 13 alguma coisa já esse ano né?
Speaker 2:Tem alguns cuidados que a gente, ah, tem que ter, né? Mas de fato, em termos de Brasil, a gente ainda não tem grandes regulamentações que nos orientem. Existem orientações vindas da, da OIV, então regulamentações vindas da OIV, mas em termos de governo brasileiro, a gente ainda não tem, muitas legislações, muitas ordens né com relação a isso. Existem sim várias recomendações que são feitas e que devem então ser seguidas né?
Speaker 1:Muito legal. E pra quem é, está interessado mais na parte sobre gestão de resíduos, insumos buscando essa sustentabilidade, que é quase que 1 discussão à parte mas igualmente fundamental. Como que podese entender pouco melhor sobre as práticas que as vinícolas podem aplicar pra reduzir o impacto ambiental nesse processo? Elas contam muito com consultorias? Tem profissionais que atuam diretamente?
Speaker 1:Como entender mais sobre essa parte do da cadeia produtiva?
Speaker 2:Sim hoje as vinícolas elas possuem né consultorias, elas têm acompanhamento né de vários profissionais que fazem gestão de resíduos, que fazem também essa parte de gestão né da do lixo todo né que é gerado, então tem vários dentro da dentro das vinícolas e até mesmo nos vinhedos né, tem vários profissionais que acompanham pra fazer a melhor gestão desse processo né? Os resíduos da vinificação eles sempre foram na verdade problema vamos dizer assim entre aspas né, da vinificação porque é algo que, bom aonde é que tu vai fazer o descarte correto e desse desse material né? Existem regulamentações pra esse descarte né, então como fazer esse descarte e houve né durante período de tempo, 1 ideia de que se pudesse utilizar isso como produção de outros materiais né, ou de outros alimentos, então já existiu por exemplo farinha de casca de uvas, óleo de semente de uva então a gente tem alguns produtos, nesses nesse cenário. Entretanto o custo pra tornar isso viável é muito alto, né? Então é algo que de fato torna essa utilização desse recurso algo
Speaker 1:caro
Speaker 2:né então às vezes é melhor pagar pra descartar esse produto do que transformálo e em outro produto. Então eu acredito muito assim que se nós tivéssemos algum tipo de subsídio governamental pra que pudéssemos transformar esse esse esse subproduto né? Eu mesma durante o meu mestrado, o meu doutorado, eu tive oportunidade de, participar de algumas pesquisas com o uso de extrato de casca, extrato de semente de uva, nós fizemos também extrato de folha de videeira né, a folha da videira ela é 1 parte da videira que não é utilizada no Brasil pra nada, mas ela é muito utilizada em países como a Turquia por exemplo, que utiliza essa folha pra tratamentos medicamentosos, pra alimentos. Então, são são questões que nós poderíamos aproveitar melhor sabe esses recursos. MAS, precisaríamos de subsídio governamental pra isso porque de fato os custos pra tornar esse material, esse resíduo viável a se transformar num alimento, a se transformar num produto dermatológico, né?
Speaker 2:O custo é bastante alto e torna então esse produto produto caro e que muitas vezes não consegue competir com outros produtos no mercado, mas acredito muito que seria 1 alternativa pro setor vitivinícola o melhor melhor gerenciamento desses resíduos né? Porque hoje acabam por ficar acabam por virar lixo e muitas vezes esse lixo é problema e poderiam virar outros subprodutos né?
Speaker 1:É querendo ou não isso acaba, dialogando muito com a pergunta anterior que é oportunidades de, maior presença do do do poder público do debate junto com as autoridades, dentro desse setor que é setor importante pra economia brasileira e que que continua em crescimento. E pra pra gente encerrar a nossa conversa apesar da gente poder ficar aqui horas conversando, sobre essa indústria que é fascinante, queria perguntar, como que você enxerga o futuro da viticultura sustentável no Brasil? Como que você, como que você imagina que a indústria ela pode evoluir pra atender, a demanda desse consumidor que tem sido cada vez mais consciente, consumidor que está engajado pra além do custo final do produto, né a gente vê, principalmente a nova geração, você comentou muito no, no começo da nossa conversa que quer produto com menor teor alcoólico que, enfim tem sido mais específica sobre as suas vontades, como que a gente tudo isso pra olhar pro futuro de 1 viticultura sustentável no nosso país?
