No Programa Impressões, personalidades cristãs de diferentes áreas compartilham suas histórias de fé, vocação e serviço.
Depois de conhecerem de perto o trabalho da Sociedade Bíblica do Brasil, os convidados conversam com o Rev. Erní Seibert sobre sua relação com as Escrituras, os desafios de sua trajetória e o impacto da Bíblia em suas escolhas, ministérios e formas de contribuir com a sociedade.
São encontros com líderes, escritores, artistas, comunicadores e outras personalidades que ajudam a compreender como a Palavra de Deus continua marcando vidas e produzindo novas impressões.
Uma produção da Sociedade Bíblica do Brasil, que trabalha para tornar a Bíblia disponível e acessível a todas as pessoas.
Olá, estamos começando mais um programa Impressões.
Temos sempre convidados especiais que vêm aqui na
Sociedade Bíblica do Brasil, conhecem as instalações a
sete, e aí depois a gente faz esse
programa que esperamos seja do seu agrado e
traga muitas informações para vocês.
No programa de hoje temos um convidado especial,
como sempre são nossos convidados, o reverendo professor
Paulo Won.
Tudo bem, Paulo?
Tudo bem, reverendo Daniel.
É um prazer estar com o senhor na
SBB e em contato com toda essa estrutura
que é para beneficiar o reino de Deus.
Você é brasileiro, não é, Paulo?
Sou brasileiro nato.
Então veja...
Parece, né?
Dá para ver.
Dá para ver.
Quando eu falo para públicos fora do Brasil,
eu sempre digo a cara típica de brasileiro.
Você pode dizer o mesmo, né?
Porque brasileiro não tem cara típica.
Não tem.
Não somos todos brasileiros.
É uma mistura abençoada.
É, muito abençoada.
Mas vamos lá, como a gente não veio
falar do povo brasileiro, mas vamos falar sobre
impressões, eu queria perguntar um pouquinho para o
pessoal te conhecer melhor, como a Bíblia entrou
na vida do Paulo?
A Bíblia entrou na minha vida muito cedo.
Eu sou quarta geração de cristãos na família,
começando com a minha bisavó e eu passei
muito tempo da minha infância, praticamente cresci com
os meus avós.
E o meu avô, particularmente, sendo ele presbítero,
ele tinha um amor muito grande pela palavra
de Deus.
E ele tinha um hábito que algumas pessoas
têm, que eu vi aqui no Brasil, que
era copiar a Bíblia.
Ele copiou umas cinco vezes a Bíblia ao
longo da vida e eu sempre estava do
lado, vendo o processo dele de cópia, ajudando
às vezes ele.
Então, a primeira Bíblia que eu tive contato
na vida foi a Bíblia em coreano.
Então, lendo em coreano, aprendendo coreano, desde o
começo, desde as minhas primeiras leituras, sempre a
Bíblia esteve presente.
E a partir do momento que eu entrei
na escola, aprendi a língua portuguesa.
Eu sou brasileiro nato, mas eu aprendi a
língua portuguesa depois.
Aí a Bíblia entrou também com o processo
natural e na minha época nós usávamos a
RA, Revista e Atualizada, antes da revisão de 1995.
Então, sempre com aquela Bíblia pequenininha, com bordas
douradas, que é o imaginário de Bíblia para
mim.
Para mim, Bíblia é isso.
E sempre em contato, lendo, sendo edificado.
Então, eu creio que eu não consigo enxergar
na minha vida um momento onde a Bíblia
não esteja presente.
Não esteja presente.
Isso, ela te acompanhou toda a trajetória.
Minha fiel companheira.
E algum versículo que você guarda especial no
coração?
Às vezes pode ser muitos, mas tem algum
que te toca mais de perto?
Romanos 8.
Romanos 8 como um todo, falando daquilo que
Cristo faz em nós e como nós vivemos
a nova vida no Espírito.
Começando que já não há mais condenação para
aqueles que estão em Cristo Jesus.
Indo para os versículos áureos.
O que diremos, pois, acerca dessas coisas?
A RA está aqui.
Eu tenho contato com várias outras versões, mas
aqui nós memorizamos e aquilo que vem como,
sabe, aquele peso, não somente da palavra de
Deus, mas o peso da própria língua, o
peso das palavras utilizadas, é a antiga RA
que a gente sempre usava.
