ESG na Indústria do Vinho
Pósgraduação unicinos.
Speaker 2:Olá pessoal, eu sou o professor Vitor Greenberg e estamos começando agora o nosso podcast O Impacto dos eventos climáticos extremos na cadeia produtiva, dos aprofundamentos da temática ESG na indústria do vinho, da nossa disciplina de mesmo nome. E hoje estamos continuando a nossa conversa com o Adeliano Carignin, pra quem já se esqueceu das suas incríveis credenciais vou relembrar que ele possui graduação em agronomia pela Universidade Federal de Pelotas, mestrado em fitotecnia, que é produção vegetal pela Universidade Federal de Viçosa, e doutorado em genética e melhoramento pela Universidade Federal de Viçosa. Desde abril de 2007 é pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a Embrapa, e tem experiência em recursos genéticos e melhoramento vegetal. Desenvolve e lidera projetos de PDI e nessas áreas mencionadas anteriormente, em especial na seleção e avaliação clonal da uva vinifera pra produção de vinhos finos e espumantes. Atualmente ele é o chefe geral da Embrapa uva e vinho.
Speaker 2:Adeliano muito obrigado por continuar a conversa aqui com a gente.
Speaker 1:Ah eu que agradeço aí 1 satisfação conversar com vocês aí e poder contar pouquinho do do nosso trabalho e dar alguns alguns exemplos aí do desses impactos aí que estão nos refletindo né a cada a cada ano que passa aí na nossa no nosso dia a dia.
Speaker 2:Com certeza. Pegando gancho no que a gente falou pouco sobre as mudanças climáticas e as transformações na nossa aula anterior, queria saber quais que você enxerga como os principais desafios que os produtores enfrentam ao lidar com esses fenômenos climáticos, como que isso impacta a logística da produção e da distribuição de vinho?
Speaker 1:É a a as mudanças climáticas no setor de vinho eu diria assim que que até são mais prejudiciais ou mais danosas aquelas quando a gente tem ano com excesso de chuva né, como a gente teve por exemplo o ano passado, então você vê que são efeitos que podem ocorrer até do ciclo anterior, o que quer dizer, tem determinado estágio vegetativo da planta normalmente é ali em janeiro, Fevereiro no máximo aqui no Sul, é pouco antes da colheita que já começa a diferenciar algumas gemas vegetativas em gemas reprodutivas, ou seja, são aquelas gemas ali que no ciclo seguinte vão vão emitir as inflorescências né, os os cachos que é comum comumente que a gente chama. E em anos que nesse nessa época Janeiro fica muito nublado ou chove muito, a luz solar acaba sendo fator importante nessa diferenciação dessas gemas, então você vê que muitas vezes ano vegetativo parece estar está dentro de 1 normalidade ou dentro de de umas condições ideais pro cultivo de de uva, mas tem alguns fatores que lá no ano passado acabaram não sendo tão tão ideais assim e acabam refletindo no ano né, e aí como é que que pode ano com condições boas a produção não está tão boa né, então pode ser por por esse tipo de de ação, outro outro exemplo é quando ocorre a floração né nas videiras que normalmente ali no na segunda quinzena de setembro início de outubro.
Speaker 1:Então você tem ali 15, 20, no máximo 30 dias, é período bastante crítico também porque se chover muito também vai dar baixa fecundação né das flores, baixa produção. Você tem por exemplo geadas tardias né que são outros eventos climáticos que podem ocorrer né e aí você pega e o início da brotação acaba prejudicando também né a produção. O que que na prática a gente pode tirar de de lição disso aí tudo, a Embrapa novamente voltando ao ao a gravação anterior dando sequência também né, ao trabalho que nós desenvolvemos de melhoramento genético, dos objetivos também do nosso programa é desenvolver cultivares com diferentes ciclos, ou seja, eu desenvolver 1 cultivar bem precoce ou 1 cultivar bem tardia, 1 cultivar com pouco mais mais tarde, com floração mais tarde né, que que eu quero dizer com isso tudo, são formas de eu lidar, eu de alternativas, de eu diversificar minha matriz produtiva com base em cultivares pra tentar escapar desses eventos climáticos né, então se eu tenho ao invés de 1 ou 2 cultivares só na minha propriedade eu tiver 4 ou 5 com diferentes ciclos, então se ocorrer 1 1 rajada tardia Pode ser que aquelas 1 cultivar que eu tenha de de brotação precoce ela seja atingida mas as demais não, da mesma forma na na floração 1 cultivar com 1 floração mais precoce escapa de 1 de 1 semana chuvosa de 1 mais tardia, ou então também no primeiro exemplo que eu estava dando ali na época de Janeiro onde é diferenciação das gemas que vai me dar já a condição pro próximo ciclo, se eu dei 1 1 cultivar pouco mais tardia que a colheita é lá em em março, o período de diferenciação dela das gemas é em em fevereiro e aí janeiro foi chuvoso, foi nublado, então essas são algumas das aplicações, alguma das né das lógica aí que que se tem usado né pra pra escapar dessas dessas mudanças climáticas né e evitar o ao máximo os impactos né então talvez não, conseguir escapar 100 por 100 mas o o máximo possível.
