ESG na Indústria do Vinho
Pósgraduação unicinos. Olá pessoal, eu sou o professor Vitor Greenberg e estamos começando agora o nosso podcast desafios da implantação da agenda ESG, dos aprofundamentos da temática o futuro do ESG na nossa disciplina ESG na indústria do vinho. Hoje temos a grande oportunidade de conversar com ela, a advogada Denise Vital e Silva, colaboradora de projetos de gestão pública em nível nacional, a doutora Denise é advogada consolidada no cenário jurídico brasileiro, tem pósdoutorado em direito do trabalho e da Seguridade Social pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo e em novas tecnologias e direito pela Mediterrânea International Center for Human Rights Research Deredio da Calábria, a ITA é doutora e mestre em direito político e econômico pela Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Marqueenzie, é pósgraduada em direito contratual pela PUC São Paulo e é especialista em ESG pela Fundação Getúlio Vargas. A doutora Denise tem 1 vasta participação na vida acadêmica já colaborou com diversas universidades é autora de obras como regimes internacionais e políticas públicas de prevenção e combate das discriminações no trabalho no Brasil e artigos científicos a nível nacional e internacional. Doutora Denise, muito obrigada pela sua participação aqui conosco hoje.
Speaker 2:Obrigada professor Vitor, eu que agradeço sempre o convite, é privilégio.
Speaker 1:Doutora Denise, pelo lado legal, quais são os desafios principais que as empresas enfrentam ao tentar implementar práticas ESG em suas operações? Você tem algum exemplo prático pra dividir com a gente sobre essa abordagem?
Speaker 2:Os desafios legais, ambiental, é o que falta em leis, né, mas são leis que carecem de 1 interpretação mais minuciosa, faltam também ainda no mercado dados confiáveis e comparáveis né, de implantação de práticas ESG, já comentamos aqui a respeito do grupo roncador, é grupo referência né, e eles passaram por essas dificuldades, na coleta de dados né, e o estabelecimento de métricas de desempenho porque como não temos ainda comparativos consolidados no mercado de atuação fica pouco difícil. Então há a necessidade de garantir né a conformidade da prática com as regulamentações e as normas regulamentações e as normas legais que estão em constante evolução. Esse é dos maiores desafios que nós percebemos em nível legal.
Speaker 1:Olhando pro ambiente regulatório, como as diferenças culturais culturais e legais entre países podem ou facilitar ou prejudicar a adoção da agenda ESG por empresas multinacionais? Eu acho que 1 das coisas que reforçam essa ideia é o próprio momento político internacional que a gente tem vivido, né? Certos temas ligados à agenda ESG têm se tornado alvo de certos países né de dentro da sua política externa. Então as empresas elas têm adotado agendas múltiplas. Como que você olha isso versus o ambiente regulatório consolidado no Brasil?
Speaker 2:É 1 necessidade essa adoção esse olhar diferenciado de fato, é a cultura ESG se nós podemos falar dessa forma né, ela é modelo de governança que leva em consideração questões socioambientais e evidentemente de base econômica, então as empresas precisam adotar essa cultura, mundialmente já conhecida, que valoriza a diversidade, que promove práticas sustentáveis, que busca reduzir custos né? Exemplo que nós temos aqui que nós traçamos comparativo forte né com o Brasil, é o exemplo seguido no Chile, é a despeito das dimensões geográficas que nós temos, mas é é exemplo a ser seguido, gerenciamento de resíduos, é tudo o que a gente precisa adotar, talvez mais com perfil professor Vitor, olhar, mais pra aquilo que a União Europeia tem praticado do que propriamente os Estados Unidos né, que é momento bastante importante, recomendo hoje fortemente que nós não façamos, né? Que nós mudemos pouco aí esse olhar e prestemos mais atenção naquilo que a Europa vem nos ensinando aonde essa prática ESG é de fato dominante.
Speaker 1:Dos aspectos que a gente talvez comente menos sobre o ESG é o referente à própria sigla do g que é de governança. Você pode contar pra gente sobre o papel da governança corporativa na implantação de 1 agenda ESG eficaz pras empresas? Como que ela se relaciona com essas verticais fundamentais de transparência e responsabilidade? Porque eu acho que a gente tem criado mais métricas corporativas que valaram 1 boa agenda de governança 1 boa agenda ESG, mas como que ela efetivamente se congrega ali em algo positivo pra empresa e que reflete o trabalho que precisa ser feito?
