Decantando Ideias

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A confiança é o vinho de guarda das relações: amadurece em silêncio por anos e pode se perder num só gole.

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Sirva-se de uma taça e, antes de beber, sinta o aroma. Há vinhos que levam anos para amadurecer e revelam num só gole que algo se perdeu no caminho: basta um toque de vinagre onde deveria haver fruta para a garrafa inteira se tornar suspeita.

Neste episódio, Alexandre de Salles conversa sobre a confiança como o vinho de guarda das relações: construída em silêncio, gole após gole, por coerência repetida no tempo. Por que ela não se conquista com uma apresentação brilhante, mas com previsibilidade? Por que uma única incoerência tem o poder de reescrever todo o passado? E por que reconquistar confiança leva mais tempo do que construí-la?

Uma reflexão sobre credibilidade, coerência e o tempo próprio da reparação, para quem entende que a palavra empenhada é o ativo que mais devagar se constrói e mais depressa se perde.

Na palavra que você empenha, tem tratado a confiança como um vinho de guarda ou como uma garrafa que se abre depressa, confiando que sempre haverá outra na adega?

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O que é Decantando Ideias?

Um brinde às reflexões estratégicas

Um podcast para quem acredita que decisões estratégicas, assim como vinhos especiais, precisam de tempo para respirar. Apresentado por dois hosts criados por inteligência artificial que dão voz às reflexões de Alexandre de Salles sobre gestão, liderança, estratégia e negócios: sempre com profundidade, leveza e provocação. Quinzenalmente, às quintas, às 18h, um novo episódio para pensar o mundo corporativo com mais calma, clareza e senso crítico. Sirva sua taça e venha decantar ideias com a gente.

Um podcast da Decantar: https://decantar.alexandredesalles.com.br

Nas empresas a gente adora uma planilha, né? Porque elas entregam-me ilusão maravilhosa de controle. A com certeza. Aquele conforto dos números.

Exato. O caixa fecha ou não fecha. O auditor vai lá ponta por uma célula específica no Excel e tipo, o problema tá ali quantificado, contidinho, pronto para ser resolvido com uma canetada ou um corte de gastos. Seria ótimo se tudo fosse assim?

Nossa, sim. Mas a verdade é que o ativo mais caro, mais complexo e mais vital de qualquer organização simplesmente não cabe num software financeiro. Eu tô falando da confiança. Que é um bicho completamente diferente.

Total. Então, hoje a gente vai fazer um mergulho profunda nessa ideia maravilhosa de que a confiança tem um tempo de guarda. A gente vai tentar entender por que a confiança é o alicércio absoluto da governança e, como essa preça de hoje em dia, essa ouigência de resolver tudo para o próximo trimestre está sabotando o maior patrimônio de longo prazo de uma cultura organizacional. E olha, essa falsa sensação de segurança matemática que você mencionou é o ponto de partida perfeito para a nossa conversa.

O material que a gente tá analisando hoje é o texto número 40 da coluna de Alexandre de Salis. Que texto incrível, olhás. Muito bom, né? E o que deixa essa perspectiva tão fascinante é justamente a bagagem de quem tá propondo isso.

O Alexandre de Salis traz a vivência de quem já sentou na cadeira de si é fôsabe. Aquela pressão gigante. Exatamente. Lidando todo o Santo dia com a área e desde os números, a pressão implacável de conselhos, de administração e aquela cobrança do entia por resultados imediados.

E hoje, como o fundador e CEO da AS Consultoria, ele foca em estratégia, inteligência de gestão e sustentabilidade. É uma virada de chave e tanto. Total. A AS Consultoria, a tua, como uma butique mesmo, sabe?

Voltada para organizações que buscam perenidade, clareza decisória. Ou seja, empresas que já entenderam que não adianta nada brilhar sobre os holofotes hoje se a estrutura não deconta de sustentar o negócio amanhã. Eu fico muito impressionado com essa visão. E é uma combinação tão rara de se encontrar no mercado corporativo hoje em dia, porque ele une aquela precisão cirúrgica, quase fria mesmo, de quem entende de fluxo de caixa, com uma sensibilidade humana super agussada sobre como as pessoas funcionam dentro daquelas estruturas.