Speaker 2:É acho que momentos como esse que a gente está tendo aqui são muito importantes, né? Então poder estar falando pras pessoas sobre esse tema, entender o quão importante é nós termos essas preocupações, né, com relação a esse cuidado que nós precisamos ter, a entender né, que os recursos naturais eles são finitos, a entender que nós precisamos pensar na hora de construir vinhedo, precisamos olhar pra termos o o melhor resultado. Então são cuidados que precisam ser feitos e precisam ter, né, não precisamos ter esses cuidados pra que nós possamos então de fato ter os princípios da ESG implementados né, porque a gente não deve trabalhar por o papo que foi obrigatório né porque isso tem que vir dentro do setor como algo orgânico, a gente não espera que as coisas elas do dia pra noite consigam ser implementadas mas organicamente elas devem ser pensadas e implementadas e em especial comunicadas, né? Porque o consumidor ele precisa ser comunicado disso. Eu eu eu uso muito exemplo, né?
Speaker 2:Acho que a África do Sul está aqui pra nos dar exemplo absurdo né, país que saiu né de de apartheid pra hoje ser dos países que mais cresce economicamente, que tem o o vinho hoje cada vez mais crescendo dentro do seu cenário e que é super bem organizado em termos setorial, né? Então hoje lá na na África do Sul você tem o selo de sustentabilidade que está em 98 por 100 dos produtos engarrafados, mas também tem o selo que é o selo de cuidado social, né? Então, ah não, porque é país que tem 1 questão social aplicada sim mas, né, nós também temos, também faz parte da nossa sociedade, então, temos que olhar, eu sempre falo que a gente não precisa inventar a roda né, então vamos usar como exemplo esses países que estão aí, a Nova Zelândia, África do Sul, a Austrália, que são referências em países de Novo Mundo em especial por isso que é tão importante a gente nos compararmos a ele e não nos compararmos com a Europa, né que tem aí milhares de anos, a gente falar sobre essa viticultura mais mais jovem, mas que já vem com esse olhar.
Speaker 2:E público que está que está interessado em saber sobre isso, né, público que está que quer buscar essa informação, que quer saber como é que acontece essa informação então, como é que você vai entender, como é que você vai comunicar. Então é muito importante que a gente passe a comunicar, a mostrar pro nosso consumidor o que que a gente está fazendo, mostrar que o setor da vitivinicultura é setor preocupado, eu costumo falar né o mundo todo está buscando vinho menos alcoólicos. Poxa tu tem que olhar pra isso. E eu tenho que olhar com cuidado lá no meu vinhedo, na minha vinícola pra que eu possa atender esse consumidor que está buscando vinho menos alcoólico, Ele também está buscando produto que tenham cuidado com relação à sustentabilidade, ele está procurando produto orgânico, produto biodinâmico. E eu preciso estar atento a isso, é o movimento de mercado, né, as pessoas elas olham pra isso e eu ah essa vinícola ela tem esse tipo de cuidado então passa a ter 1 valorização.
Speaker 2:A gente ainda não tem a valorização que nós gostaríamos é óbvio, né? E também não temos o conhecimento que está do consumidor com relação a isso, mas é algo que é futuro certo, ele não é algo que vá vir a acontecer né? Ele é ele é presente futuro certo e nós precisamos ter cuidado quanto o setor né?
Speaker 1:Cabrininha queria te agradecer super pelo seu tempo, pela conversa, eu acho que muito mais do que inspiradora, ela é muito rica tanto na parte prática quanto na parte teórica, grandes exemplos, grandes provocações e grandes insights pra todos os nossos estudantes que podem estar atuando em qualquer 1 das frentes dentro dessa grande indústria do do vinho né, a grande indústria do vinho no Brasil. Então mais 1 vez muito obrigado pela sua disponibilidade.
Speaker 2:Eu que agradeço a oportunidade né deixo fico à disposição caso né alguém queira me procurar né queira tirar dúvidas também fico super à disposição aí que a gente possa estar cada vez mais aí falando sobre o tema né sempre muito importante nós falarmos sobre o tema uva, vinho, pra que nós possamos conhecer e dessa forma também né, cada dia mais e agregando conhecimento e evoluindo, que de fato é caminho sem volta e nós precisamos estar atentos.
Speaker 1:Então é isso pessoal, agora é hora de voltar pro rubi visual e assistir a nossa próxima e última aula, o futuro do es G. Depois, continuamos a nossa jornada com o podcast desafios da implantação da agenda ESV. Bons estudos e até mais.
Speaker 2:Pósgraduação unicinos.