Programa Impressões

JP Maia, criador de conteúdo cristão e fundador do Clube Fé & Razão, compartilha sua história de conversão, a transformação de sua família pela leitura da Bíblia e o chamado que o levou a evangelizar nas redes sociais. Em conversa com o Rev. Acyr de Gerone Jr., ele fala sobre fé, juventude, teologia e missão no ambiente digital.

JP conta como o testemunho de seu pai e a leitura das Escrituras despertaram nele uma fé pessoal. A partir de Isaías 53, sua compreensão sobre Jesus Cristo ganhou um novo sentido e passou a orientar suas escolhas, seus estudos e sua comunicação.

A conversa também percorre o início de sua produção de conteúdo no TikTok, o alcance de suas reflexões bíblicas, a criação do Clube Fé & Razão e os desafios enfrentados pelos jovens diante de questões de identidade, solidão, propósito e espiritualidade.

Ao visitar o Centro de Produção da Bíblia, JP se emociona com o trabalho de tradução, produção e distribuição das Escrituras, incluindo os esforços para tornar a Bíblia acessível a povos de diferentes línguas e a pessoas com deficiência visual.

Neste episódio
  • a conversão de JP e a transformação de sua família pela Bíblia;
  • o início da evangelização nas redes sociais;
  • os cuidados necessários ao comunicar a fé no ambiente digital;
  • a relação entre teologia, filosofia, fé e razão;
  • os desafios de identidade e propósito enfrentados pela juventude;
  • a criação do Clube Fé & Razão;
  • as impressões de JP sobre o Centro de Produção da Bíblia;
  • a missão de tornar as Escrituras acessíveis a todas as pessoas.

Sobre o participante

JP Maia é criador de conteúdo cristão e fundador do Clube Fé & Razão. Seu trabalho nas redes sociais combina evangelização, reflexão bíblica, teologia e filosofia, com atenção especial ao público jovem.

Links e recursos

Créditos

Apresentação: Rev. Acyr de Gerone Jr.
Participação: JP Maia
Realização: Sociedade Bíblica do Brasil
Produção e edição: Área de Comunicação Social da SBB

Acompanhe os conteúdos da Sociedade Bíblica do Brasil e conheça outros projetos que promovem a causa da Bíblia.

Creators and Guests

Host
Rev. Dr. Acyr de Gerone Jr.
Diretor de Cultura e Formação Bíblica da SBB; graduado em Teologia pelo Seminário Teológico Betânia de Curitiba (PR); mestre em Educação pela Universidade Federal do Pará (UFPA); doutor em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio); pós-doutorado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP); pastor, professor, palestrante e autor de livros e artigos sobre teologia, missão, gestão e educação.
Guest
João Pedro Maia
Criador de conteúdo cristão e fundador do Clube Fé & Razão. Seu trabalho nas redes sociais combina evangelização, reflexão bíblica, teologia e filosofia, com atenção especial ao público jovem.

What is Programa Impressões?

No Programa Impressões, personalidades cristãs de diferentes áreas compartilham suas histórias de fé, vocação e serviço.

Depois de conhecerem de perto o trabalho da Sociedade Bíblica do Brasil, os convidados conversam com o Rev. Erní Seibert sobre sua relação com as Escrituras, os desafios de sua trajetória e o impacto da Bíblia em suas escolhas, ministérios e formas de contribuir com a sociedade.

São encontros com líderes, escritores, artistas, comunicadores e outras personalidades que ajudam a compreender como a Palavra de Deus continua marcando vidas e produzindo novas impressões.

Uma produção da Sociedade Bíblica do Brasil, que trabalha para tornar a Bíblia disponível e acessível a todas as pessoas.

Olá pessoal, tudo bem com vocês?

Aqui é o Rev. Acyr de Gerone Jr..

Nós estamos em mais um programa Impressões da

Sociedade Bíblica do Brasil e você é muito

bem-vindo para estar conosco neste momento.

De uma forma muito especial, temos aqui hoje

conosco o JP, bem conhecido aí nas redes

sociais, fazendo um trabalho de influência cristã, e

para nós é uma alegria recebê-lo.

Seja bem-vindo, que bom que você está

aqui.

Muito obrigado, meu irmão.

Obrigado mesmo pelo convite, estou muito honrado de

estar com vocês.

Muito bem, bom, você deu uma andada aí

pela gráfica, né?

Nós vamos falar um pouquinho sobre isso, mas

antes eu queria conhecer um pouquinho mais sobre

você.

Para o nosso público, talvez tenha alguém assistindo

aqui que não conheça, e gostaria de conhecer

um pouco mais a sua história.

Às vezes a gente tem aquelas informações das

redes, mas quem é o JP?

Como ele conheceu a Bíblia?

Como foi seu processo para chegar a Jesus?

Conta um pouquinho para nós sobre isso.

Eu vim de um lar não cristão, vamos

dizer assim, católico nominal, mais ou menos quando

meus pais se conheceram.

Meu pai não tinha tanta relação com religião

assim, minha mãe tinha mais proximidade com o

catolicismo romano, mas era aquela católica nominal, como

dizem.

Ia a algumas missas, mas não vivia de

fato a fé católica.

Eu nasci nesse contexto, meu pai tinha saído

de um período do budismo, antes de conhecer

minha mãe, então eu cresci ouvindo sobre Deus

de alguma forma superficial.

Deus é o criador de todas as coisas,

ele te protege, você pode falar com ele.

Tinha muitas rezas em torno de orações para

anjos protetores, coisas nesse sentido, então eu cresci

mais ou menos nesse ambiente.

