U24 | PÓS 9 - Salton - DCP 4

What is U24 | PÓS 9 - Salton - DCP 4?

Contextos do Mercado de Vinhos

Speaker 1:

Pósgraduação UNICINOS. Olá, bemvindo ao podcast da disciplina, iniciação ao mercado do vinho. Sou o professor Israel Bertamoni, e no podcast de hoje, vamos falar sobre o salto evolutivo do vinho, do velho a novo mundo. Para dar início nessa conversa, tem alguns questionamentos a você aluno. Sobre tudo que foi apresentado, sobre o histórico de produção mundial de vinhos, ao compararmos com o histórico brasileiro, eles aconteceram da mesma forma?

Speaker 1:

No mesmo período? E o que isso promoveu de diferenças na produção brasileira em relação à produção europeia? Bom, a história da produção mundial de vinhos, especialmente na Europa, e o desenvolvimento da vitivinicultura no Brasil, apresentam diferenças marcantes em termos de cronologia, contexto histórico e impacto na qualidade e quantidade de produção. Vamos analisar as comparações e diferenças principais entre esses dois mundos. Quando a gente fala de origem e contexto histórico, a Europa tem uma produção de vinho com origens no Oriente Médio, e expansão para países como Itália, França, Espanha e Portugal.

Speaker 1:

Na Europa, o vinho é profundamente enraizado na cultura, religião e economia, com a prática refinada ao longo dos séculos. O conceito de terroir foi desenvolvido cedo, promovendo a identificação de regiões específicas como o Bordeaux ou Toscana, na Itália, com características únicas. As legislações como as denominações de origem controlada, os DOCs, ajudaram a proteger e a valorizar a produção regional. Já no Brasil, a história vitivinícola é muito mais recente. Apesar da chegada das uvas pelos colonizadores portugueses, no século dezesseis, a produção começou a se consolidar apenas no século dezenove, com a chegada dos imigrantes italianos no sul do país.

Speaker 1:

Diferentemente da Europa, o Brasil não teve uma tradição vinícola consolidada, durante a sua colonização, pois o clima tropical, em grande parte do território, não favorecia o cultivo de uvas vitiveníferas. Por muito tempo se produziu vinho no Brasil com uvas vitilambruscas, as uvas americanas, que aí geravam produto, tipo de vinho diferenciado, é o que nós chamamos de vinhos de mesa. Bom, em relação ao desenvolvimento de técnicas avançadas, de cultivo e vinificação ao longo de milênios, adaptandoas ao clima temperado e ao solo. O uso de uvas específicas para cada região foi amplamente estudado e aprimorado, criando tradições analógicas. A produção é altamente diversificada e regionalizada, com vinhos tintos, brancos, rosés, espumantes e fortificados.

Speaker 1:

Já no Brasil, as primeiras tentativas de produção de vinho, de qualidade, enfrentaram desafios relacionados ao seu clima solo e ainda inadequação de algumas variedades europeias. Inicialmente, variedades americanas como Isabel e Concord foram amplamente utilizadas, mas produziam né esses vinhos de qualidade inferior. Apenas a partir do século vinte, com investimentos em tecnologia e pesquisa, começaram a ser cultivadas variedades viníferas europeias adaptadas, especialmente na Serra Gaúcha e em outras regiões específicas, como Vale dos Vinhedos, São Joaquim e Vale dos São Francisco. Quando nós falamos sobre diferenças na produção, temos que analisar alguns pontos, como o clima e terroir. A Europa conta com o clima temperado, ideal para a produção de uvas viníferas.

Speaker 1:

No Brasil, o clima é predominantemente tropical, com regiões subtropicais no sul, que demandam técnicas de manejo específicas, como podas duplas e irrigação controlada em áreas semiárias. Quando falamos em qualidade versus volume, a produção europeia tradicionalmente prioriza vinhos de alta qualidade e prestígio, enquanto a produção brasileira, por muito tempo, focou no volume em vinhos de mesa. Somente na última década, nas últimas décadas né, o Brasil passou a investir em vinhos finos. Em relação à tradição e inovação entre esses dois mundos né, Enquanto a a Europa se baseia em tradições seculares, né, o Brasil tem mais liberdade para experimentar novas técnicas, misturas e variedades, promovendo então essa inovação. E quanto aos sistemas de classificação?