Speaker 2:Eu sei que esse não é exatamente o foco da pesquisa, né, mas dada toda essa complexidade que eu acho que muitas pessoas nem entendem sobre o processo de de produção e e distribuição do dos vinhos, como que tem sido os impactos econômicos né como são acompanhados e entendidos impactos econômicos desses eventos climáticos na cadeia produtiva do vinho, né isso impacta o consumidor, isso impacta o futuro do setor dentro de 1 determinada, dentro de determinado mercado porque pra manter sustentabilidade do negócio, isso acaba encarecendo, como como que a gente enxerga esse processo dentro do do do grande cenário da da produção de vinhos?
Speaker 1:É, 0EE isso afeta diretamente o que que acontece? Tu tem por exemplo, na década de 80 quando começou de fato a a entrada de cultivares viníferas, essas cultivares de que a gente pela legislação brasileira entende como vinho fino, não essa o vinho de mesa né, o vinho de cultivares americanos que a gente tem 2 2 grandes espécies vamos dizer assim de videira né, a Vitis vinifera que é o Merlot, Cabernet Sauvignon, Chardonnay, essa de origem europeia, e a Vitis labrusca que é de origem americana que tem maior adaptação, maior resistência à doença, mas ela tem problema de de sensorial né, o vinho é vinho que tem cheiro assim não tão agradável né, então vamos dizer assim que por isso que se chama de vinho comum, e aí o trabalho da Embrapa foi no sentido de cruzar né a as 2 espécies pra se ter adaptação resistência à doença produtividade das labrusca e a qualidade né do vinho das europeias, e se se se conseguiu já em 3 ou 4 variedades aí que que tem essas características, Que acontece lá com as as variedades europeias né, as cores desenvolvidas num ambiente lá que é totalmente diferente do nosso, quando se trouxe elas pra cá, se chegou aqui e se tem então essa variação de de de ambiente em relação à Europa e a própria variação própria aqui né do território brasileiro de ano para o outro.
Speaker 1:E aí o que que acontece? Então tu pega ano por exemplo que o clima vai bem aqui que dá, não dá tanta chuva né que é clima parecido com a Europa na época da maturação lá não chove tanto, chove menos então não tem problema de doença. Então quando eu pego ano que não chove, que eu não tenho problema de doença, que eu consigo fazer 1 uva, produzir 1 uva de qualidade, eu gero produto de qualidade, sem muito, sem aplicação de muita tecnologia né, de insumo né, que encarece o produto, insumo também que daqui a pouco não vai hoje nesse nesse contexto de sustentabilidade de produto que agrida agrida menos o meio ambiente, que tenha maior qualidade pro consumidor, tenha mais saudabilidade, enfim. E então, essas essas variedades aí e com essas variações de clima que a gente tem aqui, acaba que oscila muito a qualidade do produto e a identidade do produto né que é produzido então aí você tem ano que o clima vai muito bem aí dá 1 super safra que nem a gente tem esse ano com 1 qualidade excepcional e a gente vai produzir vinhos excepcionais, aí o o ano passado por exemplo já foi ao contrário ano que foi bastante chuvoso, né, que teve vários problemas de produção e qualidade também, e aí então você já tem vinho de baixa qualidade e em quantidade menor também, e isso acaba refletindo no consumidor, porque o consumidor ele não, ele não não não gosta de, de comprar produto que ele não tem certeza e saber o que ele está comprando né?
