Tendências no Mercado de Vinhos
Pósgraduação unicinos.
Speaker 2:Olá bemvindos ao podcast da disciplina inovação e pendências no mercado de vinhos. Eu sou o professor Michael Valer, e no podcast de hoje vamos falar sobre vinhos naturais na perspectiva do mercado, de lojista, de distribuidor. E pra falar sobre esse assunto, nosso convidado de hoje é Cleid Sodré, fundador da sommelier Vinhos. E o Cleidy já está na linha com a gente, tudo bom Cleidy?
Speaker 1:Boa tarde a todos, tudo bom Maybel?
Speaker 2:Tudo ótimo. Vamos lá então Cleide, começar te perguntando pouquinho da tua trajetória na indústria do vinho, do perfil então do da sommelle Vinhos, quantas lojas, onde é que está, onde é que é o foco de de atuação no mercado do comércio, do da distribuição de vinho aqui no Sul?
Speaker 1:Nossa empresa tem possui dezessete anos, né? Desde o início, trabalhou com foco em indo à loja multimarca de diferentes países produtores grandes produtores né e trabalhamos com diversas importadoras diferentes procurando captar dentro de cada importador aquilo que precisa ter de melhor Depois de algum tempo nós passamos a importar, nós importamos hoje em Pinhos da Argentina e do Chile, e trabalhamos bastante com vinhos brasileiros né, a minha trajetória como de entrada de iniciação ao mundo do vinho foi visitando as Nicolas, né no, tempo anterior ao que a gente vive hoje quando as Nicolas eram bem menores, o vários dinheiros ainda era muito pequeno comparado ao que é hoje né essa potência gastronômica e turística que se desenvolveu. Nós temos duas lojas em Porto Alegre, e uma no bairro Bela Vista, na Rua Passos da Fábrica, meia meia. Hoje nós compartilhamos a loja com restaurante da família Facinho, e também temos uma loja no bairro Menino Deus, na Rua Oriente Figueiredo Pinto, nove nove cinco. Também temos depósito, centro de seleção, onde a gente usa a logística pra atender restaurantes na Rua São Pedro, oito cinco quatro.
Speaker 1:Nós trabalhamos de forma bastante positiva, né, com atendimento a restaurantes e possuímos uma significativo de clientes em Porto Alegre, Libertadores e interior do estado. Então nós possuímos o CD pra fazer a logística de distribuição e atendimento desses restaurantes.
Speaker 2:Então pra quem está nos ouvindo os alunos que estão nos ouvindo já já deu pra entender que que é profissional que está há bastante tempo no mercado e que tem uma operação que não é tão simples né? Quer dizer é uma operação já bastante complexa que atende, faz o 0 faz importação, já é uma operação que tem uma complexidade relevante né Cladia?
Speaker 1:Exatamente nós temos várias frentes de trabalho. Nós temos a venda já está conseguindo afinal através das nossas lojas e o webcomerce que é também positivo, né? E a distribuição a restaurantes, né? Tendo como uma trajetória de importação Sim. Junto, então a nossa o nosso manejo negócio é bem complexo, né?
Speaker 1:Mercado de vinhos é extremamente competitivo né, a nossa empresa quando começou tinha poucos né, e nesse período né, abriu múltiplas operações de de lojas né, que não não conseguiram se estruturar né ao longo do tempo porque é negócio muito complexo, muito competitivo né e é o modelo de de negócio né, onde de importadoras e lojas né vende de todas as formas em todos os canais, então tem cruzamento né de de frentes muito grande no mercado de vinhos.
Speaker 2:Que legal, que legal, que desafio né? Mas vamos lá, vamos vamos dos alunos aqui que é importante né, a gente ouvir então as percepções de duas porque realmente tu consegue hoje ouvir bastante gente ouvir perfis de clientes diferentes né? E dos, e uma das questões que volta e meia me me me dá água me procuram, especialmente nas redes sociais e outros canais que hoje eu atuo, quando o tema é vinhos naturais, vinhos orgânicos, biodinâmicos, malteneiia alguém me questionou olha, isso não é uma moda, isso realmente tem demanda, tem tem tem público pra esse tipo de produto, e sempre lembro que é uma é são conceitos históricos que vêm se desenvolvendo ao longo de décadas né? Mas a gente sabe dos desafios aqui do mercado ainda em expansão, ainda pouco maduro que é o mercado brasileiro. Então eu repasso pra ti essa pergunta né?
Speaker 2:O como é que é esse como é que é a procura por esses vinhos nas tuas lojas, nos restaurantes que tu atende? Há uma demanda regular, há uma demanda crescente nesses vinhos?