Eu acho que todos que passaram por isso
têm essa experiência.
Eu lembro muitos textos RA.
E Romanos é um texto que quem estudou
Teologia, ele começa lá com a Saudação de
Paulo e vai indo e vai indo.
Quando você ouve outras versões, você acha até...
você entende, mas às vezes não tem aquela
empatia forte, sabe?
Mas é isso.
Romanos 8, para mim, é um texto que
sempre que eu leio, sempre que eu memorizo,
penso, mexe no coração.
Que bonito, que bonito.
E a tua trajetória, porque a gente nasce
e cresce no ambiente cristão, como foi o
seu caso, e quando é que lá na
cabecinha do Paulo entrou a ideia de seguir
para o ministério pastoral?
O ministério pastoral foi algo bem precoce, o
chamado.
Então, quando criança, eu já tinha mais ou
menos a relativa convicção de que Deus estava
me chamando para o pastorado.
Dei várias voltas na vida, não fui estudar
Teologia de primeira.
Eu estudei Relações Internacionais, depois trabalhei muito tempo
no mercado financeiro, até como eu entendo que
foi o próprio agir de Deus para me
tornar mais maduro, para estudar a Bíblia melhor.
E depois, em 2005, começando a estudar oficialmente
e tendo a possibilidade de me aprofundar naquilo
que é a grande paixão na minha vida,
que é a Bíblia Sagrada.
Então eu tive a oportunidade de estudar no
Seminário Servo de Cristo, mas também me aprofundar
no mestrado em Estudos Bíblicos na Universidade de
Edimburgo, onde eu me apaixonei de vez por
aquilo que é a dificuldade da maioria dos
seminaristas, que são as línguas originais.
Então, foi um caminhar cada vez mais profundo
para dentro da Palavra de Deus.
Edimburgo você estudou.
É em Edimburgo que fica a Catedral de
Santiago.
Isso, onde pregava o John Knox, onde ele
está também enterrado em uma vaga de estacionamento.
Então foi uma experiência também muito boa de
estar em um centro de excelência e ir
estudando as línguas originais.
E toda a parte exegética, hermenêutica, foi algo
que me marcou como a maior experiência de
vida que eu já tive.
Então isso não somente consolidou a questão do
meu chamado, mas também da questão do como
eu vou exercer esse chamado.
Então hoje, ensinando as pessoas, tanto a nível
de seminário quanto online, as línguas originais, tanto
o grego e o hebraico, eu percebo que
as pessoas têm um interesse cada vez maior
pela Palavra de Deus.
Não somente em ler a Palavra de Deus,
em conhecer mais profundamente a Palavra de Deus.
Isso tem sido algo muito gratificante.
Vamos entrar um pouquinho nessa esfera de ler
a Bíblia em português e depois descobrir que
por trás tem um hebraico.
Aramaico está ali, mas as pessoas nem percebem.
Nem percebem às vezes.
E o grego, hebraico e grego.
Qual a importância que você vê para uma
pessoa para despertar nela o desejo de conhecer
os originais da Bíblia?
Eu creio que é a questão do que
a gente pensa ser a tradução.
Geralmente a gente pensa o seguinte.
Nós temos a tradução.
Eu sempre costumo falar que as nossas traduções,
o Brasil está na vanguarda da tradução bíblica
mundial.
Você pega qualquer tradução boa, ela está próxima
aos originais.
Não tem aquela que não.
Qual é a versão que está mais próxima
ou que é mais fiel?
Cada qual com a sua mitologia, ela chega
perto.
E as pessoas sabendo disso criam essa expectativa
e essa curiosidade.
O que será que esse texto que está
traduzindo em português quer dizer na sua profundidade?
Alguns chegam a perguntar o que quer dizer
de verdade?
Será que essa palavra que foi escolhida está
certa?
Ela expressa uma verdade correspondente à língua original?
E nós sabemos que todo o processo de
tradução faz com que nós percamos ao longo
do tempo certas nuances, certas coisas que nos
enriqueceriam a percepção do próprio texto bíblico.
As pessoas uma vez sabendo dessas coisas, eu
acho que têm essa curiosidade e alguns criam
essa vontade de estudar mais profundamente para poderem
estudar, não somente conhecer o texto melhor, mas
para poder pregar melhor, ensinar na escola bíblica
melhor.