Até que, mais ou menos com 7 anos

de idade, a minha mãe foi evangelizada por

uma vizinha do nosso bairro, ela era batista,

de uma igreja bem pequenininha lá do nosso

bairro, e minha mãe veio à fé e

começou a me levar à igreja.

Nesse período meu pai ainda não era convertido.

Resumo da história, minha mãe, depois da conversão

dela, passou a orar pela conversão do meu

pai também.

E eu me lembro de ver a minha

mãe ajoelhada todos os dias no pé da

cama, pedindo ao Senhor para que ele viesse

a Jesus.

E é muito bonita a história, me emociona

bastante, porque foi a conversão do meu pai

que me trouxe a Jesus.

Eu tinha mais ou menos uns 14 anos,

e foi através das escrituras, lendo as escrituras,

que meu pai veio ao Senhor.

Então é uma história que, depois da conversão

dele, meu pai tinha alguns problemas graves com

o álcool, a gente não tinha tanta proximidade

por conta disso, ele lia as escrituras comigo

em casa todos os dias, depois da conversão

dele.

Eu vi uma mudança de caráter, que meu

pai era a mesma pessoa, mas ao mesmo

tempo ele não era a mesma pessoa, algo

muito grande tinha acontecido com meu pai, e

aquilo, dentro de muitas questões que eu lidava,

até da existência de Deus, passei por uma

época de agnosticismo, mas muito inclinado a não

crer que Deus existia.

Ver uma pessoa que, por tantos anos da

minha vida, tinha sido agido de uma forma,

tido um caráter X, e agora absolutamente contrário

de tudo aquilo que ele tinha sido, despertou

em mim uma curiosidade muito grande.

Como assim meu pai mudou tanto?

A partir da leitura da Bíblia que meu

pai foi fazendo comigo, dos meus 14 até

os meus 17 anos, em que ele começou

a pregar para mim, por meio das escrituras,

eu vim à fé com mais ou menos

17 anos.

Foi através de um vídeo, de uma influenciadora

digital, a Roberta Vicente, ela abriu a Bíblia

Isaías 53, e ela fez um vídeo sobre

esse texto, falando sobre salvação.

É um texto muito importante, de profecia messiânica,

sobre a expiação dos nossos pecados, e foi

na leitura daquele texto que eu tive um

encontro pessoal com Jesus Cristo, e me arrependi

dos meus pecados, e entreguei a minha vida

para Ele.

Então a minha história de conversão tem a

Palavra de Deus do início dela até o

fim, até o dia de hoje.

Para a minha santificação, para o meu crescimento

na fé, a Palavra de Deus está presente.

Rapaz, a gente se emociona de ouvir você

falar, é muito legal o ambiente aqui, eu

acho que está muito legal.

É bonito ver isso, o nosso lema é

semeando a palavra que transforma vidas.

Pelo teu testemunho, a gente vê exatamente isso.

A palavra entra na vida do seu pai,

é a mesma pessoa ali, o mesmo rostinho,

o mesmo tom de voz, mas a transformação

que a Palavra de Deus causa na vida

de uma pessoa é algo que não dá

para explicar humanamente falando.

Ela é poderosa, como diz o escritor aos

Hebreus, ela é viva, ela é eficaz, ela

vai lá onde ela precisa penetrar, mudar, alterar,

e ela fez isso na vida do seu

pai e depois na sua.

Como é bom ver isso, como é bom

ver a Palavra de Deus como o meio

pelo qual a pessoa lê, entende e reconhece

Cristo como Senhor.

Muito bonita a história.

E isso, claro, te influenciou, porque o que

a gente acompanha do teu trabalho, você tem

falado principalmente com o público jovem, trazendo mensagens,

reflexões.

Como se deu isso, o que você faz

exatamente?

Depois da minha conversão, meu impulso mais imediato

foi querer falar para todo mundo daquilo que

tinha acontecido comigo.

Isso faz quatro anos, mais ou menos?

Faz-se uns seis anos, mais ou menos.

Na verdade, vai fazer sete agora.

Foi em 2018 que isso aconteceu, a minha

conversão.

Então, eu quis falar para todas as pessoas

daquilo que tinha acontecido comigo.

Foi como se eu tivesse descoberto algo e

eu descobri algo.

Uma venda foi tirada dos meus olhos sobre

a realidade da vida.

E eu precisava falar de Jesus para as

pessoas.

Então, foi quando eu comecei a postar no

meu Instagram.

Na época, eu não produzia conteúdo cristão assim,

como eu produzo hoje para as redes sociais.

Mas eu comecei a postar devocionais que eu

fazia, de leitura da Bíblia.

E falava, olha, eu estou lendo sobre isso

aqui.

E aí eu postava isso para os meus

amigos lá, para as pessoas que me acompanhavam.

Não eram muitas pessoas, mas foi uma das

maneiras que eu quis muito compartilhar sobre isso

na internet.

Então, começou ali em 2018.

Eram publicações variadas, não eram todos os dias.

Mas eu gravava alguns stories, depois dos meus

devocionais.

Ou postava algum texto no meu feed sobre

alguma coisa que eu estava aprendendo da Bíblia

e coisas nesse sentido.

Mas postagens esporádicas, nada com muita constância.

E eu estava prestes também a prestar vestibular.

Então, estava em um período de estudos muito

grande.

Mas depois da minha entrada na universidade, em

2019, eu comecei a fazer engenharia física na

USP.

E logo depois do ensino médio.

E lá eu tive, nesse meu primeiro ano

de conversão, eu continuei falando de Jesus para

tantos meus amigos da faculdade.

Quanto, sei lá, às vezes eu estava em

um ônibus, eu encontrava uma senhorinha, falava de

Jesus para ela.

Às vezes eu estava na rua, me sentia

impelido a falar de Jesus para alguém.

