Minha conversa com o Hugo traz bastante do caminho que a tecnologia tomou, toma e nos levaRÁ daqui a diante. Conseguir que a própria tecnologia capilarize, popularize e democratize a saúde é algo fantástico e casa vez mais necessário. Isso será possível UTILIZANDO A inteligência Da cabeça de várias pessoas E investindo muito na formação intelectual, durante todo o período escolar e acadêmico. JA TEMOS MUITOS DADOS, QUE TAL UTILIZAR??
A Universo Visual fala sobre a oftalmologia e todas as suas subespecialidades, trazendo novidades e avanços científicos de maneira atraente e dinâmica. O podcast é uma extensão da Revista Universo Visual que busca informações inovadoras e de qualidade, oferecendo ao exigente público leitor um panorama atualizado sobre o que acontece no mundo da oftalmologia.
Repercussão da entrevista com Hugo Morales, diretor médico da Laura Healthtech
Na repercussão da entrevista realizada no Podcast Rx - Por dentro da sua próxima receita médica! com o infectologista Hugo Morales, diretor médico da Laura Healthtech, startup de Inteligência Artificial em saúde, o oftalmologista Paulo Schor enfatiza aspectos sobre como o mundo digital conquistou um enorme espaço na vida das pessoas. Além disso, ele reflete sobre qual é o caminho que a tecnologia deve seguir no intuito de popularizar e democratizar o sistema de saúde.
Schor comenta que durante a entrevista, Morales falou da importância da infectologia, especialidade médica que trata do microcosmos, que analisa os agentes infectantes, como vírus, fungos, protozoários, bactérias, que estão em todos os lugares. "A gente costuma falar que ter bactéria na pele é algo muito saudável e quem não tem bactéria nenhuma na pele, não tem nenhuma camada de proteção contra outras bactérias. O problema é a quantidade", aponta o médico, ressaltando como exemplo as bactérias que existem nas nossas pálpebras. "Como oftalmologista, eu consigo falar com bastante tranquilidade sobre isso, porque bactéria na pálpebra é normal, mas uma quantidade alterada e, eventualmente, ter algumas bactérias que são um pouco mais agressivas, é anormal", acrescenta.
Na conversa, o diretor médico da Laura Healthtech explicou que a infectologia permite que se veja o microcosmo e o macrocosmo. "O macro, no sentido de que isso está em todos os lugares, que é um problema de saúde pública, muito espalhado", esclarece Schor, destacando que esse foi o mote do lançamento do robô "Laura", para o controle de sepse, das infecções que se alastram pelo corpo todo, que analisa os dados dos pacientes com essas condições, para tentar prever e prevenir a sepse baseado em dados produzidos no hospital e que podem ser compilados, agrupados, entendidos e trabalhados. "Esse foi o começo dessa empresa que hoje já tem 12 milhões de dados agrupados e consegue fazer várias outras coisas," informa, salientando que os micro-organismos estão em todos os lugares e, por isso, os dados também precisam estar.
Para ele, existe uma ligação quase que metafórica entre o macro, visto de longe e que pode atuar em diversas pessoas, em diferentes cenários, baseado no micro, que é algo que entra pelos poros das pessoas. "Falando um pouco do começo da história do Hugo, é algo que me chama muito a atenção hoje. E me chama mais atenção ainda, e eu vou trazer isso para outro universo que nos é bastante familiar, o microcomputador. E o que isso tem a ver com a história?", questiona. O oftalmologista comenta que Morales fala em certo momento de desfragmentação, onde temos os dados muito fragmentados e, por isso, não conseguimos enxergar uma coerência, as informações, algum conhecimento que vem a partir desses dados. "Dessa forma, precisamos recolher os dados, organizá-los e manipulá-los", revela.
"E um parêntesis aqui”, prossegue Schor, "eu lembrei de um curso que eu e meu amigo Wallace Chamon oferecemos na Academia Americana de Oftalmologia há cerca de 25 anos, que se chamava Manipulando os Dados Digitais", relembra o especialista. Ele conta que os dois ficaram um tempão para pensar no nome do curso e no final esse foi o nome escolhido. "E foi um nome do qual até hoje eu me orgulho muito, achei muito bom, e o curso fez um sucesso muito grande na época, era sobre o uso de ferramentas digitais e imagino que hoje isso seria relativamente old fashioned, porque outros dados e outras manipulações têm sido oferecidas, como inteligência artificial e aí por vai", completa.