Speaker 1:Então, hoje nós não temos uma demanda e uma procura significativa de vinhos naturais, orgânicos e biodinâmicos menos ainda né? Eu diria que o período de moda onde a gente teve uma procura pouco maior ele passou, né há uns três quatro anos talvez cinco anos atrás. Hoje o 0 público que procura é o público mais adepto né da cultura do vinho natural. Né então eu sei que não é não vai não produto de moda você já vai ter nicho interessante que tende a crescer ao longo do tempo né no Brasil esse nicho ainda é muito pequeno né e tem crescimento muito lento se você comparar por exemplo né aos mercados europeus que trabalham com o conceito de vinho natural há mais tempo e muitas vinícolas produzem vinhos chamados naturais né orgânicos elas produzem, sempre produziram e nunca nunca afirmaram isso como posicionamento de marketing. Então é muito comum hoje as Nicolas firmarem isso como então você tem duas dois viés, né, tem o produtor, os produtores europeus produzem vinhos naturais ou orgânicos ou até de ônibus aí você nunca ter colocado isso como uma como componente de marketing né dos seus vinhos e nos últimos anos não esse passou a ser componente de certa forma de marketing né, em parte pelos produtores né, vinícolas que procuraram ter esse perfil de produtos pra atender uma certa demanda de mercado né.
Speaker 1:E muitos desses produtores que continuavam o vinhetas naturais e biodinâmicos né, continuam fazendo sem comunicar né porque para eles não é o conceito de marketing uma filosofia de cultivo de manejo né e de venda dos seus vinhos é uma demanda ainda pequena Tá Mas eu eu sei que ela vai ficar, tá? Mas ela vai aquecendo lentamente no Brasil ainda, né? Como o próprio conceito, né? Do do cultivo natural de forma geral.
Speaker 2:É interessante tu citar isso né, que a a não muitos meses atrás eu estive fazendo algumas visitas técnicas no norte da Itália, na região de Piemonte, e teve dos produtores que falou então que fazia vinhos de baixa intervenção, o dinheiro era orgânico, e quando eu questionei, tá por que que tu faz assim né? Porque vocês fazem assim, com baixa intervenção, porque vocês conduzem o vinhedo de forma orgânica, ele me respondeu com uma frase, porque o meu pai, o meu avô e os pais deles faziam assim. Então é realmente é é é é a questão de né maturidade, desenvolvimento, tradição, que muitos produtores sempre fizeram assim e nunca comunicaram e agora estão estão nesse dilema, comunicar ou não do mercado, já que o mercado está demandando esse tipo de produtos né? Mas vamos lá então tu acredita, ok a nossa nosso nossa demanda, o nicho no Brasil é pequeno, e tu acredita que, de forma geral, o consumidor ainda não saiba diferenciar bem esses conceitos William?
Speaker 1:Não. Principalmente o consumidor mais leigo né e que ouve falar, e que começa a ter algum interesse à medida que ele começa a ter interesse ele começa a buscar, né? Então as pessoas as pessoas têm conceito mais claro que é o vinho orgânico, né? Agora o quanto AA0 conceito do natural e menos ainda do do biodinâmico ela é muito muito distante pras pessoas, né? E realmente é o conceito pouco vago ainda né?
Speaker 1:E isso de certa forma até desacredita pouco o conceito da cultura do vinho natural, né? É até biodinâmico né, à medida em que você não tem uma regulação, né e você tem distintas formas de cultivo né e nós também não tem fiscalização então é tipo de é produto né oriundo de uma cada identificado como uma por uma forma de cultura né natural O ganhando que ainda existe uma certa fiscalização mas é seria possível mas não tem, né e no natural ela não existe né não existe uma regulação no mercado né então isso é pouco confuso pro consumidor. Eu queria voltar ao ponto que você falou né, Talvez adiantando até uma questão lá na frente né? O Brasil a gente tem volume sinistrativo de produtores de vinhos naturais, né número bem representativo que é uma cultura muito bonita eu conheço vários produtores, de de Porto Alegre, do interior do interior do de Bento, Garibaldi. Mas a gente tem tido às vezes produtos que tem uma uma irregularidade de qualidade, né?
Speaker 1:E alguns com características, né? Que não são muito positivas pro vinho, como mau cheiro, né, gosto diferente na boca né, e alguns produtores né de uma forma venente né defendem isso como uma característica, uma leitura da próprio terroir naquele ano naquela sábado, né, e eu as pessoas acabaram identificando né, uma associação, algumas que experimentaram né, a tipo de vinho que elas não gostam e tem uma certa rejeição, então por isso o mercado talvez tenha estacionado e não crescido talvez até tenha reduzido. Então aquela aquela moda que tinha né, ela poderia ter que se sustentado e crescido mais tempo mas não não acontece né? Então tem pouco disso também e eu acho que pouco disso também faz com que algumas Nicolas né, em outros lugares também não estejam muito, não há no talvez não identifiquem isso como uma forma muito positiva né, de identificar teu vinho como tal na medida em quem tem produtores que têm identificado como tal como a bandeira de negócio, e o vinho não entrega às vezes aquilo que o mercado gosta.