Então, eu fazia isso tanto ali no meu

Instagram, de vez em quando, quanto para as

pessoas, de forma geral.

Com quem eu me relacionava ou, às vezes,

com quem eu tinha visto pela primeira vez.

E aí, em 2019, na metade do ano,

uma colega de muitos anos, a Jillian, ela

é uma australiana, que não é nem cristã,

na verdade, me falou do TikTok, que era

uma nova rede social que estava surgindo lá

na Austrália.

E eu já conhecia essa rede por conta

da minha irmã mais nova, mas no Brasil

ninguém falava do TikTok, não se usava ainda.

Então, eu comecei a produzir alguns conteúdos, ainda

lá voltados mais para a área de ações

sociais, de forma geral.

Então, eu arrecadava dinheiro para fazer ações sociais.

Eu consegui fazer duas com as ações que

eu arrecadei, lá de doações.

Uma para um orfanato de Jundiaí, na minha

cidade, e outra para um asilo, um abrigo

de idosos em Bragança Paulista.

Então, eu fiz essas duas ações.

Eu fazia algumas publicações que não eram especificamente

cristãs, mas voltadas também para esse conteúdo social.

Então, de alguma maneira, eu queria ajudar as

pessoas dessa forma.

E eu buscava falar de Jesus também nesses

encontros todos.

Tanto no orfanato eu consegui falar melhor, porque

ainda não tinha acontecido a pandemia, foi em

2019.

Em 2020, que foi quando eu fiz ação

para os idosos, eu não consegui, porque estava

tudo fechado.

Mas a minha intenção não era apenas fazer

ação social, eu queria também levar Jesus para

essas pessoas.

Nesse meio tempo, eu não produzia mensagens sobre

a Bíblia, ou coisas nesse sentido, no TikTok.

Eu falava de vez em quando em alguma

live que eu fazia, mas a minha intenção

ainda não era aquela.

Na verdade, eu ainda estava na faculdade, eu

queria continuar a minha graduação normalmente.

Até que eu comecei a sentir e receber,

antes de sentir vontade, eu acho, de falar

de Jesus mesmo, sentar, fazer um vídeo, gravar

falando da Bíblia.

Alguns pastores e amigos começaram a falar para

mim que eles percebiam que eu gostava muito

de fazer isso, gostava muito de evangelizar.

Eu falava com gente, às vezes eu estava

no aeroporto com os meus amigos, a gente

ia fazer uma viagem.

Eu ia para uma atendente e começava a

falar de Jesus para ela, e as pessoas

percebiam que eu tinha essa vontade de evangelizar.

E eu gostava de falar da Bíblia, eu

gostava de falar de teologia, por mais que

eu não tivesse nenhuma formação ainda.

Eu estudava já alguma coisa na internet.

E eles falaram, cara, por que você não

fala de Jesus na internet?

Você já tem alguns seguidores, você já faz

as suas ações.

E tudo bem, você fala de Jesus quando

você está lá com as pessoas que você

está fazendo, mas você faz alguns textos no

Instagram, faz alguns stories.

Por que você não faz no TikTok também?

E aí foi um processo muito difícil, porque

eu não me via capaz, eu acho que

essa era a questão, eu não me via

capaz de falar de Jesus.

Eu dizia assim, cara, mas eu não sei

falar, eu não tenho estudo, eu acho que

vou falar besteira, eu tenho medo de falar

alguma coisa que vai ser errada sobre a

Bíblia.

Então eu tinha um temor muito grande de

ensinar a Bíblia incorretamente.

Mas isso começou a ficar muito grande no

meu coração, crescer.

E um dia, no meu quarto, em junho

de 2020, eu fiz uma oração a Deus.

Eu falei, Senhor, eu estou muito perdido.

Eu não sei o que eu faço da

minha vida, eu estou agora na graduação.

Na verdade, nesse período eu até tinha saído

da faculdade, cortando bem a história e estava

procurando fazer outro curso, não tinha gostado de

engenharia.

Eu falei, Senhor, o que eu preciso fazer

na minha vida?

Para que eu vou viver?

Para que eu existo?

Quem sou eu?

Quem é o João?

E eu tive uma experiência, eu acho que

foi a segunda experiência que eu tive de

ter algo como se fosse Deus falando comigo,

assim, audivelmente.

E ele disse assim, pregue o Evangelho.

E, cara, aquilo foi tão louco assim, eu

vou chorar pra caramba.

Porque eu falei, é isso, é só isso

que eu preciso fazer, eu preciso falar de

Jesus Cristo para o mundo.

Não precisa ser um teólogo para fazer isso.

Exato.

Eu não preciso fazer um curso para falar

de Jesus Cristo.

ele já mudou a minha vida, a palavra

dele já mudou o meu coração.

Eu só preciso falar dele.

Então, nesse momento foi algo tão simples, mas

ao mesmo tempo foi muito importante, muito revelador.

Ao mesmo tempo, eu falei, ok, vou fazer

uma gravação de um vídeo.

Eu estava lendo Jó, nesse período, e eu

fiz um vídeo sobre Jó, um vídeo de

um minuto, falando sobre quando Deus não nos

dá respostas.

E era exatamente o que eu estava passando.

E no final do vídeo eu dizia algo

como se fosse assim, Deus não nos dá

a resposta de todas as coisas sempre, mas

ele é a própria resposta.

E a gente só precisa confiar nele.

Então, foi um vídeo que eu deixei gravado,

e eu não postei esse vídeo no primeiro

dia.

Eu deixei ele gravado e falei, olha, eu

acho que vou postar esse vídeo amanhã.

Eu ainda tinha na minha cabeça algo com

relação a horários de postar.