Então o que eu tenho visto é que
a preocupação de aprender as línguas originais, antes
restritas aos seminaristas e aos pastores, agora tem
se difundido.
Professores de escola bíblica querem aprender.
Leigos, crentes normais do dia a dia querem
aprender.
Porque, vamos lá, conhecer a Bíblia não é
só a questão espiritual.
A questão espiritual é o centro, mas conhecer
a Bíblia nos ajuda a melhorar a nossa
cultura, o nosso repertório de vocabulário, a nossa
experiência como seres humanos.
Então a Bíblia, sendo ela um livro completo,
proporciona uma experiência completa para as pessoas.
Então, nesse mundo onde nós temos tanta coisa
sendo produzida e vendo que as pessoas ainda
têm um grande interesse nas Sagradas Escrituras, nós
vemos que as Sagradas Escrituras oferecem algo que
outras literaturas não podem oferecer.
Verdade, verdade.
Estava pensando em dar um exemplo para quem
está acompanhando o nosso programa.
Pegar João 1.
No princípio era o verbo en archē, ēn ho logos.
A palavrinha logos, por exemplo, é um exemplo
clássico.
O que será esse logos?
Será que esse logos é uma mera correspondência
do davar Elohim?
Que está no Antigo Testamento.
Ou evoca aspectos da própria filosofia do mundo,
dentro do qual o Novo Testamento foi escrito,
que nós não podemos ignorar, porque a língua
é contingente à sua cultura maior.
Então o que será que João está falando?
Será que João está falando algo além daquilo
que nós traduzimos simplesmente como verbo ou como
palavra?
Então isso daí é fascinante.
Esse trabalho de pensar, não somente lendo as
linhas, mas lendo as entrelinhas daquilo que nós
temos no texto, é um negócio fascinante.
Eu peguei primeiro o João, logos, chama a
atenção.
Mas e o archê?
A filosofia lida com isso toda hora.
Nós estamos falando de princípio.
Que tipo de princípio?
É um princípio vital, é um princípio lógico?
Então você consegue viajar em muitos universos com
essa palavrinha.
Legal.
E tem um outro aspecto também que é
o acadêmico e o espiritual.
Quando a gente entra dentro desse mundo acadêmico,
às vezes ele é tão fascinante que a
gente esquece de o que isso significa para
mim, o que Deus fala para mim através
disso.
Como é que você vê esses dois lados
da mesma moeda?
O filósofo e pensador cristão James K. A. Smith,
ao falar sobre a jornada de Agostinho, Agostinho
de Ipona, ele usa uma imagem que eu
acho que expressa muito bem essa ideia.
Nós estamos numa jornada, nós pegamos o barco,
estamos atravessando o oceano, indo para o nosso
destino.
Eu creio que nós podemos ficar muito mais
apaixonados pelo barco do que pelo destino.
Então a academia nos oferece informações que são
informações fascinantes.
E muitas pessoas param aí pelo fascínio pela
informação e a informação pela informação.
Agora, como nos ensinou o apóstolo Paulo, toda
Palavra de Deus, inspirada pelo Espírito Santo, cumpre
um propósito para além da formação, da exortação,
cumpre o princípio que todo homem de Deus
possa ter boas obras e possa viver segundo
a vontade de Deus.
Isso fala da nossa espiritualidade.
Então, encarar e revestir-se da verdade que
a Bíblia é a Palavra de Deus, que
não apenas informa, mas nos transforma, que supre
as nossas necessidades mais interiores, às vezes não
é de um bom conceito teológico que você
está precisando num momento de desespero.
Às vezes um salmo que você abre, e
Deus, na simplicidade daquelas palavras falando com você,
e aquilo reverberando o seu coração, e você
tendo a certeza de que o Deus que
falou há 3 mil anos é o
mesmo Deus que te acompanha, eu acho que
é essa experiência de espiritualidade que as pessoas
querem ter.
Mas às vezes as pessoas param no estágio
anterior, que é se enfeitiçar pelos floreios, pelas
palavras, pelos conceitos.
Tem várias expressões na Bíblia que quando você
falava eu fui lembrando.
Sábios para a salvação pela fé em Cristo
Jesus.
Ele aponta o destino, a salvação pela fé
em Cristo Jesus.
