Aventuras em Sonholândia 🌙 Histórias para Dormir

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Você vai flutuar até a Terra do Golf dos Sonhos, onde um campo sereno se estende como uma catedral de árvores e gramados de veludo, guiado por Albie — um caddie gentil que lembra que o importante não é vencer, mas perceber. Cada buraco revela maravilhas surreais — carrinhos de Golfo que voam, cisnes em lagos iluminados pela lua, bosques encantadores que sussurram segredos e fairways que vibram com uma magia silenciosa. Pelo caminho, você refletirá sobre paciência, humildade e a arte de prestar atenção — lições que vão muito além do jogo e tocam a própria vida. Esta história para dormir é perfeita para dissolver o estresse, acalmar os pensamentos e embalar você em um sono profundo e restaurador, envolto na serenidade dourada do entardecer. 🔭 Explore todas as nossas séries — ✨ Paisagens de Sonho, 🏡 Beleza Silenciosa, 🧠 Intenção Noturna, 🐜 Maravilhas de Sonho, 📚 Estudos Noturnos, e 🎭 Paródias de Sonho — no YouTube 💤 @HistóriasParaDormir-Z

O que é Aventuras em Sonholândia 🌙 Histórias para Dormir?

Histórias imersivas em primeira pessoa para te ajudar a dormir. Cada história combina curiosidade, calor humano e um toque de humor — de piratas reais e física quântica a paisagens de sonho onde tudo é possível. Acalme sua mente, desperte a maravilha, e deixe-se levar.

O Convite para o Golfe é o episódio 11 — e o terceiro da série Paisagens de Sonho, onde apreciamos lugares belos, estranhos e surreais.
Você já está sonhando.

“Certo. Então, ou eu adormeci durante uma reunião de negócios… ou fui sequestrado por um culto de golfe muito educado.”

Em algum ponto entre o balanço do sono e o silêncio do crepúsculo, você se encontra acomodado no banco do passageiro de um carrinho de golfe silencioso. O vinil está fresco contra o seu braço, mas há uma toalha dobrada sobre o seu colo, morna do sol. Seus dedos descansam sobre ela, o corpo inteiro em paz. Uma brisa suave toca o seu rosto.

O campo está vazio. Silencioso de um jeito sagrado — como uma catedral feita de árvores e capim alto. Um raio de sol baixo transforma tudo em ouro.

O carrinho ganha vida ao seu lado. Um homem de olhar gentil e com o nariz levemente queimado de sol lhe faz um aceno do banco do motorista.

“Me chamo Albie”, ele diz, como se vocês se conhecessem há anos. “Vou ser o seu caddie hoje. Mas não vamos contar pontos.”

Você olha à frente. O campo parece brilhar nas bordas, meio real, meio luz.

Ele apoia os braços no volante, com um brilho divertido na voz.

“Hoje, não jogamos pra vencer. Jogamos pra reparar.”

Ele dá leves toques no volante, e o carrinho começa a se mover — devagar, como um suspiro.

Você faz que sim com a cabeça, meio convencido de que está em um retiro de meditação disfarçado de clube de campo.

O som das rodas ecoa suavemente sob você, enquanto se deixa levar pelo primeiro fairway do encantamento.

O carrinho desliza tranquilo pelo caminho, pneus tique-taqueando sobre as pedras. Um par de pássaros levanta voo de um arbusto próximo, asas como leques de papel na luz. Você vira a cabeça bem quando o caminho se abre para o vasto gramado verde.

Ali, o campo se desenrola como uma fita de cashmere — colinas suaves, pequenas ondulações, e sombras de árvores que se esticam como gigantes sonolentos. O gramado é tão perfeitamente aparado que quase reluz, cada lâmina de grama ereta, em atenção.

Albie desliga o motor.

“Gosto dessa parte”, ele diz. “Bem antes da primeira tacada. Só caminhar. Só pés na grama.”

Você sai do carrinho com ele. As solas dos sapatos pressionam a terra — pequenas covinhas limpas ficam para trás a cada passo. Elas somem logo, como sussurros.

Ao longe, uma bandeira tremula.

Você ouve: o ranger das árvores, o som distante de um aspersor, o roçar suave das solas no gramado. Cada som é delicado, como se estivesse coberto por um cobertor.

Albie caminha à frente e aponta para um bosque de árvores altas. “É ali que o campo fica tímido”, ele sorri. “Fica quieto. Fica bonito.”