Não, eu preciso postar meio-dia, porque a

plataforma vai entregar mais para as pessoas, e

eu quero que as pessoas ouçam isso.

E eu estava indo para a casa da

minha ex-namorada, numa sexta-feira de manhã,

e eu estava na rodoviária, pegando ônibus para

ir para lá.

Eram umas sete horas da manhã isso.

Então, imagina, eu planejava postar o vídeo ao

meio-dia daquele dia.

Só que era uns sete da manhã.

Então, até então, eu estava esperando o ônibus

chegar na rodoviária.

Eu peguei o meu celular, comecei a mandar

mensagem para os meus pais, olha, está dando

certo, o ônibus está chegando aqui.

E fiquei esperando o ônibus.

Nesse período em que o ônibus estava para

chegar, eu senti uma vontade muito grande de

postar aquele vídeo.

Falei, não, coisa da minha cabeça, isso, não

é possível que eu tenha que postar.

E aí, de novo, foi como se eu

tivesse tido uma impressão na mente, Deus falando

comigo algo como se fosse, posta o vídeo

porque tem um amigo seu que precisa ouvir

isso.

Eu falei, nossa, que coisa louca.

Não, estou surtando, deve ser um surto de

esquizofrenia, não é possível.

Sete horas da manhã, estou com sono, deve

ser alguma coisa assim.

Mas isso não saiu da minha cabeça.

Aí eu falei assim, olha a falta de

fé do novo convertido.

Eu falei assim, cara, eu vou postar o

vídeo, se não tiver ninguém que responder nada,

que me falar nada, eu reposto o vídeo

mais tarde, porque eu já estava pretendendo postar

meio dia.

Olha a falta de fé, eu fui bem

gideão ali naquele momento.

Deixou por o algodão para ter certeza se

Deus estava falando comigo mesmo.

E aí, na hora que eu postei o

vídeo, eu demorei 43 minutos para fazer isso.

Cheguei às 7h da manhã, 7h43 eu fiz a

publicação.

Mais ou menos 7h45, pulou uma notificação do

meu celular no TikTok.

Era um amigo meu escrevendo, cara, muito obrigado,

como eu precisava ouvir isso.

Aí eu falei, meu Deus, que coisa louca.

E eu entrei no ônibus, fui à casa

da minha ex-namorada, passaram-se duas horas,

e meu celular estava explodindo em notificações do

TikTok.

Muitas, muitas mesmo.

Eu abri, e era o vídeo que eu

tinha postado.

Esse vídeo estava com mais ou menos 90

mil visualizações.

Uau, em uma hora mais ou menos.

É, uma, duas horas ali que eu tinha

postado.

Aí eu olhei aquilo e falei, meu Deus

do céu, que coisa louca.

E todos os comentários de todas as pessoas

que estavam lá, elas diziam assim, muito obrigado,

preciso confiar mais em Deus, preciso me apegar

mais ao Senhor.

E eu nunca tinha visto uma quantidade de

pessoas tendo uma resposta como eu via ali,

aquilo que eu tinha falado.

Então, a partir daquele dia, eu tive a

convicção de que eu deveria continuar pregando o

Evangelho e que as redes sociais seriam um

meio para falar de Jesus e daquilo que

eu tinha feito na minha vida para todos

os povos.

Então, eu iniciei ali um trabalho de postagem

de vídeos mesmo.

Pegava um texto bíblico, um versículo, trabalhava numa

reflexão de um minuto mais ou menos, que

era o que o TikTok permitia naquele período.

E de junho de 2020 a janeiro de

2021, em que eu estava já postando quase

todos os dias, eu me vi impelido a

começar uma faculdade de teologia, uma graduação em

teologia.

E, posteriormente, se reverteu na minha entrada no

seminário Martin Busser, que é onde eu estou

finalizando a minha graduação hoje.

E foi por intermédio do meu atual pastor,

Jorge Jonas Madureira.

E foi nesse período em que o Senhor

me deu a graça de ter ali a

responsabilidade de lidar com mais de 1 milhão

e 500 mil jovens.

Ali no TikTok, especialmente.

Depois continuei esse trabalho no Instagram, mas hoje

também no YouTube tenho continuado ali.

Bom, que história.

Agora, uma curiosidade aqui.

Você estava em engenharia, abandona a engenharia, faz

teologia e a filosofia também entra na história.

Isso, agora estou graduando em filosofia.

E como que se dá isso, principalmente pensando

em teologia e filosofia?

A gente conversou com o pastor Jonas numa

live, foi muito legal.

Você que está assistindo aí pode procurar nas

lives da SBB.

Foi uma live muito boa, vale a pena

assistir.

Mas, diante dos temas, dos desafios, da espiritualidade

que é anunciada hoje, como que esses dois

temas ajudam você no seu trabalho, na sua

abordagem?

A filosofia entrou para mim por muita influência

do meu pastor, do Jonas Madureira.

Ele foi o primeiro filósofo cristão que eu

acho que me fez encantar pelo ensino da

filosofia, por entender que ela não era inimiga

da fé.

E, na verdade, se a gente pega a

história do desenvolvimento da filosofia no Ocidente, o

cristianismo e a filosofia estavam completamente unidos, interligados.

Eles não eram inimigos, eles não eram opostos.

Então, a partir do desenvolvimento da modernidade, com

algumas mudanças de paradigma com relação a como

conhecer o que é verdadeiro, eu diria até

uma apostasia, de fato, que aconteceu, a gente

vê o mundo transicionando de uma mudança que

antes tinha a filosofia como aliada, mas depois

passou a separar fé e razão.