É não é só sobre grana, é sobre comportamento. Exato, em chegar a governança não como há um departamento burocrático, chato que só serve para dar punição ou criar regra, mas como a própria espinha dorsal do valor, do negócio no longo prazo. E para ilustrar como essa estrutura invisível, se forma, eu achei genial, como as ideias de Alexandre de Sales mergulham no universo dos vinhos. A metáforo do vinho é perfeita.

Nossa, sim. A imagem que ele usa logo de cara é formidável. A ideia é que o aroma da coerença chega antes da primeira palavra. No vinho, a confiança começa no nariz, né?

Sem dúvida. Antes de beber, você já sabe. É, muito antes de o líquido tocar o seu paladar, só de você girar a tasse e sentir aquele aroma, a história de como aquela uva foi tratada no campo já começa a ser contada. Aí, trazendo isso pro nosso mundo corporativo, pro chão de fábrica ou pra mesa de reuniões, como é que esse aroma se manifesta nas relações de trabalho do dia a dia?

Então, o nosso cérebro humano é tipo uma máquina super sofisticada de reconhecimento de padrões, sabe? A gente evoluiu pra lê entre linhas, pra detectar sinais de perigo, a de segurança em quem está liderando grupo. Instinto puro de sobrevivência. Exato, sobrevivência pura.

E nas relações corporativas, as equipes, os investidores, até os fornecedores e clientes, eles farejam a coerencia de uma liderança muito antes de... Sei lá, o primeiro slide de um PowerPoint oficial aparecendo a parede. Ninguém precisa abrir a boca. Ninguém.

O aroma da coerencia é aquilo que a estrutura exala quando ninguém está medindo, quando não tem auditoria, quando não tem avaliação de desempenho rolando. É a postura no silêncio. Nossa, postura no silêncio. Que forte?

Pois é. Quando um diretor trata, um uma malista junior, ou um pequeno fornecedor com o mesmo nível de respeito e atenção, que ele trata o acionista majoritário, isso exala um aroma claríssimo de segurança. Todo mundo envolta a sentir isso. E aí, quem entram com um traeste que eu acho doloroso com a realidade da maioria das empresas, né?

Porque os caras passam meses elaborando código de conduta perfeito. Gastando furtunas. Sim, o manifesto de valores límites. um daquele vídeo institucional de fim de ano, como a música inspiradora.

Mas as pessoas esquecem que a verdadeira governança já começou a ser testada, sei lá, na terça-feira tarde no corredor. Naquela reunião chata. É. Na forma como o chefe do departamento lidou com o erro operacional da equipe, a governança começa no silêncio antes do microfone se ligado.

O texto de Alexandre de Salis argumenta muito bem que a confiança não precisa de tradução. As pessoas simplesmente percebem a coerência no ar. E o paladar no fim das contas só confirma que o inariz já antecipou. Perfeito.

Se o aroma promete algo estragado, ninguém nem dá o primeiro gole. E no mundo dos negócios é a mesma coisa. O contrato assinado, O SLA, o balanço auditado, ele só vem oficializar aquilo que o comportamento diário do gestor já estava desenhando faz tempo. Não tem surpresa.

Não tem. A verdadeira confiança não se apoie em promessas gigantescas ou num evento isolado. O Alexandre de Salis puntua isso com uma crareza de quem passou anos dentro de conselhas de administração. O que gera e sustenta confiança de verdade, a confiança de um banco, de um investidor institucional, de uma equipe de alta performance.

Não é você ser um gênio e desruptivo todo dia. Ainda bem porque isso cansa. Cança demais. A moeda real da confiança atende por um nome muito menos glamoroso.

Sabe qual é? Previsibilidade. Olha, mas espera aí, a gente precisa dar uma tensionada nessa ideia. Porque assim, previsibilidade sua como algo mortalmente chato, não acham?

Para muita gente sua com certeza. O mercado atual parece que a bombina rutina. As empresas gastam rios de dinheiro com agências de RP para aparecer em superagens, revolucionárias, desruptivas, 24 horas por dia. O Vale do Silício colocou na nossa cabeça aquele mantra do Movací rápido e quebre as coisas.