Speaker 1:

A Europa conta com sistemas como os DOs, né os DOCs e os AOCs, enquanto no Brasil sistemas de indicação geográfica e denominação de origem começam a surgir recentemente, como nós temos o primeiro, né, no Vale dos Vinhetos, estabelecendo então identidade para os vinhos brasileiros, e diferenças né nas produções, podemos ter o seguinte, e quantos vinhos europeus são associados? A uma longa tradição, o Brasil ainda está no processo de definir sua identidade cronológica. A a diversidade climática e geográfica do país, ao invés de ser obstáculo, abre possibilidades para a produção de vinhos com perfis variados, adaptados a diferentes terrois. Regiões como Vale dos Vinhedos, Pinto Bandeira, campanha gaúcha têm se consolidado como centros de excelência, destacandose especialmente pelos espumantes de alta qualidade. Esses vinhos ganharam reconhecimento internacional, tornandose símbolo de inovação e adaptação, né, da produção brasileira.

Speaker 1:

Além disso, a busca por produtos que expressem autenticidade e originalidade está levando os produtores a experimentar novas técnicas e uvas menos convencionais, criando portfólio diversificado e único. Quanto ao mercado e o consumo no contexto europeu, o consumo de vinho está profundamente enraizado na cultura e no cotidiano, com consumidores experientes e exigentes. Por outro lado o Brasil apresenta cenário em transformação. Apesar do consumo per capita ainda ser considerado baixo, especialmente quando comparado com países como França e Itália, ele vem crescendo gradativamente. Esse aumento reflete a ascensão de uma classe média mais informada e interessada em explorar o universo do vinho.

Speaker 1:

As gerações mais jovens também estão impulsionando essa mudança, buscando vinhos acessíveis, de qualidade e com propostas mais sustentáveis. Ao mesmo tempo o mercado interno está sendo moldado por iniciativas que promovem o consumo consciente e valorizam os produtos nacionais, fortalecendo então as vinícolas brasileiras. Quanto aos nossos desafios e oportunidades, a vitivinicultura brasileira enfrenta o desafio de consolidar uma tradição reconhecida internacionalmente, algo que os produtores europeus, né alcançaram ao longo do século. A história tardia do setor do vinho implica dificuldades, como a superação do preconceito em que o país não pode competir com grandes produtores, como Bordeaux, Toscana ou Rioja. Porém, essa ausência de histórico mais rígido, também traz oportunidades.

Speaker 1:

O Brasil tem mais liberdade para inovar, seja em práticas de cultivo, seja na adoção de tecnologias, ou no desenvolvimento de vinhos alinhados às demandas de sustentabilidade e rastreabilidade. Os produtores brasileiros estão explorando a vantagem de ser player emergente no mercado global, posicionandose com vinhos que combinam inovação, frescor e identidade local. Além disso, a crescente importância das práticas sustentáveis, e a valorização de narrativas únicas no mercado internacional, dão ao Brasil a chance de criar uma marca distinta no setor, capturando a atenção de consumidores modernos, né que buscam mais do que apenas uma bebida, mas também uma história por trás de cada garrafa. Bom, a gente pode concluir que a Europa evolui na sua produção em milhares de anos, né? Essa produção ela se dá, né, a longo período, né?

Speaker 1:

Porque eles tiveram que descobrir novas técnicas, né, desenvolver novos produtos num espaço de curto e com uma tecnologia muito milenar, né? Então esse processo ele demorou por muito tempo. Já a produção nacional, é uma produção que ela evolui com o histórico da evolução europeia, né? Então se nós formos pensar dentro das fases das produções, né, enológicas no Brasil, que foram, já estamos na quinta fase, né, esse processo ele acontece de uma forma pouco mais rápida, né, o vinho no Brasil ele tem uma evolução a partir dos anos dos anos setenta de trinta anos, né? Nesse período de trinta anos nós conseguimos evoluir em qualidade de produto, em qualidade de bebida, o que a Europa demorou, né, milhares de anos pra ter essa evolução, né, pra consolidar produto de ótima qualidade, né, e reconhecido mundialmente.