Então, de alguma maneira, eu fui resgatado dessa

antiga amizade que a filosofia e a teologia

tinham por meio do meu pastor.

E comecei a ver que haviam possibilidades muito

interessantes de fazer a ponte entre filosofia e

teologia, que era algo que eu já estava

estudando, a teologia, mas que agora podia, de

um outro lado, lidar com as dinâmicas e

as demandas desse mundo moderno, que tem uma

variedade de visões de mundo, com sistematizações de

pensamento, de pressuposições da vida que estão impedindo

as pessoas de enxergar o cristianismo como plausível,

como crível e outras coisas nesse sentido.

Então eu percebo que a relevância que a

filosofia ainda tem no meio acadêmico, ela contribui

muito para que a gente, através dela, possa

fazer uma boa defesa da fé cristã e,

através dessa boa defesa da fé cristã, que

a gente apresenta bons argumentos para mostrar que

não é uma irracionalidade, não é uma contradição

crer na fé cristã, que a gente pode,

inclusive, levar Jesus Cristo.

Então eu entendo que a filosofia hoje tem

para mim, ela é um instrumento de como

se eu estivesse em um terreno muito sujo,

com diversas coisas construídas na cabeça das pessoas

acerca de Deus, da realidade, que, por meio

da filosofia, eu posso abrir um espaço para

essa pessoa me ouvir falar de Jesus Cristo.

E ela entender que ela não vai ser

irracional, que ela não vai ser ilógica, que

ela não vai estar crendo num absurdo racional

quando ela se submete a Jesus Cristo, quando

ela crer naquilo que o cristianismo ensinou, quando

ela crê no Evangelho.

Então eu entendo como um meio de limpar

o terreno para pregar.

Um meio de limpar o terreno para que

Cristo seja anunciado e que ele mude a

vida dessas pessoas assim como ele fez com

a minha vida e como ele faz com

a vida da igreja dele.

Isso é muito legal, porque o que a

gente pode entender, JP, é que não importa

a área de estudo que você esteja, você

pode olhar aquilo com as lentes da fé

e pensar como você fez, como a filosofia

me ajuda a levar a fé de uma

forma com que seja uma ponte para as

pessoas.

Isso pode ser na psicologia, no direito, em

qualquer área do conhecimento.

E é legal, porque as pessoas às vezes

querem separar.

A minha vida com Deus é lá no

domingo na igreja ou no momento que eu

estou orando em casa.

E esquecem que a vida cristã ocorre no

dia a dia.

Então em qualquer momento da vida a gente

pode exercer essa espiritualidade pensada, refletida, que não

elimina a emoção, não elimina o sobrenatural, mas

que a razão também está presente, não é

inimiga.

E isso é muito legal.

E aí surge então o Clube Fé e

Razão.

Fala um pouquinho sobre o que é isso.

O Clube Fé e Razão é uma plataforma

de estudos teológicos e filosóficos que eu criei,

pensando especialmente em jovens e adolescentes que têm

demandas justamente nesse sentido de conciliar uma fé

que pensa e uma razão que crê.

Isso é uma frase, inclusive, do livro Inteligência

Humilhada, do Jonas.

Para que eles entendam que as duas coisas

não são inimigas, mas que tanto fé quanto

razão são servas de um Deus infinito.

Então a gente não entende aqui a relação

de fé e razão, uma se colocando acima

da outra, mas as duas trabalhando a serviço

de Deus.

E a ideia lá é trabalhar tanto com

temas relacionados à apologética cristã, que tange muito

essa questão da universidade, dos dilemas racionais que

os jovens têm acerca da existência de Deus,

da plausibilidade da existência de Deus e do

fato de o cristianismo ser ou não crível,

até as abordagens apologéticas que existem dentro lá

da plataforma.

Mas a gente tem uma variedade de cursos

também.

Então eu ensino teologia básica, então doutrinas básicas

da fé cristã.

Estou começando agora lá um projeto de teologia

sistemática.

Então, para jovens que estão perdidos na teologia,

que querem começar o estudo teológico, eles querem

fazer uma teologia que se pauta nas escrituras,

que tem uma base de fundamento saudável, teologicamente

falando.

Então eles vão ter isso lá também.

Também lido com dilemas da vida cristã aqui,

dos mais variados possíveis.

A gente lida com temas como pornografia e

masturbação para jovens lá.

A gente tem aulas sobre isso, muito interessantes.

Coisas que são conteúdos que eu já produzo

também na internet, mas que tem lá de

forma muito mais aprofundada.

Lido com temas como maturidade.

Então a gente lida com esse dilema do

jovem de estar crescendo, de estar sendo mudado

por Deus.

Temas relacionados às coisas mais variadas, de pecados

mesmo, como a nossa ira pecaminosa, nosso problema

com materialismo, com apego aos bens materiais.

Eu tenho aulas sobre diversos assuntos, tanto de

vida cristã, como também de temas mais filosóficos,

teológicos.

Então a gente está tentando abordar diversas questões

ali, ao mesmo tempo, para mostrar para esses

jovens que é possível viver uma vida cristã.

Que ela tanto estuda, mas ela também se

ajoelha, ela também ora, ela também fala com

Deus, ela também se entrega ao Senhor de

corpo, alma, mente e coração.

Então é a integralização da vida cristã diante

de Deus.

É a vida diante de Deus, sendo vivida,

seja quando eu estudo, seja quando eu oro.

Isso é muito legal.

John Stott tem um princípio que diz assim,

ouça Deus e ouça o mundo.

É muito legal isso, porque ele está dizendo

assim, a nossa fidelidade, a nossa pregação, a

nossa vida está a Deus, a sua palavra.

Mas isso não me impede de ouvir o

mundo.