O mercado paga muito caro pelo espetáculo, pela inovação. Como é que a gente concilia essa fome desesperada de espetáculo com a ideia de que ser previsível, ser constante, é muito mais valioso? Aí, que está a grande confusão que muita gente faz. O mercado de fato adora espetáculo no produto.

Sabe? Naquela campanha de marketing genial, no lançamento de um aplicativo novo... Nisso faz sentido. Faz.

Mas quando o assunto é onde o cara vai colocar o dinheiro grosso dele, onde o talento vai investir a própria carreira ou capital e as pessoas, fogem da imprevisibilidade comportamental como diabo foge da cruz. Ah, entendi, uma coisa o produto ou outra é a alho derança. Exatamente. O espetáculo atrai os olheares da mídia, mas é a previsibilidade do gestor, que mantém o capital ali, que retenha aquele talento sênio, e principalmente que instaura a tal da segurança psicológica na equipe.

Faz todo o sentido. O que o Alexandre de Sales mostra pra gente é que ser previsível não significa uma empresa ingessada, estagnada, que não sabe novar. Significa que o mercado e os seus funcionários sabem quem é aquela empresa é. Tanto na luz, quanto na sombra.

Tem consistência. Muita consistência. É ter um malinhamento inquébável entre o que o Conselho promete lá em janeiro, no planejamento estratégico, e o que as diretorias de fato vão executar em outubro. Essa beca olha, as regras do jogo não vão mudar no meio do campeonato só porque rolou uma crise passageira ou o vento mudou.

É. No fim das contas, a velha diferença entre ter vernis e ter estrutura. Eu fiquei pensando muito nisso. Porque o vernis, ele brilha maravilhosamente bem quando o holoforte está ligado, né?

Fica linda na foto. Fica. Mas aí vem a primeira chuva forte, ou dá o primeiro arranhãozinho, e ele já descasca e revela que a madeira por baixo tava toda podre. Se uma empresa vai pro mercado com um discurso super arrojado de vanguarda, mas aí na primeira auxilação da taxa de juros a galera entre empânico.

Sai cortando tudo? É. Corta a benefício essencial da equipe sem nem conversar direito com as pessoas, muda a estratégia comercial da noite para o dia. Tipo, o aroma que sobe dessa taça é só de instabilidade.

A previsibilidade é o que garante que o time possa tomar aquele risco calculado para inovar. Porque ele sabe em que o chão não vai sumir de repente. E essa dinâmica que setrou-se levanta uma questão muito fascinante sobre a se metria brutal que existe entre construir e destruir a confiança. Conta mais sobre isso.

Então, para você construir esse patrimônio de previsibilidade, sabe essa blindagem toda de coerencia, isso leva anos, às vezes leva décadas. É o famoso tempo de guarda que dá título à reflexão do Alexandre de Salis. Não dá para pressar. Não dá.

Você precisa de sáfras e sáfras consecutivas de um comportamento íntegro resistindo sempre aquela tentação de pegar um atalho. Mas, para demolir essa estrutura gigante, basta um segundo. Basta uma... pequena incoherência pontual.

E o argumento mais agudo aqui é que a confiança quase nunca desmorona por causa de uma fraude gigantesca daquelas nível polícia federal que sai na capa do jornal, sabe? Haramente é algo tão cinematográfico assim, né? É muito raro. A destruição real da confiança costuma ser micro scópica.

É a tal da morte por mil cortes. No texto do decantando ideias número 40, o Alexandre de Salis usa uma imagem que eu achei impecável para ilustrar essas pequenas e silenciosas incoherências que vão comendo a credibilidade de dentro para fora. É a imagem da rola contaminada. É brilhante essa analogia.

Imagina cena, tipo uma garrafa de um vinho absolutamente excepcional. Ele passou uns 10 anos lá na dega, escurinho, com a temperatura e a umidade super controlada, só esperando aquele momento perfeito para se aberto. O cenário ideal. Sim, só que a rola tem um defeito minúsculo.

Às vezes é um fungo que a gente nem vê ao olho nú, ou uma microfissura que deixou passar a acelar uma gota de oxigênio a mais, aquele defeito invisível, aquele leve toque de vinagre contaminam o líquido inteiro. Acabou? A tassa toda está estragada. E o mais doido é que o TCA, que é esse composto químico que estraga o vinho na rola, ele não muda a cor do vinho.