Uma brisa passa — fresca e seca. Não fria. Só o bastante pra agir como protetor solar, sem a parte pegajosa. Você respira fundo.

O carrinho espera atrás de vocês, zumbindo em silêncio. Mas aqui, por enquanto, vocês caminham. Sem pressa.

Vocês chegam à beira do fairway — macia, levemente úmida, beijada pelo orvalho. À distância, a bandeira acena suavemente, como se chamasse. Entre vocês e ela, uma longa faixa verde se estende até o horizonte, ladeada por árvores douradas que farfalham como um aplauso educado.

Albie coloca a bola no chão com reverência, depois se afasta, escovando farelos invisíveis do colete.

“Não pensa demais”, ele diz com um sorriso de canto. “O green já está torcendo por você.”

Você ajusta a postura, os dedos se curvando no couro macio da luva. O taco repousa na palma como um velho amigo — firme, certo, perfeitamente equilibrado. Tão natural quanto respirar, você abre e fecha a mão, sentindo o encaixe exato do punho. Você e o taco se tornam um só. Cada curva, cada ângulo, compreendidos sem pensar.

Você balança.

O mundo prende a respiração.

O som do impacto é limpo, suave — quase como o toque de um sino em câmera lenta. A bola sobe com graça, descreve um arco no céu e começa a descer em direção ao campo distante. Não pousa no green — ainda não. Em vez disso, toca levemente o gramado adiante, rolando alguns passos elegantes antes de parar num feixe de luz.

Albie assobia, baixinho. “Bela tacada.”

Você sorri — não pela jogada, mas pela leveza de não se importar tanto.

Quando faz sua primeira tacada, um pequeno naco de grama salta do chão… e uma única flor violeta desabrocha no espaço deixado pela terra exposta.

“Hm”, diz Albie. “Ela está de bom humor hoje.”

Você não tem certeza de quem é “ela”, mas concorda com a cabeça mesmo assim.

O carrinho de golfe ganha vida — mas, em vez de deslizar suavemente sobre a grama, ele sobe. Devagar no início… depois mais alto… mais alto ainda. Você segura nas barras pretas e lisas de apoio, o coração acelerando — não de medo, mas de alegria.
Você está voando.
Não rápido. Não barulhento. Apenas… flutuando.

Lá embaixo, o campo de golfe vira um sonho em movimento — os fairways curvam-se como pinceladas, os bunkers brilham como açúcar derramado. A brisa envolve você como seda, fresca e viva, trazendo aromas de pinho e um toque cítrico, doce e sutil.

Albie se recosta no assento, mãos atrás da cabeça. “Nada mal, hein?”, ele comenta piscando um olho. “Tudo isso, e nem precisei dar gorjeta pro carrinho.”

Você ri, os olhos abertos de espanto, enquanto flutua sem esforço pelo céu — rumo à sua bola, à próxima tacada, e à mágica que o espera adiante.

O sol se põe como quem encerra o expediente depois de um longo dia. A natureza realmente sabe fazer um belo final.

A bola pousou um pouco antes do green — aninhada na borda macia, o sol aquecendo suas marquinhas. Albie desce do carrinho com um leve assobio satisfeito.

“Eu costumava ser caddie pro meu pai”, ele conta. “Ele dizia que os greens são os últimos espaços sagrados.”

Ele entrega a você um ferro 9, o punho gasto nos lugares certos. “Esse é pra delicadeza”, diz. “Menos pancada, mais sussurro.”

Você se posiciona, pés firmes, olhos acompanhando a suave inclinação à frente. O movimento é rápido, mas não apressado — e a bola sobe, descreve um arco, e aterrissa com um som macio, rolando… rolando…

Não entra, mas fica ali, bem no palco do espetáculo.

“Boas maneiras,” Albie comenta, aprovando. “Não invadiu. Só se apresentou educadamente ao green.”

Em vez de voltar ao carrinho, vocês começam a caminhar — um passo calmo sobre a grama aparada, os sapatos afundando levemente a cada passada.

“O green é onde mora a poesia,” Albie reflete, as mãos cruzadas atrás das costas. “A maioria acha que o jogo é sobre o drive. Tacadas grandes, músculos grandes, egos grandes. Mas essa parte aqui—” ele toca a têmpora — “é xadrez. É ciência. É arte.”