Speaker 2:Legal tu falar disso muito, às vezes é às vezes o pessoal não quer tocar em pontos mais delicados mas eu acho que está coberto de razão e aí eu já complemento então tu falou duas vezes a palavra regulação, seria importante nós termos uma legislação, uma regulamentação, mais definida, mais específica no Brasil tu acha que isso ajudaria não só o consumidor como também a própria indústria a desenvolver mais os vinhos naturais?
Speaker 1:Eu acredito que sim a crise seria necessário, até nadar mais da maior credibilidade né ao modelo de de de vinhos naturais né? Principalmente natural e biodinâmico. O orgânico tem uma legislação e essa legislação é fiscalizado, né? No entanto natural não. Eu gosto de vinho natural né?
Speaker 1:Já tive experiências muito boas, não é? Existe uma certa associação no mercado do consumidor de uma parcela no mercado consumidor né? É que o vinho natural tem características de cheiro, de aroma né? E de gosto às vezes mas muito mais às vezes de aroma né, que não lhes agrada, e isso está associado a perfil de produto, isso é erro, não é que isso é erro identificado ou seja, o vinho natural bom ele é ele é ele é gostoso, ele é bom de tomar, ele é fresco, ele é leve, é macio e por isso muitas pessoas produzem e vendem e as pessoas gostam, né? Agora existem vinho natural efetivamente com defeitos né ou com características de de cultura né que os trouxe assim que não os fazem tão geríveis ou saborosos né, que eu assim falar.
Speaker 1:Mas sim, e por isso inclusive a regulagem pra mim é imprescindível né pra que o mercado possa ter mais confiabilidade e as pessoas possam né consumir com mais confiabilidade.
Speaker 2:É infelizmente eu acho que não é só problema no Brasil e em outros países também acabou se se se usando de forma indevida o termo vinho natural pra, enfim, às vezes tipificar vinho de alguém que não tem total domínio sobre as questões sanitárias enfim do processo, mas quando a gente vai ver a origem do tênis caras que trabalham sério lá atrás como e colágeno ali e outros profissionais do lar que tu falou né outros profissionais da Borgonha a gente vai ver que o vinho natural ele tem limpeza aromática, ele tem né o a qualidade gustativa, enfim, ele elevada ou igual a vinho convencional, e realmente é dilema né que o mercado em centro. Mas eu quero voltar a falar contigo sobre o perfil do consumidor brasileiro de vinho natural. Ele é linchado, ele é pequeno em relação ao vinho convencional, mas ele tem alguma diferença é possível especificar quem é esse consumidor, ele ele consome ticket maior de vinho ou não? Como é que é como é que te descreveria esse consumidor de vinho natural hoje no Brasil?
Speaker 1:Ele é consumidor normalmente mais jovem né, a grande maioria é entre vinte e cinco a quarenta anos, e ele tem estilo né de vida pouco mais pouco associado ao natural dessa forma né então ele tem ele tem ele busca né coisas cada vez mais naturais ele tem uma uma convicções né de de preservação do ambiente da natureza do solo né então é público que se preocupa mais com o ambiente o contexto e aquilo que ele digere né então mas digerir o vinho natural não está associado a ao a a só gostar também, mas sim a uma característica de respeito ao ambiente né? Então isso que a gente percebe né? É público que acaba tendo uma pouquinho maior, porque o vinho natural ele não não é acessível né, Pelas características de produção, pela escala de produção, né? Os brasileiros também, ou seja, então você, são raros vinhos naturais que você acha que custam mercado brasileiro abaixo de cem reais. Eu estou falando vinhos produzidos no Brasil.
Speaker 1:Então a faixa de marco Sul né, não é nos cem reais, ela fica lá na faixa dos cinquenta, oitenta reais. E vinho importado menos ainda, ou seja, o consumidor de vinho importado natural, ele é público ainda mais inchado porque esse vinho chega no Brasil por preço da sua grande maioria acima de duzentos reais, muitos acima de trezentos reais, né? Então a a pela o perfil de preço e de precificação, né, acaba segmentando e lixando mais o mercado num público de média a renda pra cima.
Speaker 2:Interessante interessante e normalmente a gente tem produções menores né então eu acho que isso também dificulta uma uma mais competitiva né?
Speaker 1:É o que eu comentei né a escala eu falei escala de produção né, que isso é o é fundamental, ou seja, pra pra definir o preço de produto né, então em parte, o preço está associado a volume pequeno de produção, a formas artesanal de produzir, né, que os tornam efetivamente mais caros né com preços mais elevados, que faz sentido dentro dessa perspectiva, né, de comissão pequena mesmo e artesanal.