Conforme explica o cirurgião, os dados fragmentados não nos servem para gerar algum bem-estar, eles servem apenas para que as pessoas, individualmente, consigam alguns feitos, como por exemplo cobrança de planos de saúde ou para que o médico saiba como que o seu paciente se encontrava na última consulta. "Mas eu não consigo melhorar o sistema de saúde como um todo com os dados só dos meus pacientes e nem com os dados fragmentados, pedaços de dados dos meus pacientes. Eu preciso organizar isso", avalia, afirmando que em relação ao passado, talvez algumas pessoas de sua geração se lembrem de como os dados eram organizados. "Foi por isso que eu trouxe a história do Manipulando Dados Digitais, alguns de vocês vão se lembrar que essa organização era feita manualmente", diz.
Segundo o especialista, hoje, quando compramos um computador, raramente precisamos fazer alguma coisa. "Você escreve ou clica, pede na internet para atualizar automaticamente o sistema operacional e não se preocupa mais com isso. Provavelmente você vai trocar o computador antes dele quebrar. E não era assim em outros tempos", afirma. Anteriormente, ele comenta que as pessoas instalavam os sistemas operacionais e desfragmentavam os discos rígidos dos computadores manualmente. "Nós escolhíamos quais os setores que estavam livres para onde iam trilhas do disco rígido, existia uma otimização do sistema. Olha que loucura", observa o médico, salientando que daí começaram a aparecer ferramentas para fazer isso e, então, o sistema avisava depois de algum tempo que era preciso desfragmentar o disco porque ele estava com uma má performance.
Ele enfatiza que a má performance, contudo, poderia ser melhorada, pois se sabia quais eram os locais defeituosos do disco rígido. "Atualmente não tem nada disso. A desfragmentação passa batido, ela é de pouca preocupação, quem toma conta disso é o robô", esclarece, mencionando que está trazendo esse assunto à tona porque ele tem a impressão de que iremos utilizar esses robôs que têm uso na saúde. "Nós tratamos de dados de modo muito pessoal, muito manual, muito artesanal e muito pouco profissional, amador. Nós falamos 'aqui está quebrado, vá para outro posto de saúde. Esse registro não pode ser usado, vamos substituir por outro.'" E as propostas, de acordo com Schor, são de uma automatização desses dados todos, de modo que esperemos em um futuro relativamente próximo não nos preocuparmos mais com nada disso.
E como relatou Morales, poderemos usar esses dados para extrair informação e conhecimento. "É meio prosaico isso, né? Eu quero extrair conhecimento de dados e, na minha cabeça, isso significa que eu quero me livrar da função repetitiva, entediante, na qual eu erro, de manipular dado por dado e eu quero ver a conclusão final", aponta o oftalmologista, declarando querer manipular mentalmente esses dados, entender o que eles produziram de informação para daí gerar conhecimento. "Aí o ser humano ultrapassa a máquina de muito longe. E ouso dizer que nem há um interesse tão explícito de nós, seres humanos, produzirmos máquinas pensantes, máquinas decisórias, máquinas responsáveis. A gente faz isso bem. Só que a gente faz isso cada vez melhor quando temos material para pensar sobre isso”, destaca o cirurgião.
Para o médico, do mesmo jeito que as redes neurais não produzem bons algoritmos com maus dados, o ser humano também não. "A gente consegue ter conclusões muito boas a partir de dados muito bem recolhidos e de preferência já manipulados e o Hugo trouxe bastante dessa reflexão, do caminho que a tecnologia toma, tomou, nos leva, o que a computação tem a ver com isso, como vamos conseguir que a própria tecnologia capilarize, popularize, democratize a saúde, e eu acho que é desse jeito que tem que ser". Ressalta, pontuando que isso não se dará através de um celular na mão de cada indivíduo. "É tendo inteligência na cabeça de várias pessoas e investindo muito na formação intelectual, antes da universidade, durante a universidade, depois da universidade, e utilizando da melhor maneira possível os dados que já estão disponíveis", finaliza Schor.