Como é bonito isso, que a palavra de
Deus é Deus que fala conosco.
Com certeza.
Essa semana alguém me comentou, para reforçar o
que você disse, que a pessoa disse para
ele, olha, eu não escuto Deus, não escuto
Deus.
Ele disse, leia a Bíblia.
É, mas eu não escuto, então leia em
voz alta.
Ou leia um áudio, uma Bíblia em áudio.
Que você vai escutar a voz de Deus.
Porque Deus fala conosco de uma maneira tão
simples e singela que muitas vezes nós duvidamos
que é Deus falando conosco.
Mas é Deus falando conosco, está lá escrito.
Deus é bom.
E é bom para conosco.
Vamos agora, essa palavra para os líderes da
igreja.
O que você diria para um líder da
igreja?
Por que ele deveria estudar e aprofundar seu
conhecimento bíblico?
Se uma pessoa é líder da igreja, independente
se é pastor, presbítero, diácono, ou professor de
escola dominical, ou uma pessoa que está lá
à frente acolhendo as pessoas, eu creio que
a Palavra de Deus não somente é importante,
mas é essencial e imprescindível.
Primeiro porque nós conhecemos quem é esse Deus
com o qual nós estamos nos relacionando.
Conhece a essência daquilo que é a vida
cristã, ou seja, viver a salvação do nosso
dia a dia.
E conhecer qual é o propósito que Deus
tem para nós participarmos desse grande projeto que
ele nos chama.
Então tudo isso está escrito nas Escrituras.
Então eu creio que um dos maiores problemas
que nós temos é um certo tipo de
analfabetismo bíblico ainda, muito presente em nossas igrejas.
Pessoas que, por exemplo, não são incentivadas a
ler continuamente a Palavra de Deus, que são
incentivadas a pensar certas coisas convenientes.
A Palavra de Deus é tão boa que
mesmo quando você pensa, o efeito é bom.
Deus pode mudar e transformar vidas.
Mas imagine você ler a Palavra de Deus
como um todo.
Eu acho que no nosso mundo, onde todo
mundo quer as coisas muito rápido, muito pronto,
nós perdemos a capacidade de prepararmos as coisas,
de termos paciência.
Não sei se é adequado falar isso, mas
nós precisamos ter paciência para Deus falar conosco.
Às vezes Deus não quer falar conosco na
velocidade 2x do WhatsApp.
Deus quer falar conosco de forma pausada, de
forma espaçada.
Tudo isso por meio da leitura da palavra
de Deus, por meio do ensino correto das
Escrituras.
Então no mundo totalmente de pernas para o
ar, tudo em uma velocidade que faz mal
para a nossa saúde.
Estonteante.
A gente fica zonzo às vezes.
Nós precisamos ter os nossos pés firmados naquilo
que não se abala com o tempo.
Então ler a Palavra de Deus, promover a
leitura da Palavra de Deus, são coisas que
são fáceis de fazer no contexto da igreja.
E a liderança se beneficia muito com isso,
porque o líder passa a liderar de acordo
com o coração de Deus, e não de
acordo com seus próprios pressupostos.
É a palavra que influencia a vida dele.
Sim, porque eu creio que Deus nos chama
como agentes de transformação e como agentes da
palavra.
Uma vez eu ouvi assim, a primeira Bíblia
que o ímpio vai ler é a sua
vida.
Assim, tudo bem, você entende o que a
pessoa está falando, mas que você então seja
uma encarnação fiel daquilo que as Sagradas Escrituras
nos dizem.
Então se você está num ponto de liderança,
você tem que mostrar como Paulo batia no
peito e falava, me imitem como eu imito
a Cristo.
Então o líder tem que fazer isso.
Para imitar a Cristo, tem que conhecer a
Palavra de Deus.
Muito legal.
Agora vamos entrar um pouquinho na sua visita
e sobre as impressões da sua visita.
Por onde é que você quer começar as
suas impressões para compartilhar com o pessoal que
está nos acompanhando?
Olha, nessa parte da gráfica, foi a primeira
vez que eu vim.
Eu já conhecia o Museu da Bíblia, já
tinha feito visitas, inclusive com turmas do seminário.
E visitar aqui foi muito especial, porque para
mim, eu gosto muito de livro.