Speaker 1:Então, tu tu tem vinho esse ano, o o ano que vem tu quer comprar aquele vinho de novo se a safra não foi boa ele já não vai, vai comprar e não vai ter o mesmo produto e isso acaba que não fideliza o consumidor, então tem mudado também essa nessa lógica né, não só na questão da da sustentabilidade né, na na 1 produção maior, mas também tu ter 1 1 1 produção mais uniforme né ao longo dos anos mesmo que seja ano que não seja tão favoráveis condições climáticas mas que que que impacte menos né na na qualidade pra que você tenha né produto estável ao longo do das safras.
Speaker 2:Adriano, a gente às vezes fica tão imerso na nossa realidade que a gente não não valoriza as coisas que a gente tem. Então você que está liderando os esforços dentro de 1 empresa estatal que tem esse objetivo tão nobre, que é o de desenvolvimento de pesquisa que melhora o nosso setor agropecuário né especificamente aqui dentro do do setor de uvivinho. Como que o Brasil está em relação a outros países, seja na nossa região, seja no mundo, nesse setor de pesquisa, de desenvolvimento, de discussões sobre práticas de sustentabilidade, práticas que melhoram a produtividade, que melhoram a qualidade do produto, que buscam essa produção mais uniforme como você falou que dão mais qualidade e garantia e mais reconhecimento pra marca dos produtos. Às vezes a gente tem muitas referências de fora sobre o produto final, mas a gente não sabe sobre esse processo de desenvolvimento. Como que você enxerga isso estando mais inserido nessa parte de pesquisa?
Speaker 1:De maneira geral né não saindo pouquinho da da caixinha da da da vitivinicultura, o Brasil eu tenho segurança em falar isso que talvez é o país que tem a maior tecnologia ou desenvolveu mais tecnologia pra produção tropical no mundo né, então agricultura tropical no mundo hoje quem, quem tem knowhow de produção e pra falar eu diria que que é o Brasil né e vários países mundiais reconhecem isso temos muita tecnologia, a produção brasileira é 1 produção com nível de, vamos dizer assim, nível de sustentabilidade bastante elevado, talvez a gente tenha receba muita crítica né de outros países justamente como 1 forma de né de de de mercado né, 1 coisa de de controlar mercado, de né, de diminuir talvez a a relevância da da importância né, do produto aqui produzido, e em termos de investimento sim, acho que o Brasil ainda está bastante atrás de de de muitos países, quando se fala em investimento né, em percentual né da do PIB, percentual de arrecadação investido em em pesquisa né, eu acho que a gente precisa investir pouco mais. A vitivinicultura brasileira melhorou muito nos nos últimos anos, evoluiu muito, os empreendimentos aumentaram bastante, a capacidade de investimento do setor é bem é bem considerável né, o setor inova bastante a gente vê que é setor vitivinícola brasileiro que tem apetite né a a inovação bastante grande e isso só aumenta ainda mais a a responsabilidade da Embrapa né e outras instituições de pesquisa por produzir tecnologia né que que eles estão querendo né de fato essa tecnologia para inovar em seus negócios então eu vejo assim que o Brasil de forma geral né o agricultura e a vitivinicultura é assim claro que a gente não se compara historicamente né a viticultura europeia né lá é milenar né aqui a gente ainda está engatinhando quando comparado com eles lá, mas evoluiu bastante nos últimos anos aí, nas últimas 2 décadas, e eu acho assim que tem futuro bom aí pela frente, acho que acho que é bem promissor.
Speaker 2:Ainda sobre a parte de formação nesse setor, como que você acha que fomentar mais a educação e a conscientização sobre mudanças climáticas podem influenciar as práticas de manejo na viticultura e na indústria do vinho como todo? Isso já é muito difundido essas práticas ou você acha que ainda tem espaço pra, enfim, mais cursos, estrutura formal de educação e difusão desses impactos pra se melhorar o manejo em geral?