Speaker 2:É na verdade professor assim, governança corporativa ela é a base das iniciativas ESG, ela é fundamental pro sucesso dos negócios, pra aquelas empresas, pra aqueles investidores, pra aqueles que querem implantar efetivamente essa agenda porque é ela que vai garantir a transparência nos processos administrativos, né, é a governança corporativa que gera confiança em todos os chamados e que atrai portanto, investidores, e ela evita também conflitos e escândalos nas mídias, né? Então assim Então assim, pra ajudar a promover ambiente efetivo, de confiança, fortalecer a reputação da empresa, é necessário que nós tenhamos essa governança corporativa eficaz. Como que a gente faz isso? Construir dentro da cultura da empresa, ou talvez modificar 1 cultura organizacional, que valorize transparência e prestação de contas. A gente precisa saber colocar coisas por escrito, né, não necessariamente no papel, dado o mundo digital, né, não necessariamente no papel dado o mundo digital e os problemas que nós temos nesse setor, mas assim, colocar as coisas por expresso, criar códigos de condutas, né, ter problemas de, relatórios de desempenho regulares, né ter esse tipo diferencial, agir na verdade conforme a lei conforme os regulamentos, controlar os riscos na verdade relacionados a toda 1 cadeia produtiva e defender acima de tudo a ética empresarial.
Speaker 2:Eu acho que isso falta muito nesse nosso mundo contemporâneo.
Speaker 1:De certa forma as pessoas acham que o ambiente regulatório do Brasil ele é muito mais regulado do que outros ambientes, né outros países. Como que você enxerga isso no no que toca essa conjunção dos pontos que a gente vem discutindo sobre o ESG? Você trouxe a União Europeia com bom exemplo pra gente observar, mas fazendo essas comparações você acha que o nosso ambiente, ele é ambiente em que o governo tem 1 preponderância maior, ambiente regulatório de fato mais acirrado do que outros ou de fato o Brasil ele só está tentando formalizar né e ter esses indicadores e ter essas práticas mais bem reguladas a partir desses princípios que você tem didaticamente elencado pra gente.
Speaker 2:Eu acredito professor Vitor que nós temos muitas normas aptas a serem implantadas. Talvez a parte prática, né falte entender pouco que princípio de sustentabilidade ele precisa ser concretizado, então ele não pode ficar aí num plano de ideias, né? Nós temos normas, nós temos referenciais, as práticas anticorrupção, a gestão de riscos, a transparência financeira, nós temos normas que conseguem cumprir, né, nós temos esses indicadores, relatórios, nós temos acesso às certificações, os aos índices de sustentabilidade, mas acredito que falte melhor direcionamento se nós podemos dizer dessa forma, né então assim, não faltam normas mas talvez efetividade de normas. Então no campo regulatório, a gente tem como implantar, a gente tem como ter 1, estrutura 1 diversidade de conselhos, a gente tem como saber quais são os direitos dos acionistas, quais são os relatórios de finanças mais modernos, mundialmente falando, talvez nos falte ainda pouco ferramentas e plataformas que ajudem a coletar, analisar e gerar relatórios do ESG, falta eu acho que colocar isso na cultura empresarial brasileira. Essa é a é a grande dificuldade.
Speaker 1:Como você acha que as empresas elas conseguem medir o sucesso das iniciativas IS G e comunicar esses resultados, de forma eficaz pra esses stakeholders que você vem elencando? Parte passa pelas certificações, parte passa pela publicidade dada isso, mas dos embates que a gente tem discutido nessa disciplina e até com outros convidados, é como que você evita que isso recaia em conceitos de, só aquelas práticas mais banais de es G né que estão ligadas a 1 ação marqueteira. Né como que isso pode de fato gerar valor agregado pra empresa e que, enfim é bemsucedido e ao mesmo tempo traduz algo positivo pros envolvidos?
Speaker 2:É acredito que seja a contratação de bons profissionais da área, né que nós já temos aqui não só, puxando pouco obviamente né pra área jurídica, os bons escritórios de advocacia que já lidam com essas práticas ESG, mas também buscar por agências especializadas isso é fundamental, né que são agências que podem calcular, nos tempos atuais, alguns parâmetros ESG. Buscar também, fazer relatórios ESG, ter lá as planilhas de monitoramento, né que fornecem 1 visualização clara dos dados em tempo real, né saber mais ou menos quais são as certificações mais modernas, quais são os índices de sustentabilidade, né e colocar a empresa principalmente se for, né não só a gente costuma falar em s a's né, em sociedades anônimas grandes empresas com as estruturas efetivamente empresariais, mas também pra aquele que está começando com 1 pequena empresa até propriamente agente econômico. Olhar os índices que estão disponíveis, né estão aí pra consulta de todos, os índices da bolsa de valores, né, por exemplo índice de sustentabilidade empresarial, ver o que que essas outras empresas fazem nesse sentido, e deixar tudo documentado. Transparência é fundamental inclusive pra gente saber como é que a empresa está se desenvolvendo e como é que ela está efetivamente adquirindo bons resultados nesse setor.