Para mim, livro é uma experiência transformadora.
E nós estamos falando do livro dos livros.
Você pegar a Bíblia bem acabadinha, embaladinha, aquele
cheiro de novo, você abre a Bíblia nova,
você tem que até separar as páginas, porque
o negócio dourado está grudado.
Isso é uma experiência muito rica, mas ver
como isso é produzido aqui, faz você ter
um sentimento de gratidão ainda mais, ainda maior
para Deus, que possibilitou ter a SBB, uma
estrutura tão grande, de tão excelência.
O senhor tinha falado que a média é
de termos uma Bíblia a cada três segundos.
E numa qualidade de impressão, um cuidado, nós
visitamos as máquinas que fazem as costuras e
as irmãs que também costuram certas partes manuais.
Então não é um trabalho apenas de máquina.
Mecânico.
Mecânico.
Existem várias etapas de verificação do texto, de
você pegar certas lacunas, imperfeições, corrigi-las, sem
contar toda a parte de diagramação que nós
vimos aqui, de pessoas que ficam aqui oito
horas só lidando na frente do computador com
o tamanho da fonte.
Então você que é o nosso ouvinte e
o nosso espectador pode ter a certeza de
que a Bíblia que nós temos em mãos
passou por um processo muito fino de cuidado,
que eu tenho a certeza, que é feito
com muito amor.
Mas a despeito de tudo isso, ainda assim,
a parte que mais tocou meu coração foi
a parte daquela salinha do braile.
Uma maquininha produzindo cada página num tempo que
saiu uma Bíblia, né?
É uma página lá sendo cuspida num tempo
em que uma Bíblia inteira impressa normal sairia.
Mas atingindo pessoas tão especiais que precisam, por
não enxergar com a ponta dos dedos ainda
assim, ver pra eles o que Deus tem
pra eles, né?
A Palavra de Deus.
Então foi a parte mais especial.
Talvez é a menor salinha da SBB, mas
pra mim estar lá foi sensacional, porque desde
quando a gente soube que a SBB tinha
esse projeto, falei, nossa, a Sociedade Bíblica acertou
no alvo, porque esse é um dos motivos
da Sociedade Bíblica existir, de atingir inclusive pessoas
inalcançadas.
Pessoas que são minoria, mas que merecem receber
a Palavra de Deus na sua integridade.
Tem uma Bíblia que você viu que não
é uma Bíblia, é uma porção bíblica pra
criança.
Eu vi que lá é um projeto novo,
né?
Com texto e com desenhos para os pais
poderem se localizar, porque às vezes os pais
enxergam, não lembrarem.
Apostilas.
Gente, é um cuidado tão especial.
As crianças, né?
O jovem ler a Bíblia já é algo
muito importante.
Crianças cegas poderem ter contato com a luz
do mundo, que é Jesus Cristo por meio
da palavra, é algo muito emocionante, muito legal.
A Bíblia em braile é um negócio tocante,
de fato.
Tocante.
Tocante.
Eu estive numa convenção de igreja na semana
passada, contei pra você, um pastor que estava
na fileira sentado atrás de mim.
E o cego, você nota, mesmo que ele
não tenha os óculos escuros, a vista dele
está mais parada, porque ele não tem onde
fixar a vista.
E aí eles me disseram, esse senhor é
um pastor e a Bíblia dele é uma
Bíblia em braile.
Eu não consegui conversar com ele muito, cumprimentei
ele.
E a gente, pra cumprimentar o cego, tem
que pegar a mão dele.
Ah, sim.
Ele foi muito carinhoso, ele foi homenageado lá.
Mas como é importante esse ministério, que a
igreja desperte pra essas pessoas com necessidades especiais,
não é, Nelson?
Isso é o que nós podemos fazer como
inclusão.
Não é só inclusão social, é inclusão espiritual,
é inclusão no reino de Deus.
Tem cegos que, com aquele conhecimento que eles
têm pela leitura da Bíblia em braile, eles,
por vezes, preparam mensagens maravilhosas.
E eles têm uma sensibilidade diferente da nossa.
Então, às vezes, eles estão lendo um texto
cuja percepção é diferente daquilo que nós teríamos
normalmente.
E isso, com certeza, enriquece muito o ensino,
a igreja ser edificada por tudo isso.