Olha, não sabia disso. É. Se você olhar na tassa, o vinho parece perfeito. O defeito só grita quando chega no nariz.

Na gestão de negócios, essa contaminação também não aparece logo de cara no balanço financeiro, entende? Mas ela distrói o ambiente. E o Alexandre de Sales listam os exemplos que, olha, chegam a doeditão reais na vida corporativa. E a gente vê isso todo dia?

Todo o Santo dia. Imagina aquele líder supercarismático que adora fazer palestras emocionadas falando sobre a importância vital de ter transparência, de ter uma cultura onde a mano tisse a circular rápido. O rei do palco. O rei do palco.

Mas aí chega o fechamento do trimestre. A meta não foi batida. E o que ele faz? Ele vai lá e pressiona a controladoria para dar uma maquiada numa métrica.

Ou esconde um dado arruindo o conselho para conseguir salvar o próprio bonos. Nossa clássico. Ou uma manipulação. Naquele exato segundo, todo aquele discurso lindo de transparência foi contaminado pelo fungo da hipocrisia.

Virou vinagre. É, olha, tem um outro exemplo que eu acho ainda mais visceral, porque mexe com algo muito profundo no ser humano que é o nosso senso de justiça. Que é quando o executivo convoca a empresa inteira para anunciar um período de austeridade severa. E se dói demais?

dói. Porque o discurso é sempre aquele padrão, né? Gente, precisamos apertar os cintos, o mercado está péssimo, eu conto com o sacrifício de todos nós. Aí, beleza.

Corta um cafésinho, congelam as contratações, suspendem todo e qualquer treinamento. Mas nessa mesma semana, esse líder bonitão vai lá e abre uma pequena exceção luxuosa para si mesmo. Sempre tem. Serve para nada.

Ou ele, os diretores aprovam um bom nos gordo para eles mesmos, usando uma justificativa super obscura que o resto da empresa nem entende. E a biologia, a nossa antropologia, explica por que isso causa tanta repulsa na gente. Sabe, nos grupos humanos mais primitivos, sobreviver dependendo do sacrifício de todo mundo junto. Todo mundo no mesmo barco.

Exato. Se a tribo passava fome, o líder da tribo tinha que passar fome junto para manter o respeito e a legitimidade. Então, quando um executivo quebra esse contrato invisível, a revolta da galera não é pelo preço da passagem de avião, entende? É pelo pacto moral.

A revolta é 100% sobre a quebra desse pacto. Ninguém vai chamar polícia. Não é crime, mas acabou o respeito. E o Alexandre de Salis menciona ainda um terceiro caso que, se a gente pensar em estratégia de longo prazo, talvez seja o pior de todos para a inovação.

Qual? O da proteção. Esse mesmo. O gestor que bate no peito para prometer proteção para o time, aquele cara que fala, turma, podem arriscar.

Sejam usados. Se der radeolgar, tanto as costas de vocês. Nossa, esse é terrível. É terrível.

Porque na primeira grande crise que estora, ou na primeira cobrança feia que desce da diretoria, esse cara recua na hora e joga a equipe inteira na fogueira para salvar o próprio pescoço. Isso estereliza o solo da empresa. Não cresce mais nada ali. Destrói qualquer pingo de vontade de ser ou usado naquela equipe.

Porque a partir daí, um mecanismo de defesa psicológico dispara na hora. Se a equipe percebe que foi jogada aos leões, o pessoal passa a jogar só na... É tranca. Ninguém mais vai dar um passo sequer fora da descrição do cargo.

Muito menos propor uma ideia nova que tenha qualquer chance de falhar. O aroma de segurança evapora na mesma hora. E evapora mesmo. E cair entre nós depois que essa contaminação estrutural acontece.

No adiantanado é RHA e lá é colocar pufe colorido na sala, ou colocar uma mesa de ping pong bonitinha, o liberar a bermuda na sexta-feira. Um só vanada. O dano é na fundação do prédio. A confiança secou de vez.

E o pior é o que acontece logo depois dessa seca, sabe? Porque a reação instintiva do mundo corporativo hoje costuma ser um desastre completo. A gente vive na era da velocidade. O tempo é o inimigo mortal das empresas.