Speaker 2:Porque enquanto isso não for visualizado, AAA prática econômica né os resultados econômicos lucrativos não vierem, fica muito difícil da gente introduzir isso no pensamento, na cultura de 1 empresa. Então, o que nos falta é esse monitoramento. Isso é possível de ser feito e traz 1 visualização bastante transparente, né, daquilo que é, traz resultado financeiro bastante positivo pra empresa, principalmente no setor de imagem né professor Vitor? O que que a empresa passa a transmitir também pra aquelas pessoas com as quais ela se relaciona seus fornecedores, né os seus clientes, eventualmente seus consumidores finais. Então assim a imagem da empresa boa reputação, também é bom parâmetro pra saber quais são os retornos financeiros que essa empresa já tem e terá mais futuramente.
Speaker 1:Pegando gancho nessa pontuação, você falou pouco sobre esses índices de sustentabilidade que tem ganhado o espaço das bolsas de valores, você poderia comentar pouquinho sobre esse essas certificações reconhecimento, se eles seguem padrões internacionais, se eles têm ganhado mais espaço, porque esse é dos pontos de curiosidade mas que parecem que são só interessantes pra empresas muito grandes, que já têm essas estruturas é muito consolidadas e muito bem trabalhadas né com que isso pode impactar essas visões e discussões de ESG
Speaker 2:é professor Vitor então a gente tem mesmo essa essa impressão né que isso só é aplicável para as grandes empresas até porque os maiores referenciais né quando a gente se depara com relatório global por exemplo de sustentabilidade, eles vêm mesmo dirigidos a essas grandes empresas, mas existem aqui no Brasil algumas agências que fazem relatórios de fundos de investimento sustentável, e que giram de acordo na verdade, com a associação, vou citar 1 delas tá, que é a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais, e que traz referenciais muito positivos também pra empresas de médio e pequeno porte. Então assim, é buscar na verdade, dentro da atuação da empresa, fazer 1 pesquisa dessas agências e buscar então aquelas que mais atendem às necessidades. Elas existem pra todos os tipos de empresas. Então assim, depende de buscar essas agências reguladoras dentro da necessidade da empresa. Conselho é sempre assim, buscar obviamente os órgãos oficiais, não só da nossa bolsa de valores, mas quais são os indicativos também dentro da ONU, e o que vem relacionado ao Brasil na prática efetiva das ODSs.
Speaker 2:Ali, a gente já consegue também achar direcionamento dessas agências, dessas empresas reguladoras, que trazem aquilo que talvez a empresa necessite pra implementar a sua agenda ESG. Então é verificar a necessidade, não só da empresa, mas qual cliente ela quer atingir, né? A regulamentação, ela existe em vários setores, então buscar realmente sempre a essas entidades oficiais que elas dão o indicativo de quais agências reguladoras e com 1 regulamentação própria portanto podem ajudar a desenvolver o negócio.
Speaker 1:E pra finalizar a nossa primeira parte de conversa, quais dicas que você daria pra empresas que estão apenas começando a sua jornada em direção à sustentabilidade e à responsabilidade social?
Speaker 2:Acho assim de pronto né pela experiência, mudar mesmo saber que a finalidade de tudo é 1 alteração de cultura corporativa que abrace efetivamente as siglas ESG, que essas siglas elas precisam andar em conjunto mas elas podem ser resolvidas etapa a etapa. Talvez o que não se possa deixar de lado, ou por segundo momento, é a própria governança corporativa, mas as questões ambientais e sociais, elas podem ir sendo cumpridas por metas. Então assim estabelecer metas, ter 1 estratégia clara de engajamento de todos dentro da empresa pra depois atingir investidores. Então primeiro, priorizar esse tema de liderança, incluir os colaboradores, os prestadores de serviços, os terceirizados, a população local, e ver o que pode trazer ou não né, o que que a atividade da empresa pode trazer ou não de benefício. Num primeiro momento, há a sociedade civil que cerca essa empresa, né, e colocar isso num num plano, numa medição, em relatórios, né?
Speaker 2:Então, estabelecer mesmo custo também de implementação, mesmo que a empresa seja de pequeno porte, 1 gestão de cadeia de suplementos e de suprimentos, né, e tentar equilibrar essa urgência que nós temos na adoção das práticas ISG, com as limitações orçamentárias e operacionais que são efetivas no nosso país, né? A partir daí eu acho
Speaker 1:que a gente tem a tendência a ter bons resultados. Se tivesse que resumir tudo, é numa expressão, saber que vai mudar a cultura, a mudança cultural é fundamental. Eu acho que ficou 1 baita baita de resumo perfeito aqui pra gente fechar essa primeira parte da nossa discussão. Queria te agradecer e convidar pra ficar mais pouco com a gente. Vamos continuar a discussão no nosso último podcast para pensarmos juntos sobre as oportunidades da implantação da agenda ESG.
Speaker 1:Então você que já viu a nossa videoaula sobre o que não é ESG e leu a parte correspondente do da web leitura já vai pro nosso próximo podcast e se você ainda não fez isso corre lá e volta pra mais 1 conversa com a professora e advogada Denise Vital até mais. Pósgraduação unicinos.