Você olha ao redor. A grama ali é cortada como veludo. Chorões balançam suavemente ao longe, e mais adiante, um cisne desliza em silêncio sobre um lago imóvel. Há algo familiar nesse cisne.

“Li uma vez,” Albie continua, “que os greens de Augusta são cortados a um oitavo de polegada. Dá pra perder um grão de arroz aqui e nunca mais achar. É esse o nível de delicadeza.”

Ele para na borda e lhe entrega o putter como se fosse Excalibur.

“Sua vez de fazer música.”

Você se posiciona e por um instante pensa em pedir conselho ao cisne. Ajusta o putter, respira fundo, os pés alinhados.

A bola está a poucos passos do buraco — aquele tipo de tacada que parece simples, mas faz as palmas suarem.

Você puxa o taco para trás… toca… e de repente seus sentidos se confundem com os da bola. Você sente cada lâmina perfeita de grama roçando nas pequenas covinhas da superfície. Essa sensação ajuda a empurrá-la… mas ela erra. Você sente o roçar na borda, o redemoinho tentador dentro do buraco… mas não é o bastante. A bola desvia. De volta aos seus próprios sentidos agora.

Albie nem pisca. “O golfe faz isso com a gente,” ele diz. “Ensina paciência. Humildade. E como não jogar os tacos longe quando tem testemunhas.”

Vocês riem juntos.

Ele se aproxima, dá um toque suave na bola com a ponta do sapato, mandando-a de volta pra você.

“Tenta de novo. Desta vez, só… deixa o green fazer o trabalho.”

Você inspira… expira… e toca de novo. A bola rola — mais devagar do que o esperado — acariciando cada lâmina de grama, até cair com um clique suave no copo.

Um instante de silêncio. De satisfação. Albie ergue um chapéu imaginário.

“Quatro é um bom número,” ele diz. “Pra seu primeiro dia na Terra dos Sonhos do Golfe.”

Vocês deixam o green lado a lado, uma brisa leve roçando os ombros. Atrás, um cisne grasna em aprovação.

A bola vibra suavemente em sua mão — como um diapasão tocado com delicadeza.

Você lança um olhar para Albie.

“Ela só está te dizendo pra onde quer ir,” ele explica, como se isso bastasse.

Depois dá de ombros e acrescenta:
“Da próxima vez… escuta com atenção.”

Agora, mais do zumbido — das rodas do carrinho abraçando o caminho do campo.
Seu carrinho para no próximo tee; a grama sob seus sapatos está úmida e elástica, como um pedaço de bolo de mel recém-saído do forno.

Um pequeno sino prateado toca.

Você olha de lado — e lá está ele.
Um garçom. Camisa branca impecável, bandeja de prata na mão.
Você não faz ideia de onde ele surgiu. Ou se isso é normal no golfe. E, se for… por que esperou tanto pra se inscrever?

“Os especiais do dia,” ele anuncia, como se o serviço de mesa fosse a coisa mais natural do mundo ali, “incluem chá de amora-do-bosque, pirulitos de vento com limão e — ah, algo um pouco mais sofisticado — tônica de alecrim com um toque de gim do crepúsculo.”

Você ergue uma sobrancelha.

Ele levanta a tampa da bandeja. Dentro, um copo alto brilha em tons de verde-claro, salpicado de lavanda, com uma única esfera de gelo girando devagar.

Você faz que sim. “Esse.”

Ele entrega o copo como se fosse um objeto sagrado.

A bebida borbulha suavemente em sua mão — fresca, herbal. Nem doce, nem amarga. O tipo de coisa que se bebe devagar, observando o céu não fazer absolutamente nada.

Dizem que caminhoneiros conhecem os melhores lugares pra comer. Mas, sinceramente? Os golfistas dos sonhos podem competir de igual pra igual.

“Aproveite,” ele diz, já desaparecendo entre duas árvores imponentes.

Albie sorri quando você se posiciona no tee.
O caddie ajeita sua gola e comenta: “É assim que o luxo se parece. Mas sem taxa de carrinho.”

Você ri, colocando o copo sobre um pequeno pedestal de pedra. A próxima tacada o espera.

Você se aproxima do sexto tee, sentindo-se equilibrado e calmo.
O gosto da tônica de alecrim ainda dança na língua — firme, sem distrair.