Então, quando um escândalo desses estoura, ou quando a confiança de uma equipe inteira despedaçada, o instinto primário do líder é querer concertar o estrago na mesma velocidade que um WhatsApp chega. Achar o atalho rápido. Isso. Achar um rake de gestão que faça o tempo voltar e limpia a ficha do cara num piscar de olhos.

E aí que a gente chega numa das imagens que é o mais meia nesse nosso encontro de hoje. A metáfora de que gente não se cozinha um barolo. Vamos entender a mecânica genial disso aqui, porque a precisão dessa analogia do Alexandre de Salis é fantástica. Para quem não sabe, o barolo é um vinho da região do Piemonte lá no Itália, que é reverenciado no mundo todo por ser extremamente complexo, muito estruturado.

Só que o lance dele é o seguinte. Quando o barolo é jovem, os taninos deles são muito duros, agressivos demais. Ele quase amarra a boca, né? Sim, amarra muito.

Então ele precisa obrigatoriamente, de anos, às vezes até décadas, envelhecendo lentamente no escuro da garrafa para que esses compostos químicos amoleçam e o vinho enfim revele toda aquela genialidade dele. E a provocação do texto é um absurdo intencional super inteligente. Ele diz, imagina alguém pegando uma garrafa de barolo que acabou de ser engarrafada e colocando ela dentro de um forno na temperatura máxima, rezando para o calor intenso acelerar o processo de 10 anos em 10 minutos. É um crime, né?

É um crime a química diz na hora o que vai acontecer. O calor não amadurece os taninos, ele é apenas cozinho líquido e de destrói tudo que daria sabor para o vinho. E aí eu te pergunto, como que a gente enxerga no nosso dia a dia, essas lideranças e empresas cozinhando a própria confiança na tentativa de concertar tudo rápido. Olha, isso acontece demais, principalmente hoje, na era das crises estorando no Twitter.

Quando o gestor percebe que a credibilidade dele com a equipe foi pro Halo, ou quando uma marca trai feio a confiança do cliente, a reação é entrar num modo de super compensação totalmente artificial. Fica forçado, né? Fica ridículo de tão forçado. O líder tenta compensar aquela quebra do pacto moral com o zelo que beira o acédio.

Do nada que ele chefe que mentiu sobre os dados passa a mandar e meio às três amanhã só para provar que está trabalhando desesperadamente. Para mostrar serviço. Isso. Ou se ou que cortou os benefícios de todo mundo injustamente, de repente começa a fazer promessas faraónicas.

Que li a três comitez de ética da noite pro dia, contrato uma constoria que custa milhões para fazer um plano de ação gigantesco e bota todo mundo em reunião de área de alinhamento. É a famoso turno de desculpas ensaiadas, o espetáculo da redenção. Exato, o turno de desculpas. Só que essa intensidade toda, essa energia super artificial, é literalmente o vinho dentro do forno ligado.

Isso não constrói confiança de jeito nenhum. Pelo contrário, isso só gera ainda mais sinismo. Porque a equipe que está do outro lado, a equipe que sofreu a traição lá atrás, sente de longe o cheiro do exagero. O faro não engana.

Não engana. O nosso estinto percebe que aquilo não é orgânico. A coerência de verdade não tem pressa, e, acima de tudo, não precisa de uma plateia batendo palma pra existir. Quando o gestor tenta acelerar a cura de uma falha moral com esses gestos imensos e discursos dramáticos, ele só está dizendo pra todo mundo que ele está preocupado com a própria imagem.

Sabe, com a angústia dele de não ser mais o chefe legal, em vez de estar realmente focado em concertar a relação. O foco no fim continua sendo 100% o próprio ego. Entendi. Então, vamos descer isso pra realidade dura do dia a dia, da operação.

Se não dá pra enfiar a governança no microondas e se só engetadinha de marketing não resolve o buraco negro da confiança, qual é o mapa da reconstrução, segundo que a gente... está lendo no texto do Alexandre de Salis. Porque uma coisa a gente tem que concordar. Errar faz parte.