A igreja vê que pessoas que têm deficiência
ou limitações, elas também têm voz, têm preeminência,
elas também fazem parte da vida ativa da
igreja.
Sem contar nos projetos de Libras, nos projetos
de Bíblia em áudio também.
Eu acho que são coisas que fogem um
pouquinho do mundo das impressões, daquilo que é
impresso, daquilo que sai da gráfica, mas que
dá aquele sentimento de que não está ficando
completo, estamos preenchendo as lacunas.
Você mencionou Libras.
Libras é para a pessoa língua brasileira de
sinais.
É o que significa um acrônimo, as primeiras
letras.
E para essas pessoas que são surdas, elas
precisam da língua de sinais para se comunicar,
essas pessoas são o público menos alcançado em
missões.
Sim, sim.
Nós estamos num projeto de tradução da Bíblia
em Libras aqui na Sociedade Bíblica.
Então, até criar uma equipe de surdos, nós
já temos duas ou três equipes que estão
trabalhando, são orientadas, tem consultores que ajudam, mas,
por exemplo, explicar o rio Jordão, o Mar
da Galiléia, e assim por diante, coisas que
para nós, ouvintes e que temos a visão,
a gente vai aprendendo naturalmente esses conceitos, ou
conceitos que não são tão tocáveis como remissão
dos pecados.
Olha só.
Para colocar isso em sinais que a outra
pessoa surda entende e é tocada pela mensagem.
É um desafio.
É um desafio.
Muitos anos eu estive numa igreja, igreja profissional
de Cuiabá, que tem um ministério muito forte
de surdos, e eles geralmente vêm assim, pastor,
eu quero que o senhor me explique alguns
termos que eu sei que o senhor vai
usar, por exemplo, propiciação.
Como é que vai se explicar propiciação, remissão?
Tem certos termos que são tão importantes dentro
da teologia, dentro da Palavra de Deus, que
até para nós que conhecemos a língua, é
difícil às vezes de explicar.
E nós acessarmos um outro universo, que é
o universo dos nossos irmãos cegos, surdos, e
conseguir fazer isso com excelência e transmitir a
Palavra de Deus, eu creio que é um
avanço muito grande, muito grande, muito grande.
Você foi a primeira vez que veio nos
visitar aqui na sede da Sociedade Bíblica do Brasil.
O que você diria para uma pessoa que
está assistindo o nosso programa?
Você pode fazer um convite para ele agora
para vir.
O que você diria?
Venha que vale a pena.
Por que que vale a pena?
Eu acho que só a experiência de ver
coisas diferentes, de ver coisas grandes.
Você às vezes vai na loja que você
vai lá comprar a Bíblia, você vê dez
Bíblias empilhadas.
Aqui você vê milhares, dezenas de milhares de
miolos, de cadernos, de capas.
Então já é uma visita formidável pela quantidade
de coisas que você pode ver e pelo
processo.
Eu creio que você deve visitar, se você
puder vir visitar, de fazer um grupo e
vir aqui, é muito importante por vários aspectos.
Um, porque eu creio que as pessoas dão
mais valor quando você vê como que tudo
é preparado com carinho.
Uma Bíblia que seja singela, do tamanho de
uma espada ou da miniatura de um canivete,
é feita com tanto carinho que você passa
a ter um coração grato.
Eu saio daqui com um coração grato a
Deus pelo trabalho da SBB.
Também é importante porque te dá um referencial
mais analógico da vida.
Principalmente para aquelas pessoas que vivem à base
celular, você vem ver um negócio físico, Bíblia
física, e Bíblia geralmente a gente tem esse
apego físico, como ela é formada, como ela
é diagramada, como tudo é uma experiência muito
boa.
Mas também eu creio que a visita aqui,
conhecer a estrutura é algo muito positivo para
as pessoas terem a dimensão do que a
SBB faz.
O senhor me disse há pouco que a
SBB é a maior doadora de livros no
Brasil.
Isso pouca gente sabe.
Isso é graças ao trabalho da SBB, mas
graças ao trabalho de igrejas que são parceiras
da SBB.
Eu acho que isso é algo muito fornidável,
porque a SBB não subsiste por ela e
para ela.
Ela tem braços estendidos que alcançam as igrejas.
Isso é o trabalho do reino de Deus.