Albie lhe entrega um taco 3 de madeira, com um leve aceno.
“Esse é par cinco,” ele diz, semicerrando os olhos diante da névoa suave à frente. “Fairway bem aberto. Só você e o jogo longo agora.”

Você ajusta a postura. A bola o espera, paciente, sobre o tee. O vento silencia.
Você balança — e o som é limpo, como papel rasgado do jeito mais bonito possível.

A bola sobe.
Alta. Sem esforço.
Como se nunca tivesse considerado cair.

Antes mesmo que você possa admirá-la, o carrinho começa a se mover — só que desta vez, ele não rola.

Ele sobe.

Você segura a barra preta de segurança enquanto o carrinho se eleva — não apenas sobre o caminho, mas acima dele — uns dez metros, talvez mais. A brisa levanta seu cabelo.
Todo o campo se desenrola abaixo em um silêncio de tirar o fôlego.
Verdes ondulados, árvores imponentes como sentinelas, armadilhas de areia que lembram redemoinhos em cobertura de bolo.

Albie se recosta, completamente tranquilo.
“Gentileza deles incluírem um passeio panorâmico,” ele comenta. “Normalmente cobro extra por esse pacote.”

Você ri, o coração leve no peito.

Enquanto voa sobre o fairway, passa por dois cervos pastando logo além da linha das árvores. Um deles levanta a cabeça, indiferente. Afinal, isto é Dreamland.

Eventualmente, o carrinho desce suavemente de volta à terra, perto de onde sua bola caiu — um bom ponto no fairway.

Albie salta do carrinho e faz um aceno satisfeito.
“Você tem opções aqui,” diz ele, puxando um ferro 5 e um híbrido da bolsa. “Mas se quiser arriscar um pouco… vai com esse.”

Você aceita o taco. A grama sob os pés é macia, e o silêncio volta a envolvê-lo.

Esse buraco não é sobre velocidade. É sobre ritmo.

Albie se agacha para inspecionar a posição da bola. O fairway brilha suavemente sob a luz — como se cada lâmina de grama estivesse se alimentando do seu esforço.

Ele entrega a você um ferro 9.

“Só uma tacada curta,” ele diz. “Nada de especial. Um pulinho, um rolamento. Pense nisso como colocar a bola pra dormir.”

Você assume a posição.
A tacada é curta — controlada. Descreve um arco no ar, pousa suavemente e desliza um pouco adiante.
Não é perfeita. Mas chega perto.
Agora você está logo fora do green.

Vocês decidem caminhar.
O carrinho ronrona baixinho atrás, à espera.

Há algo especial nesse trecho — o sol inclinado, a bandeira à frente, o contorno oval do green como um lago calmo cercado de veludo.

Albie fala enquanto vocês caminham:
“Sabia que cada green tem sua própria personalidade? Grãos diferentes, inclinações diferentes, manias diferentes. Eles lembram cada passada, cada bola que beijou a borda e passou raspando do buraco.”

Ele passa a mão por uma faixa baixa de grama.
“Eu amo esse jogo porque ele nunca tenta ser perfeito. Só verdadeiro.”

Você o olha.
Ele não sorri. Apenas encara adiante, cheio de sentimento.

Na beira do green, ele entrega o putter.
Dessa vez, não diz uma palavra.

Você sente o silêncio. O respeito. A promessa.
Inclina-se levemente, alinha o olhar.

Primeira tacada — energia demais. Rola além.
Albie ergue uma sobrancelha.
“Ela morde quando você se apressa.”

Você tenta de novo.
A bola faz uma curva em direção ao buraco… perto, mas não o bastante.

“Mais uma,” ele diz suavemente.

Você inspira, endireita os ombros e se despe de tudo.
A bola beija a inclinação, faz uma curva lenta… e cai.

Um som leve. Clink.

Ninguém comemora. Ninguém precisa.
O green sabe.

Albie faz um discreto aplauso de golfe e comenta:
“Te disse que ela estava torcendo por você.”

Ao sair do green, algo muda.
A brisa fica mais fria, com um leve aroma de pinho e água fresca.

Albie nada diz — apenas inclina o boné em direção a um brilho silencioso adiante.

Você sente-se sendo erguido.
Não por carrinho, nem por passos — mas por uma maciez, como se pisasse numa corrente de vento.
Está flutuando.
Deslizando baixo sobre um caminho estreito, cercado por juncos e névoa prateada.

À frente: um lago imóvel, liso como vidro.