Eu achei legal que você foi falando de

alguns dilemas que a juventude de hoje enfrenta.

Você comentou alguns aí, a questão da maturidade,

a questão da pornografia.

Enfim, fala um pouquinho, quais são os principais

desafios da juventude de hoje?

Eu acho que isso é muito importante para

nós que estamos aqui, ainda mais para quem

já não é mais jovem e que precisa

olhar para o jovem e entender.

Jesus era muito prático nisso.

Ele começava a falar dos valores do reino

de Deus a partir da realidade das pessoas,

da vida agro-pastoril do seu tempo.

Paulo, em Atenas, começa a falar para aqueles

especialistas no mundo da filosofia, ele traz aspectos

da filosofia.

É isso que a gente talvez chamaria de

contextualização.

Olha, eu vou pegar a verdade sem alterá

-la da palavra de Deus, mas saber comunicá

-la de uma forma com que as pessoas

entendam.

E você está fazendo isso com a juventude.

Quais são os principais dilemas dessa juventude de

hoje?

Pode começar a lista, a gente aguarda.

Eu diria que as minhas últimas impressões, os

problemas que eu vejo os jovens enfrentando, entram

em um aspecto de identidade, mas que não

é uma coisa superficial.

Esse tema da identidade, de um modo geral,

ele toca em muita coisa e ele se

reflete em uma realidade em que hoje a

gente tem uma porcentagem de pessoas no Brasil

que têm acesso, por exemplo, ao celular.

E, ao mesmo tempo que a gente está

hiperconectado, a gente está vendo as pessoas muito

solitárias.

E o maior desafio que eu tenho visto

como reflexo por uma questão identitária, porque diz

respeito a questões existenciais, quem eu sou, o

que eu estou fazendo no mundo, como eu

lido com os meus dilemas existenciais, as pessoas,

as amizades, eu não tenho para quem contar

e esse tipo de coisa, está muito refletido

na juventude.

Eu diria que não só na juventude cristã,

na juventude de forma geral.

Mas eu percebo isso, as mensagens que eu

recebo, elas sempre têm um teor de pessoas

que não têm com quem contar.

Ao mesmo tempo que tem, que todo mundo

está postando, está todo mundo falando as coisas

nas redes sociais, elas não têm laços fortes

com pessoas, elas não têm para quem recorrer.

E muitas vezes o que eu percebo é

que na dinâmica das igrejas, há muitas igrejas

infelizmente lidando com muitos problemas com relação a

cuidar de pessoas, mas também as próprias pessoas

com dificuldade de se relacionar entre si nas

igrejas, de formar laços, de ter com quem

contar, de ter com quem se abrir.

Muitas vezes eu recebo relatos no meu Instagram,

e óbvio, na medida do possível eu procuro

fazer o máximo para aconselhar, eu me compadeço,

eu procuro dar orientações.

Mas muitas vezes o que eu vejo é,

às vezes tem um menino que vem falar

comigo, uma menina, e é um problema às

vezes que eu falo, nossa, eu nunca me

abriria com uma pessoa dessa forma.

E é muito bonito ver a sensibilidade, a

abertura que se tem.

Mas normalmente a pergunta que eu faço é,

você já conversou com alguém sobre isso?

Cara, eu não consigo confiar em ninguém para

contar isso.

E a quantidade de mensagens que eu recebo

por dia acerca dessas coisas é muito assustadora

para mim.

Então eu tenho percebido que essa juventude está

solitária.

As pessoas estão no meio de um monte

de pessoas, mas elas se sentem desamparadas, elas

se sentem rejeitadas, elas se sentem só.

E eu acredito que, de alguma maneira, a

informação que a gente acha...

A gente está vivendo uma revolução de acesso

à informação.

Ao mesmo tempo que a gente está com

um excesso de acesso à informação, a informação

não produz transformação de coração.

E esse tem sido o maior aprendizado dos

meus últimos tempos.

Interessante.

Então, vamos lá.

As pessoas estão conectadas nas redes, mas desconectadas

de si e desconectadas do próximo.

Olha que perigo é isso.

E como é bom a gente pensar, e

talvez aqui pais que estão ouvindo, líderes das

igrejas, dos ministérios, entender essa realidade, se aproximar.

Então o problema não é a sexualidade em

si, é a identidade que resulta, desdobra na

questão da sexualidade, da profissão, dos relacionamentos.

Exatamente isso.

Então isso é muito legal.

Quem eu sou, para que eu estou aqui,

para onde eu estou indo.

Então, aqui fica um caminho de como a

gente olhar para as escrituras, JP, e falar

como a Bíblia pode orientar quem eu sou

para essa juventude, para onde eu estou indo,

como é o propósito de vida.

Eu acho que isso é muito legal.

Você está ajudando muita gente.

Eu imagino que quem vai ouvir aqui vai

entender muito.

Você é um jovem.

Você está com que anos?

23?

23 anos.

A idade da minha filha.

E, ouvindo aqui, eu já estava pensando, eu

tenho que fazer isso com a minha filha.

Então isso é muito bom.

E eu espero que você que está assistindo

tenha assimilado um pouco disso, nos ajudar a

entender.

Porque, quando a gente passa dessa fase da

juventude, a gente já não consegue mais se

comunicar como deveria.

E aqui está um caminho muito legal que

você fez e trouxe para nós.

Bom, já passamos do horário que deveríamos terminar,

mas vamos lá.

O papo está bom.

Eu queria fazer duas últimas perguntas para você.

Primeiro, você visitou hoje aqui o que a

gente chama de Centro de Produção das Escrituras.