Speaker 1:Não tem tem muito ainda tem muita estrada ainda pela frente, acredito que a gente já já tenha evoluído pouco né nessa questão aí de de práticas menos impactantes assim que impactam menos no no ambiente, que impacta menos no no produto, na vida do do próprio produtor, de quem trabalha né nessas nessas vinhetas, mas a gente precisa ainda avançar bastante, a gente que a gente precisa também é quantificar também quanto que a gente evoluiu, isso é o papel nosso da pesquisa, de instituições aí de trabalho com o setor, a gente precisa quantificar, ver o quanto que a gente está evoluindo com a aplicação dessas práticas, dessas tecnologias, pra poder de fato passar isso essa mensagem mostrar isso pro consumidor e mostrar como a gente fala né, preto no branco né com dados né com informações reais para mostrar a seriedade né do nosso setor, a gente precisa também ter trabalho bastante sério EEE ter assim a a conscientização do consumidor brasileiro, que o vinho brasileiro né, que a uva brasileira é 1 uva de qualidade né, que está sendo produzida com 1 1 consciência né de de ter 1 boa qualidade, de ter produto assim que impacte pouco o ambiente, que nem sempre produto oriundo de outros países é regra de que é produto de qualidade né, a gente tem problema sério no Brasil de entrada ilegal de vinho, de vinho falsificado então além da questão legal tem a questão ainda também de de saúde né, de você está consumindo vinho que a gente não sabe qual é a a qualidade, qual é a procedência daquele vinho, então acho que a gente tem muito ainda a avançar principalmente nessa questão de formação, não só formação de de técnicos como de de também de de de produtores né, de de consumidor e até de não não diria de de comerciantes né pra pra não, estar aí nessas armadilhas.
Speaker 2:Minha última pergunta pra gente fechar esse papo é, como que você vê o papel das políticas públicas e do suporte governamental pra preparação e adaptação da Viticultura pra esses desafios futuros? Você acha que as polícias públicas e discussões no âmbito do governo estão acompanhando as pesquisas, as tendências pra impulsionar, fomentar, regular o mercado ou ainda é muito 1 prática de autorregulação das empresas pra seguir tendências internacionais.
Speaker 1:Não, política pública nesse contexto aí são fundamentais. A gente sabe aí da importância né do do da economia aberta né da da investimento por parte do setor também que que também pode e deve investir não só na no próprio setor mas também aplicar em em desenvolvimento de tecnologia, mas algumas políticas públicas né precisam e e é claro que muitas políticas públicas já são feitas né e ou foram feitas, mas a gente pra avançar, pra todo mundo caminhar junto né, e todo mundo avançar né, tanto o governo, sociedade, setor, pesquisa deve ter sim políticas públicas né que que permitam também a a adoção dessas dessas dessas tecnologias, então muitas vezes a gente tem a tecnologia ali mas 1 1 política pública, incentivo, incentivo por parte do governo acaba que não estimula né, a adoção que nem poderia ter sido adotado, então acho que é bem importante, é fundamental essas políticas públicas, a gente tem tentado trabalhar junto não só com o setor né no desenvolvimento de tecnologias, mas a gente tem trabalho forte né de de relações governamentais seja a nível municipal principalmente estadual e federal né pra que o Ministério da Agricultura, as secretarias estaduais da agricultura entendam né que a importância de algumas políticas públicas ali pra pra promover essa essa adoção né esse essa mudança aí no sistema de produção de ovo.
Speaker 2:Juliana eu queria superagradecer a sua disponibilidade foi prazer e muito esclarecedora conversa principalmente pros nossos alunos que já estão inseridos nessa grande e importante indústria brasileira.
Speaker 1:Ué eu quero aqui é, dizer que que foi 1 satisfação enorme esse batepapo com com com você e espero que que eu tenha conseguido passar algo de útil né pras pessoas que que vão nos ouvir aí, dizer também que é 1 1 honra né 1 satisfação poder falar e mostrar pouquinho do trabalho, do possível pra novas oportunidades aí esclarecer ou reforçar algo que vocês entenderem a necessidade de vocês entenderem a necessidade de vocês entenderem a necessidade de vocês entenderem a necessidade de vocês entenderem a necessidade de vocês entenderem a necessidade de vocês entenderem a necessidade de vocês entenderem a necessidade de vocês, de vocês entenderem a necessidade de vocês entenderem a necessidade de vocês ou reforçar algo que vocês entenderem necessário.
Speaker 2:Então é agora de hora de voltar pro nosso hub visual e assistir à próxima aula, olhar para o e de ISG. Depois vamos continuar a nossa jornada com o podcast Olhar Pras Práticas de ESG na indústria do vinho brasileira. Bom estudo e até mais.
Speaker 1:Pósgraduação Unisinos.