Total, não existe empresa em Mune. Decisões estratégicas dão errado, líderes, mesmos bons, escorregam quando estão sob muita pressão, empresas inteiras tropeçam o feio. Se a confiança quebra, o que a empresa faz? Pede falência moral, fecha as portas e vai todo mundo para casa?

De jeito nenhum. A confiança pode sim ser restaurada, mas o pedaço para isso olha é caríssimo. O caminho que o Alexandre de Salis aponta exige um exercício de disciplina e de humildade que é quase agonizante. Ele chama de servir tassas pequenas e impecáveis por um longo e super silencioso período.

E impecáveis? E como a gente traduz isso para o dia a dia? Na prática, isso significa que o líder ou o conselho da empresa precisa aceitar antes de mais nada que o crédito moral evaporou. O saldo no banco da confiança não está no zero a zero.

Ele está muito negativo. E é exatamente por causa disso que a partir daquele momento, a liderança vai ser julgada por um tribunal muito mais implacável. Qualquer exitaçãozinha, qualquer falha boba na comunicação vai ser imediatamente lida como. Está vendo?

Eles não mudaram nada. Era tudo discurso falso. Engoliu orgulho e aceitar que a regua subiu para um nível quase injusto, né? Porque pensa bem, se no passado antes da crise estourar, atrasar 15 minutos num relatório era só um empre visto normal de escritório.

Agora, depois que a confiança quebrou, esse mesmo atraso de 15 minutinhos vira a prova irrefutável de que o cara não tem caráter e não está comprometido. O famoso benefício da dúvida é ele simplesmente deixa de existir. Exatamente por isso que a reconstrução doitanto. A confiança que foi por espaço não é sobre justiça.

O líder errou, confessou, pediu disculpas públicas e aí ele achou um absurdo continuar sendo cobrado e fiscalizado um ano depois. Ele pensa, poxa, eu já me retratei. É, ele se sente injustiçado. Mas conta que não é sobre justiça, sobre segurança psicológica.

O sistema imunológico da equipe ou do mercado foi ativado contra aquele líder. E a sensação de segurança não volta com uma festinha no fim de semana ou com o e-mail longo cheio de palavras bonitas. Não tem atalho. Não tem.

A segurança só retorna de vagarzinho. Na repetição exaustiva de ser coerente naquelas coisas micro-invisíveis de todo dia. É integral que você prometeu na segunda e de novo na terça e também na quarta. É repetir o acerto, servindo as tais tassas pequenas e impecáveis, sem pedir confete de ninguém.

Até o momento em que as pessoas meio que por osmosis mesmo voltam a esperar o bom aroma quando aquele líder chega perto. Você está construindo um histórico do zero absoluto, te jolo por te jolo, e detalhe, sem os acimento de secagem rápida. E aí a gente volta para aquela consistência, que no começo eu falei que parecia chata, né? A virtude essencial de ser previsivelmente correto.

Até que aquele erro feio seja soterrado por uma montanha de bons exemplos diários. O que eu acho que traz a gente de um jeito muito fluido para síntese de tudo isso, para verdadeira decantação das ideias do Alexandre de Salis hoje. Olhando o cenário todo de cima, a conclusão mais cristalina que fica, é que a confiança não é feita só porque as páginas do calendário viraram. O tempo absoluto não levanta nenhuma parede sozinho, o que constrói a confiança de verdade é a coerencia repetida consistentemente ao longo do tempo.

O segredo não está no relógio, o segredo está no padrão. Perfeito. O papel do tempo na equação da governança é basicamente de um revelador. Sabe a passagem dos anos não enfraquece o que tem estrutura de verdade?

Pelo contrário, quando as tempestades econômicas batem, elas só mostram para todo mundo o consólido àquela fundação estava desde o começo. Mas ao mesmo tempo, o tempo é impiedoso para desmascarar as empresas que só viviam de vernis de papufurado. É por isso que comparar a governança com o tempo de guarda dos bons vinhos faz tanto sentido. E é justamente aí que entra aquela separação de águas para quem senta na cadeira de decisão.