Carinhosamente e popularmente falando, a nossa gráfica da

Bíblia, que existe aí há 30 anos, produziu,

nós comemoramos em novembro do ano passado, 200

milhões de escrituras produzidas aqui, desde o ano

de 1995, enviadas para várias línguas e vários

países.

Mais de 100 países do mundo, mais de

80 línguas.

E eu queria saber qual é a tua

impressão.

Como foi?

Qual foi a experiência?

Gostou?

O que você achou?

Enfim.

Eu já estou emocionado desde o começo do

nosso podcast, muito em virtude da minha experiência

com essa visita aqui.

Eu fiquei, especialmente no começo, quando ela já

começou, a nossa orientadora ali começou a falar

sobre o objetivo da Sociedade Bíblica do Brasil

em compartilhar a palavra de Deus, de modo

material mesmo falando.

E ela começou a falar do acesso de

tribos indígenas e outros povos com outras línguas.

Eu comecei a chorar ali.

Ninguém entendeu nada.

Por que você está chorando, cara?

Como assim?

Eu fiquei extremamente emocionado em pensar em como

Deus é soberano e ele é o dono

dessa missão no mundo de falar de Jesus

Cristo.

A gente só faz parte, a gente só

está cooperando nessa grande missão.

Como disse Paulo, de Deus nós somos cooperadores.

1Coríntios 3.

Então, é um processo muito profissional.

Eu fiquei impactado com o tanto de processo,

na verdade, que tem para fazer a Bíblia.

Mas, de maneira geral, o meu maior impacto

com a visita, para além do tamanho das

máquinas, da rapidez de produção, a gente estava

vendo aqui que aproximadamente 15 mil Bíblias por

dia são produzidas na gráfica.

Eu fiquei impressionado com a quantidade.

Eu comecei a pensar na minha história e

na grande história do mundo.

Que é a história que não é outra

história, senão a de um Deus que está

se revelando, que está dizendo quem ele é.

E a revelação desse Deus é por meio

da sua Palavra.

Como sabemos quem é Deus?

Como sabemos o que Ele faz no mundo?

É por meio das Escrituras.

E compartilhar as Escrituras com milhões de pessoas

é um meio de falar de Deus no

mundo.

E, especialmente para povos inalcançados, que têm línguas

tão diferentes das nossas, com as quais a

gente não consegue sequer falar oi, tudo bem

com você, ver essa produção e esse empenho

me deixou muito impactado, muito, muito, e muito

sedento para continuar falando do Senhor no mundo.

E eu tenho certeza no meu coração que

vai continuar se empenhando.

Deus é o mais interessado em se fazer

conhecido.

A obra é dele, né?

Deus é o mais interessado.

A obra de evangelizar não nasce em nós.

Ela é de Deus.

Nós só amamos o que Deus ama porque

ele ama aquilo primeiro.

Então, a fidelidade do Senhor consigo mesmo me

encoraja cada vez mais a tanto apoiar o

trabalho aqui da SBB que eu quero continuar

divulgando para o máximo de pessoas que eu

puder, para conhecerem a beleza do trabalho que

vocês têm aqui, que é sem fins lucrativos.

Isso é muito bonito.

Isso é muito bonito.

Lucro não é pecado, mas, ainda assim, ver

que tudo está funcionando sem essa motivação é

muito encorajador para mim.

E que o Senhor continue prosperando o trabalho

das mãos de cada uma das pessoas que

fazem parte disso.

Que a Palavra de Deus seja espalhada cada

vez mais em todas as línguas que nós

pudermos falar, inclusive a Bíblia em braile.

Eu fiquei impactado.

Eu comecei a chorar quando vi a Bíblia

em Braille.

Eu falei, gente, seis mil reais para produzir

uma Bíblia.

Enquanto nós produzimos uma Bíblia a cada três

segundos da Bíblia comum, a Bíblia em braile

é uma ou duas por dia.

Olha lá.

Então, olha a grande diferença.

É muita diferença.

E quantas pessoas precisam ter acesso a ela.

É uma Bíblia em braile, para ouvir, para

conhecer o Senhor.

Então, foi muito impactante para mim ver esse

trabalho.

Eu fiquei profundamente mexido e acho que vou

guardar essa experiência para o resto dos meus

dias aqui na Terra.

Isso é muito legal, porque, de fato, a

Sociedade Bíblica não é uma empresa como qualquer

outra.

A gente sempre fica meio em conflito para

dizer o que nós somos e fazemos.

Somos gráfica?

Não, não somos, mas temos uma gráfica.

Somos uma livraria?

Não, não somos, mas temos livrarias para venda

das Bíblias.

Somos o quê?

Você falou muito bem.

Nós somos uma organização sem fins lucrativos.

Nós somos uma organização missionária, de fato.

A primeira Sociedade Bíblica surge em 1804, na

Inglaterra, como fruto do movimento missionário daquele tempo,

do século XVIII para XIX.

E com a intenção de líderes de diversas

igrejas, denominações diferentes, que num propósito comum pensam

o seguinte, nós precisamos criar uma organização que

leve a Bíblia a todas as pessoas.

Em todas as línguas possíveis.

E de uma forma como elas possam pagar.

Porque a Bíblia não era fácil de ser

adquirida no passado.

Então, essa organização surge há mais de 200

anos.

Ela chega no Brasil ainda no século XIX,

trabalhando por meio da sociedade britânica e americana.

E é fundada, assumida pelos brasileiros em 1948.

Com essa missão.

Vamos lá, vamos levar a Bíblia a todas

as pessoas.

Então, a gente tem que produzir as escrituras

para as pessoas em diversos formatos, com diversos

tamanhos de letras, com meios de engajamento.

Por isso, temos Bíblias de estudo, Bíblias temáticas,

para que as pessoas também se engajem com

as escrituras, não apenas leiam.