No centro dele — à espera — está um cisne.
Tão elegante que parece impossível.
As penas tingidas de luar, o pescoço curvado como uma nota musical.
E sobre suas asas, aninhados entre as plumas, filhotes minúsculos quase imóveis.

Ela se aproxima, deslizando com uma graça sem esforço.
Você também deriva mais perto, e o lago silencia ao redor dela — como se o mundo inteiro inclinasse a cabeça para ouvir.

Albie, ao seu lado, murmura:
“Ela volta ao mesmo lago todo ano. Cisnes se unem pra vida toda, sabia? Amantes ferozes. Protetores ainda mais.”

O cisne para a um sopro de distância, e um filhote peludo espreita por cima da asa.
Pisca lentamente pra você, depois se esconde de novo nas penas.

Outro sobe até a frente e estica uma patinha úmida — como se tentasse acenar.

“Tá se exibindo,” sussurra Albie. “Ou dando oi.”

Você sorri. Talvez as duas coisas.

O cisne inclina a cabeça, como se lhe desse permissão para guardar esse momento pra sempre.
Depois, vira-se — lentamente — e começa a se afastar, deslizando sobre o espelho d’água.

O rastro dela fica para trás como uma fita de cetim sobre a água.
O sonho segue adiante.
E você também.

Você se posiciona no próximo tee, sentindo-se confiante — talvez demais confiante.
Albie ergue uma sobrancelha enquanto você se prepara.
“Cuidado,” ele diz. “Essas árvores têm opinião.”

Você ri e balança o taco.

A bola dispara… e imediatamente rebate num grande carvalho com um bonk! alto.
Depois, ping! num pinheiro.
Thwack! num cipreste.
Doink! em algo que soa estranhamente como uma caixa de correio antiga.

É menos uma tacada de golfe e mais um solo de xilofone.

Albie observa o caos, imperturbável.
“Te avisei,” ele comenta, sorvendo uma bebida misteriosa que, com certeza, não estava ali um segundo atrás. “Essas florestas adoram um pouco de drama.”

A bola finalmente para em algum lugar bem no meio das árvores — mal visível do fairway.
Você tenta seguir com o carrinho, mas ele avança só alguns metros antes de desviar sozinho, como se a mata o empurrasse para fora do caminho.

Albie dá de ombros.
“Parece que agora é na caminhada.”

Você o acompanha a pé, abaixando-se sob galhos baixos, desviando entre troncos.
A floresta fica silenciosa, acolchoada por musgo e mistério.

Você encontra a bola… ao lado de algo inesperado.
Um pequeno pedestal de pedra lisa, como se tivesse crescido diretamente do chão.
Sobre ele, uma caixinha de madeira com entalhes que parecem familiares, mas indecifráveis — redemoinhos, estrelas, talvez um peixe? Talvez uma chave?

Você a abre.
Dentro, há algo que parece ter sido seu desde sempre — um pequeno amuleto, quente e luminoso.
Talvez seja uma nota.
Talvez uma pedra.
Talvez uma lembrança que você ainda não lembrava.

Albie não diz nada.
Apenas sorri, como se soubesse que você encontraria aquilo o tempo todo.
“É com você,” diz, entregando um taco novo.

“Essa próxima tacada vai ser diferente.”

Com o presente misterioso guardado discretamente no bolso, você volta para o sol.
As árvores atrás se aquietam, como se tivessem acabado de sussurrar um segredo.
À frente, o campo se abre — um prado dourado, balançando com a brisa, salpicado de flores silvestres.
Só esperando que você coloque — ou acerte — sua bola ali.

“Viu?” diz Albie, fingindo orgulho. “Tudo de volta aos trilhos. Árvores perdoadas.”

Vocês riem.
Você se pergunta se, dessa vez, as árvores vão aplaudir.

Você exala.
O ar tem um perfume doce e morno — de sol e feno seco.

Albie caminha à frente, assobiando algo meio jazzístico, o taco balançando no ombro.
“Sabe,” ele comenta, “nem todo jogo te dá um enigma e um prêmio.”
Faz uma pausa, depois pisca:
“Mas o golfe dos sonhos dá.”

O próximo tee fica entre duas colinas suaves.
O fairway se desenrola como uma onda mansa, e lá no fim, mal visível à distância, uma bandeira gira preguiçosamente ao vento.

