Insubstituível

Na semana passada falamos sobre vieses cognitivos — os atalhos mentais que o cérebro usa para processar informações mais rápido, mas que podem nos levar a erros. Nesta semana seguimos na mesma linha, mas com outro tema igualmente importante: falácias lógicas.

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Você já esteve em uma discussão onde a outra pessoa parecia ter sempre um argumento certeiro, que te cortava no meio e anulava qualquer chance de resposta? Pois é, muitas vezes isso não é inteligência, mas o uso de falácias — argumentos falhos que soam convincentes no calor do momento.

Neste episódio, exploramos alguns dos exemplos mais comuns:
  • Ad hominem: quando atacam a pessoa em vez do argumento.
  • Espantalho: distorcer o que foi dito para enfraquecer a posição do outro.
  • Falsa dicotomia: apresentar apenas duas opções extremas como se fossem as únicas possíveis.
Você vai entender por que essas falácias funcionam, como elas exploram nossos vieses cognitivos e, principalmente, o que fazer para não cair nelas.

Falácias existem aos montes, mas aplicar a regra de Pareto aqui pode mudar o jogo: conhecer as mais comuns já te coloca em vantagem em qualquer debate. E um bom exercício prático é assistir a debates políticos tentando identificá-las — isso fortalece a sua escuta crítica, uma habilidade essencial para analisar, contra-argumentar e não ser manipulado.

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Ulisses Alves:

Pessoal antes da gente começar o episódio de hoje eu preciso de 1 ajuda. Veja bem, eu me inscrevi em reality show chamado The Best Speaker Brasil, e a primeira etapa desse processo do reality show consiste de período de votação aberta, eu divulgo a página da minha inscrição que contém trecho de 1 palestra que eu ministrei e as pessoas votam. Bom, essa é a ajuda que eu preciso de você, o seu voto, então se você achar que o trecho da minha palestra vale o seu voto, eu peço que você vote em mim porque é processo que eu estou investindo muito tempo, é processo que importa muito pra minha carreira, pro meu momento, e eu agradeceria muito se eu pudesse contar com a sua ajuda, mas atenção, após preencher os dados pra votar, tem código que é enviado pro seu email tá, e ele é enviado primeiro pro seu email, por favor, fique atento na sua caixa de spam, na sua caixa, no seu lixo eletrônico para ver se o email não foi de repente parar lá, e normalmente a mensagem ela demora pouco para chegar, mas caso não chegue em até 10 minutos você pode tentar de novo via SMS, na própria página que fica aguardando pra você digitar ou colar o código, tem 1 opção que você pode trocar pra enviar via SMS.

Ulisses Alves:

Saiba que você está ajudando demais com o seu voto e eu fico muito grato por isso, e agora vamos ao que interessa. Na semana passada eu falei pouquinho sobre os chamados vieses cognitivos que são atalhos mentais que o nosso cérebro usa no dia a dia pra ajudar a gente a processar informações mais rapidamente, mas que também podem introduzir erros sistemáticos no nosso processo de julgamento. E essa semana eu quero falar sobre algo parecido que são as falácias lógicas. Você sabe aquela pessoa que sempre tem argumento aparentemente afiado e certeiro na ponta da língua, que sempre te corta e acaba com qualquer chance de contraargumento que você possa ter? Pois é, ela pode simplesmente estar se aproveitando de construções argumentativas falhas ou premissas falsas, e que no calor da discussão são difíceis de identificar e de rebater.

Ulisses Alves:

Quer ver só exemplo? 1 das falácias lógicas mais comumente usadas em debates políticos é a chamada ad hominem. Aqui lado faz ataques a características do outro que são irrelevantes pro assunto discutido ao invés de abordar os argumentos feitos pela pessoa, por exemplo falar que as ideias do candidato não são válidas porque ele tem problemas pessoais na sua família. Outro exemplo de falácia lógica é a do espantalho, em que alguém distorce ou exagera ao extremo argumento que o oponente deu com o objetivo de invalidálo, de fazer chacota desse argumento. Quer ver mais exemplo?

Ulisses Alves:

Existe também a falácia da falsa dicotomia, aqui alguém apresenta apenas 2 alternativas normalmente extremas entre si, como se fossem as únicas possíveis pra esse cenário. Imagina político argumentando a favor de 1 nova lei dizendo, ou aprovamos essa lei, ou caímos em completo caos no nosso país. Falácias lógicas normalmente são usadas de maneira consciente por pessoas que querem manipular a opinião alheia quando não possuem argumentos fortes o suficiente pra defender suas ideias. E elas na grande maioria das vezes exploram esses vieses cognitivos que a gente já possui no nosso cérebro pra aumentar, pra potencializar os efeitos dessas falácias. Beleza, Elys, tá bom, eu entendi.

Ulisses Alves:

Agora como é que eu faço pra não cair vítima dessas falácias lógicas? Bom, assim como os vieses cognitivos, existem centenas de falácias lógicas formalmente catalogadas, isso significa que é difícil ter 1 consciência situacional 100 por 100 aguçada pra identificar quando alguém está tentando usar 1 falácia contra você. Mas lembrese do nosso amigo Pareto, apenas 20 por 100 de esforço pode te trazer 80 por 100 dos resultados que você busca, isso significa no nosso caso que aprender sobre as falácias mais comuns já vai te colocar em 1 posição de vantagem em discussões desse tipo, sendo assim eu recomendo que você se aprofunde pouco mais nas 5 ou 10 falácias lógicas mais comumente vistas na nossa sociedade. E excelente exercício é assistir a debate político, e tentar identificar a maior quantidade possível de falácias lógicas, isso vai te ajudar a construir o que eu chamo de escuta crítica, que é a nossa capacidade cognitiva de conseguir escutar o outro lado a fim de identificar potenciais vieses cognitivos ou falácias lógicas, e também construir em tempo real contra argumentos. Você lembra de alguma vez em que você conseguiu identificar 1 falácia lógica no argumento de 1 pessoa, ou talvez 1 vez que o seu argumento pode ter sido construído com base em 1 premissa falsa ou com 1 construção argumentativa falha?

Ulisses Alves:

Pega esse o link desse episódio compartilha lá nas redes sociais, no seu no seu Linkedin, marca a gente lá e diz o que que você passou, ou o que você já presenciou em termos de falar essas lógicas, vamos trazer isso pra discussão beleza? Valeu pessoal, até a próxima.