Speaker 1:

Então, esse contexto é que nós devemos analisar, né, que a evolução brasileira e a evolução do novo mundo, ela acontece de uma forma mais rápida, mas ela está inserida dentro de espaço histórico, onde a tecnologia e todo né toda aquela tradição, todo aquele histórico europeu, facilitou, né, pra esse desenvolvimento. Claro, pra isso, foi necessário investimento financeiro, né recursos, adaptações, né de uvas relacionadas ao terroir, ao território, para gerarmos então produto de melhor qualidade, né produto que é comparado hoje com, os melhores produtos, né do mundo. Então é essa ascensão brasileira, essa ascensão do novo mundo está relacionada com esse contexto histórico, né e tecnológico. Bom, a produção do vinho do Brasil, então ela não aconteceu no mesmo período e nem com as mesmas condições que a Europa. Enquanto o velho mundo baseia assim em tradição milenar e forte identidade regional, o Brasil está explorando explorando né, modelo jovem e inovador, aproveitando as condições climáticas, né, únicas, dentro do território, e as tecnologias modernas.

Speaker 1:

Por isso que nós vamos ter produtos diferenciados, produto com contexto histórico, né, e que envolve também desde a sua construção de rótulos, em relação aos produtos do novo mundo, né, que vão ser produtos mais exclusivos, né, que vão ter diferencial, vão trazer características completamente diferentes né e isso faz com que a gente acabe né ganhando outros nichos de mercado e adaptando a outros paladares. Essa diferença entre novo e mundo e velho mundo, ela é carregada dessas características que vão trazer essa distinção de produto ao outro. O velho mundo vende muito terroir, né? Vende muito o a denominação de origem, né, e o local da da onde vem aquele produto. Já o novo mundo, ele vem de uma experiência pouco diferenciada, né?

Speaker 1:

Normalmente está associado muito mais à uva que está sendo utilizada ali, né? E essa característica de local, no Brasil, as questões relacionadas a esse essa condição tropical é muito representada através dos vinhos, da mesma forma que nós vamos ter isso né, na África do Sul, que nós vamos ter vinhos completamente diferentes e complexos na Oceania a partir ali da Nova Zelândia e da Austrália. E da mesma forma, né, na grande produção dos Estados Unidos, que estão produzindo vinhos com características singulares, né, e grandes vinhos que estão concorrendo aí com os o os grandes nomes da Europa. Então é justamente isso que faz, né, com que nós tenhamos então o diferencial entre velho e novo mundo. Essas diferenças então criaram perfil distinto para os vinhos brasileiros, né, que estão ganhando reconhecimento, especialmente em nichos como espumantes e vinhos adaptados ao mercado tropical.

Speaker 1:

Os os espumantes brasileiros são dos produtos mais reconhecidos no mundo afora, né no mundo enológico, por carregar né essas características de brasilidade, né essas características que estão inseridas dentro do terroir brasileiro, né? Podemos concluir que o salto evolutivo então na produção do vinho na Europa e numa no Brasil, mostra como duas regiões com histórias e contextos distintos podem evoluir de maneiras únicas. A Europa, com sua rica tradição e inovação, né e essas inovações continuam a serem estabelecidas, estabelece então padrão de excelência no mundo do vinho. Já o Brasil, né por outro lado e os países do do novo mundo, estão emergindo rapidamente como produtor de vinho de qualidade, impulsionado por investimentos em tecnologia e mercado interno crescente. Ambos, né, oferecem lições valiosas e contribuições significativas para a diversidade, né, e essa riqueza do mundo do vinho, né, o 0 mais interessante, que eu acredito nisso tudo, é ter esse diferencial, né, o que caracteriza, né o vinho europeu e o que que caracteriza o vinho do novo mundo.

Speaker 1:

Bom, essas relações, né, históricas culturais e e de temporalidade, elas são fundamentais pra nós compreendermos então, como é formado, né, o vinho nessas diferentes regiões, né, e a partir desse contexto a gente pode concluir que essas construções elas aconteceram, né, o 0 velho mundo trazendo todo o conhecimento ao novo mundo, mas o novo mundo se apropriando do seu diferencial, das suas características e das suas possibilidades para gerar vinho de melhor qualidade ou vinho que se adapte aquele espaço, aquele ambiente. Bom, você acabou de ouvir então o podcast Salto Evolutivo do Vinho, do Velho ao Novo Mundo, com o professor Rayaberta Amor. Nesse podcast você pôde complementar os estudos do hub leitura com os vídeos do hub visual. Compreender os contextos históricos é fundamental para entendermos os diferenciais, as possibilidades né, né, e as limitações dos países estudados. Então acompanhem os próximos materiais, né, e não deixe de escutar os podcasts a seguir, eles vão dar suporte aí pra construção do conhecimento de vocês.

Speaker 1:

Bons estudos e até breve. Pósgraduação Unisinos.