Speaker 2:E vamos lá sobre outros outros tipos relacionados, outros estímulos relacionados como vinho laranja que tem ganho bastante espaço no Brasil, até mesmo surly que tem, que tendem a fazer uma conexão com esse vinho de menor intervenção, vinhos veganos que começaram a ter demanda pelo selo também né? Algum desses temas específicos tem te chamado atenção quanto aumento de demanda, quanto mais gente batendo lá na tua porta pedindo pra esse tipo de vinho, tem algum algum tema específico, algum tipo específico
Speaker 1:que te chame atenção? Não. Não tem não tem o. Algo que chame atenção, ele é bem variado mesmo, é pequeno e é variado né, das suas características né. O vegano, a gente tem algumas brísticas eventuais também mas não é a arrecadação
Speaker 2:não tem nenhuma uma demanda relevante que passa o laranja melhoria maior né
Speaker 1:é o laranja também tem uma simpatia maior né e digase de passagem ou seja o vinho laranja não necessariamente ela natural existem linhas laranjas que não são naturais e então o laranja o vinho laranja o conceito de vinho laranja não está associado a verificação natural necessariamente então o vinho laranja a gente percebe que sim existe uma uma imagem pouco melhor né uma certa popularidade que é crescente né e muitas pessoas compram para conhecer e algumas compra eventualmente né Mas também não têm escala e volume significativo.
Speaker 2:Falar pouquinho sobre a indústria te indagar sobre como é que tu enxerga hoje a a oferta desses produtos fazer, dois em aqui. As importadoras num primeiro momento, como é que tu enxerga os vinhos os vinhos, a oferta de importadores desse produto que vem de fora, e como é que tu enxerga o produtor brasileiro, a vinícola brasileira, tratando esse tema, e tem sido mais, vamos dizer assim, mais assediado por esses agentes, como a oferta de vinhos naturais orgânicos biodinâmicos ou também a a acompanha a a essa onda que tu acredita já ter passado, essa moda que que tu acredita ter passado, como é que hoje a indústria está te oferecendo esse tipo de produto?
Speaker 1:As importadoras maiores né elas têm na sua, na sua linha né, os vinhos naturais, mas elas não tratam isso como algo relevante que mereça uma pressão diferenciada. Mas existem umas duas ou três importadoras especializadas em vinhos naturais né, que são São Paulo, né, e que tem foco muito forte em restaurantes de São Paulo. Então os restaurantes de certa forma contribuem pra divulgar o conceito né, do linha natural, principalmente lá em São Paulo né que tem número maior de restaurantes né que tem colocado em suas cartas uma participação significativa de linhas naturais e alguns somente vinhos naturais seja importados ou seja de produtores nacionais a indústria tradicional de vinho no Brasil ela não dá atenção pelo vinho natural não tem dado atenção então o que você tem mesmo é só os produtores pequenos novos artesanais que a sua grande maioria são jovens né boa parte deles é solucionado pela cultura né do do vinho natural e que tem uma escala pequena em função disso.
Speaker 2:A gente já falou de restaurantes né e a gente observa muitos restaurantes de conceito né, agregando esses produtos naturais, que corrobora com o que tu falou, é perfil bem específico de público né, e normalmente também ligado a algum poder aquisitivo maior.
Speaker 1:Isso, com certeza. É isso mesmo.
Speaker 2:Beleza, Cleide, muito bom falar contigo, muito bom, eu vou ouvir as considerações aí de quem está atuando no mercado, está na linha de frente né, que às vezes capta algumas algumas demandas e algumas percepções do consumidor que nem a indústria consegue perceber, então que isso é bom sempre a gente estar conversando com quem está no comércio, com quem está atuando nos mercados, quero agradecer muito a tua presença, Cleidy, esperamos estar em breve compartilhando uma taças, está certo meu amigo?
Speaker 1:Obrigado, foi prazer estar tendo essa troca de jazz com vocês e eu fico, será prazer compartilhando o novo a Taça.
Speaker 2:Então é isso, você acabou de ouvir o podcast Vinho Natural na Visão do Mercado com o professor Michael Valerio e o convidado, clique Sodré. Nesse episódio, além de entender como as importadoras e produtores nacionais estão abordando os vinhos naturais orgânicos e biodinâmicos, também, pudemos explorar o perfil do consumidor que tem procurado produtos, e a sobre as necessidade de regulamentação do uso desses termos pelos produtores. No próximo podcast, vamos falar sobre cinco cases de tecnologia e prometem revolucionar a indústria do
Speaker 1:vinho. Pósgraduação unicinos.