Nós precisamos traduzir a Bíblia para várias línguas.

No Brasil, nós temos mais de 180 línguas

indígenas.

Cerca de 30, um pouco mais, de línguas

de migração, línguas minoritárias.

E são pessoas que precisam da Bíblia também.

Temos os desafios, no começo do podcast você

falou muito disso, olha, eu fazia muitas ações

sociais, e isso é legal.

Nós temos aqui, não sei se você chegou

a ver em algum momento, o que nós

chamamos de programas bíblicos de impacto social.

Nós acreditamos que a palavra de Deus nos

leva para a rua, para levar essa palavra,

para transformar a pessoa em vulnerabilidade social, a

criança, o idoso, a família, o cego, o

surdo.

Então, tudo isso, nós fazemos muitas coisas com

essa missão de levar essa palavra para transformar

a vida das pessoas.

Não entramos em questões doutrinárias, porque isso as

igrejas fazem, os seminários teológicos fazem, mas nós

queremos que todo mundo tenha a Bíblia, tenha

acesso à Bíblia.

E há muito a se fazer ainda.

Então, para finalizar, essa tua experiência aqui ajudou

a entender um pouquinho melhor do trabalho da

Sociedade Bíblica.

Você já falou que vai refletir na tua

caminhada, nós queremos agradecer por isso, para que

mais pessoas conheçam.

E aí eu termino com essa perguntinha.

Ajudou mesmo de verdade a sua compreensão dessa

realidade?

E deixe as suas palavras finais para quem

está assistindo esse nosso programa.

Com certeza ajudou.

Eu acho que minhas lágrimas falaram mais do

que mil palavras.

Então, as minhas palavras finais para quem está

assistindo isso, é que se a grande pergunta

que a gente tem que se fazer é

quem nós somos, a grande pergunta, talvez a

próxima pergunta seja, ok, então quem eu sou?

Eu gosto muito do livro Confissões de Agostinho,

porque no livro 10, ele está falando agora

diante de Deus, e ele diz algo que

na verdade é fruto daquela passagem de Coríntios,

quando Paulo está falando sobre conhecer aquele que

conhece a ele plenamente.

E Agostinho fala algo como se fosse, que

eu te conheça, oh conhecedor de mim, como

sou conhecido por ti.

A grande resposta para quem nós somos, nunca

vai estar desassociada de quem é Deus.

Para a gente responder quem eu sou nesse

mundo, o que eu estou fazendo aqui, para

que eu existo.

Para que eu vou gastar os meus dias,

no que eu vou gastar meu dinheiro, no

que eu vou gastar minhas energias, no que

eu vou gastar os meus pensamentos.

Eu não posso responder essa pergunta, se primeiro

eu não entender quem é Deus.

É a partir do conhecimento de Deus, que

eu vou descobrir para que eu nasci.

E nós fomos feitos para Ele, nós fomos

feitos para conhecê-lo.

E é no conhecimento dele, que nós chegaremos

à compreensão do nosso verdadeiro eu.

Para entender que há dois eus.

Há um eu que é um velho homem,

que vivia para as ilusões desse mundo.

Vivia se entregando para tudo aquilo que construiu,

que dizia, isso vai me fazer feliz.

Seja dinheiro, sejam relacionamentos, posses, poder.

E esse homem, que é o nosso falso

eu, esse eu narcisista, esse eu que só

pensa em si, só pensa nas suas próprias

coisas, que não consegue olhar para o outro

e amar o outro, que não consegue transcender,

que não consegue olhar para a vida e

ver que a vida é maior do que

ele mesmo.

Se encontrar com um Deus que é maior

do que ele, que se fez carne, abandonou

sua glória, habitou no meio de nós, padeceu

sob o poder de Pôncio Pilatos, ressuscitou no

terceiro dia e que vai voltar para buscar

a sua igreja.

Esse Deus, que é o infinito, se fazendo

homem e morrendo no nosso lugar, ele é

o sentido da vida.

ele é o Senhor do Universo, o Salvador

do mundo, o Cordeiro de Deus, que tira

o pecado do mundo e que é capaz

de nos mostrar que esse falso eu não

tem sentido, que ele é uma ilusão, é

uma máscara que a gente cria.

E é só quando esse falso eu, crucificado,

numa espécie de mesma cruz da qual o

nosso Senhor foi crucificado, estiver lá, é que

nós poderemos conhecer quem nós somos.

A leitura dele, para conhecê-lo e amá

-lo para sempre.

Amém.

Como diz João, estes foram escritos para que

conheçam a Cristo e, crendo, tenham vida em

seu nome.

Uma vida que não é apenas na eternidade.

Ela chegará lá, mas ela começa aqui.

Que essa seja a nossa caminhada, conhecendo a

Deus, a revelação de Deus, os propósitos de

Deus.

Isso se passa pelas Escrituras.

JP, muito obrigado por ter vindo aqui.

Você também pode visitar a gráfica da Bíblia.

Você também pode ter a sua própria impressão

do nosso Centro de Produção das Escrituras.

E você pode vir com o grupo da

sua igreja.

Basta ligar na Sociedade Bíblica, nosso telefone, entrar

em contato conosco pelas redes sociais.

Será um prazer também receber você, sua igreja,

seu grupo aqui para visitar a gráfica.

E também pode visitar depois o Museu da

Bíblia, que é aqui pertinho.

Que Deus abençoe você.

JP, obrigado pela presença, por compartilhar tanta história

bonita com a gente e abençoar as nossas

vidas hoje.

JP – Amém.

Muito obrigado, meu irmão.

Deus abençoe vocês.

Até o próximo programa Impressões.