A diferença estrutural, quase brutal, entre o que é fruta e o que é estrutura. A gente precisa limpar a mente para conseguir enxergar o que é que só brilha agora que tem aquele sabor doce logo no primeiro gole, mas que a podresse rapidinho. Tipo aquele bonus cassa aqui. de curtíssimo prazo, ou a campanha de marketing só para gerar burburinho nas redes, ou adotar uma inteligência artificial só para colocar no relíze de imprensa e impressionar investidor.

Fogo de palha, né? É, separar isso daquilo que é meticulosamente desenhado para cruzar as décadas intacto, porque governança de verdade cultura é ética, a vida na pele, integridade real da liderança, trata bem a cadeia de fornecedores, isso tudo é estrutura. Se a gente quer construir legado, o mercado de fato pede menos barulho, menos promessa vazia em palco e exigir muito mais nitidez e respeito ao ritmo das coisas amadurecerem. Isso pede uma mudança de modelo mental muito violenta, né?

Significa parar de tratar governança corporativa e o complanço da empresa como se fosse um puxadinho, um centro de custo chato que só serve pra evitar processa trabalhista. É passar enxergar isso com uma única polícia de seguro que garante que a empresa vai estar viva lá na frente, é aceitar de forma madura que aquela coerencia que é tinha longe dos likes do link edim é o ativo mais subvalorizado, mas ao mesmo tempo mais forte que uma empresa pode ter. Agora, olha essa conclusão toda, deixa uma porta meio perigosa aberta na minha cabeça, porque se a governância e a confiança exigem, sem choro nem vela, esse longo tempo de guarda, e se a gente passou os últimos minutos entendendo que previsibilidade não pode em hipótese alguma ser apressada no microondas corporativo, isso joga uma sombra gigantesca sobre como economia de hoje funciona. Porque o que acontece afinal quando a empresa é pressionada por investidores que tão com muita pressa, tenta forçar o próprio crescimento a qualquer custo, ignorando todos os painéis e o que a própria cultura aguenta.

Nossa, você tocou num ponto sensível demais agora. Esse é, sem dúvida, o próximo abismo na teoria de gestão, porque veja bem, se a pressa já é a grande inimiga da confiança, quando você junta essa pressa com o crescimento totalmente cego, você tem nas mãos uma arma de destruição em massa para o negócio. Quando a gente entra nesse território de não medir os viscos do custo invisível desse crescimento acelerado, as consequências são assustadoras. É o líder que decola a avião da empresa, mas se recusa a olhar para o panel de controle, e o buraco, nesse caso, não é só financeiro, é existencial.

É, o avião cai, não tem jeito. E é exatamente sobre esse voo, as segas, sobre os perigos absurdos dessa pressa sistêmica, desse peso invisível de crescer ignorando seu terreno aguenta que a gente vai mergulhar no nosso próximo encontro. A reflexão, igual a boa governança, não acaba, né? Uma só ganha mais camadas.

Vai ser um debate incrível. Mas antes da gente se despedir desse mergulho profundo nas ideias de hoje, eu quero deixar uma provocação no ar. Uma coisa que a gente não abordou ainda, mas que ficou martelando aqui. A pergunta é, se a confiança exige inevitávelmente esse longo tempo de guarda, como é que ficam as startups?

Porque elas já nascem com o relógio contando regressivamente, elas precisam provar que são boas para o mundo e pros fundos de investimento antes que o dinheiro acabem poucos meses. Como é que essas empresas constroem um patrimônio de credibilidade sem tentar cozinhar o processo no microondas? Como é que você equilíbra o pânico de sobreviver no fim do mês com o tempo orgânico que a confiança humana exige? Olha, esse é um paradoxo que separa os adultos das crianças no mercado.

Exige uma maturidade estratégica brutal para resolver. E para quem quer continuar decantando essa ideia e outras milhares de provocações fantásticas sobre liderança, governança e sobre como criar negócios que duram de verdade, eu reforço muito convite para assinar em acompanhar em a coluna decantando ideias do Alexandre de Sales. O endereço é decantar ponto Alexandre de Sales.com.br. Lás reflexões continuam respirando na taça e revelando notas novas a cada leitura.

É isso mesmo, um brinde de acuerencia e ao tempo das coisas. Muito obrigada pela companhia maravilhosa de vocês em mais esse mergulho profundo. Foi um excelente momento de reflexão e a gente se vê no nosso próximo encontro. Até lá!