Albie lhe entrega um wedge — nada extravagante, apenas o ideal.
Você firma os pés na grama.
Desta vez está vestindo pijamas de golfe.
Estranho… mas combinando perfeitamente.

O solo é elástico sob seus sapatos, e quando você segura o taco, tudo volta a silenciar.

O movimento é fluido — quase musical.
A bola sobe aos céus num arco perfeito.
Flutua. Pende.
Depois cai suavemente sobre o green, quica duas vezes e se aninha perto do buraco.

Bonito.

O ar está morno, mas uma brisa refresca sua testa como um ventilador natural.
Uma libélula passa zumbindo, capturando a luz em lampejos de azul e dourado.

“Sabe,” reflete Albie, “tem gente que diz que golfe é sobre competição.
Eu digo que é sobre atenção.”

Vocês alcançam a bola juntos, e ele lhe entrega o putter com o mesmo cuidado de antes, lá no início.
“Você já sabe o que fazer.”

Você se agacha ao lado da bola.
O green aqui é macio e liso — dá pra ver cada pequeno fio de grama em silenciosa atenção, cada um ocupando seu lugar nesse campo perfeito de calma.

O buraco está longe o bastante para precisar de duas tacadas, a menos que você seja Ben Crenshaw.
A bandeira dança lentamente, como se soubesse que você está chegando.
Uma tacada o bastante pra te deixar perto — e o bastante pra te lembrar que você não precisa ser o “Gentle Ben” da fama.

Você ajusta as mãos no taco. Inspira. Expira.
O mundo inteiro se resume a esse gesto suave.

Toc.

A bola rola pra frente como se tivesse nascido pra isso — reta, serena.
Beija a borda do buraco, hesita um instante, como se pensasse a respeito… e então cai.

Click.

Um som pequeno de sucesso.
Não de aplausos — de algo melhor.
Como se a própria grama tivesse feito um aceno de aprovação.

Você se levanta, e Albie sorri.
“Três tacadas e um concerto de árvores. Nada mal,” ele comenta.

Você ri. “Acho que foram quatro.”
Ele dá de ombros. “Ainda assim, nada mal.”

“Sabe,” continua ele, “não importa quantas tacadas foram.
O que importa é se você notou a libélula.
A brisa nas suas costas.
Se a bola parecia parte de você — e não algo que você precisava vencer.”

Ele faz uma pausa.
“Isso é o golfe. Isso é a vida.”

Você ergue o olhar.
O green inteiro está banhado em sol dourado de fim de tarde.
A bola já se foi, mas o sentimento ficou.

Albie recolhe o putter com reverência e o apoia no ombro, como se fosse uma bengala.
“Você fez o que a maioria esquece de fazer,” ele diz.
“Você esteve aqui. Você ouviu. Jogou com amor.”
Sorri de lado.
“Essa é a parte mais difícil.”

Vocês caminham de volta ao carrinho — sem pressa, sem conversa.
Só o som da grama macia sob os passos e o sussurro do vento entre as árvores altas.

O sol já baixou um pouco mais.
As sombras se alongam.
O carrinho os espera à beira do fairway, banhado por uma luz que parece mais quente que o próprio ar.

Albie sobe e faz um gesto para você entrar.
“Mais uma voltinha,” diz ele. “Passei a vida atrás desse pôr do sol exato.
Não sabia que ele me encontraria aqui.”

Quando você se acomoda no banco do passageiro, percebe que algo mudou.
As rodas não chegam a girar.
Em vez disso, vocês começam a flutuar.

Não dirigem — pairam.

Pra cima.

O carrinho sobe suavemente, em silêncio, como se sempre tivesse sabido fazer isso.
Abaixo de vocês, o green diminui.
A bandeira balança uma última vez.
O lago brilha ao longe.
O cisne e seus filhotes — agora, meros pontinhos.

O céu os acolhe sem questionar.

E logo, o campo se dissolve em nuvem.

Você já não sabe se ainda está num carrinho de golfe… ou na sua cama.
Por um momento, se pergunta se alguém mais está sonhando isso também.
Talvez um amigo.
Talvez alguém que você ainda não conheceu.

É o Albie ao seu lado — ou o travesseiro, esfriando no seu ombro?
É o vento nas árvores — ou o som do ventilador girando suavemente acima de você?

O green pode ainda existir…
ou talvez seja só o sonho agora.

Mas uma coisa é certa:

Você está seguro.
Você está em casa.
Bons sonhos.