Pelas igrejas, pelas comunidades, pelas igrejas que compram
um lote de Bíblia e dão.
O senhor tinha me perguntado qual provavelmente a
sua primeira Bíblia foi uma Bíblia recebida de
graça.
De fato foi.
De fato foi.
Às vezes aquela Bíblia mais simples, com capa
de papel.
Mas é a Bíblia que você tem um
carinho enorme, porque foi a primeira.
Foi por meio dela que você compreendeu muitas
coisas da Palavra de Deus, vê como tudo
isso funciona e vê a dimensão da nossa
SBB, que em termos mundiais, geralmente o brasileiro
tem aquele negócio de síndrome de vira-lata.
O que o brasileiro faz?
Eu tenho a certeza que em termos de
traduções bíblicas, o Brasil está na vanguarda.
Não perde para ninguém, de verdade, se não
estiver em primeiro lugar.
Mas em termos também de impressão bíblica, de
material bíblico físico, mas não somente restrito ao
físico.
O como a SBB também, isso me impressionou,
de verdade.
Na nossa visita, o quanto de Bíblia em
espanhol que eu vi.
Eu acho que eu vi mais Bíblia em
espanhol no momento, isso depende do momento, da
gráfica, mas mais Bíblia em espanhol do que
Bíblia em português.
Isso é formidável, porque os nossos irmãos de
fala hispânica precisam da Palavra de Deus.
E nós temos muito mais falantes de espanhol
do que falantes de língua portuguesa no mundo,
se não me engano.
Muito mais países.
É um campo extraordinário.
Aqui no nosso quintal, na América do Sul,
da América Latina, México para baixo, o quanto
a SBB ainda pode ser um instrumento ainda
mais útil na promoção da Palavra de Deus.
Então é uma impressão minha formidável, saio daqui
com o coração muito alegre, de todo esse
processo de impressões aos milhares, coisa na casa
dos exponenciais que a SBB faz.
Parabéns, é uma visita que vale mesmo a
pena você que é crente, pastor, trazer a
sua membresia para conhecer.
Porque com certeza todo mundo vai sair daqui
com o coração com certeza mais grato a
Deus pela Bíblia.
Tem uma frase que a gente repete muito
aqui na Sociedade Bíblica.
É importante ter a Bíblia.
Ter uma Bíblia em casa é muito importante,
mas não basta.
Tem que ler a Bíblia.
Importante ler a Bíblia para conhecer, mas também
não basta.
Eu quando dava aula de teologia, dizia aos
meus alunos, quando você conhece a Bíblia toda,
você está que nem o diabo.
O diabo conhece a Bíblia toda, não tem
muita vantagem.
Ele conhece até bem melhor.
Então, ler para conhecer.
Mas aí você deve crer na Bíblia.
Confiar naquilo que ela diz, colocar aquilo como
centro da sua vida, que o centro da
Bíblia é Jesus, Jesus vai ser o centro
da minha vida.
Mas aí você vai viver a Bíblia.
Viver é pôr em prática aquilo que você
aprendeu, seguir aqueles ensinamentos.
E finalmente você vai compartilhar a Bíblia.
E isso é o que a gente vê,
como os nossos pais, os seus pais, os
irmãos fazem.
Quando alguém chega ao contato com a igreja
ou com o Evangelho, ele recebe uma Bíblia,
ele é compartilhado.
E isso a gente coloca, essa é a
grande sociedade da Bíblia.
É, a grande sociedade da Bíblia.
Isso eu acho tão especial, porque isso é
algo mundial, algo universal.
É a nossa linguagem do amor.
É a nossa linguagem de prestigiar alguém, de
dizer, ó, isso é o que eu creio,
isso é a coisa mais importante, isso é
o que eu estou compartilhando com você.
Muito bem, meu reverendo, professor Paulo.
Que alegria, eu acho que vocês todos também
ficaram impressionados com a simpatia, o carinho, a
firmeza no que ele ensina.
Muito obrigado pela sua visita.
Você quer dar uma palavra de despedida para
os que estão nos acompanhando nesse programa Impressões?
Primeiro, mais uma vez, parabéns a todo o
trabalho da SBB.
A minha oração é que Deus continue abençoando
toda essa casa, todos os braços de atuação,
as regionais, as igrejas que são parceiras da
SBB.
E a minha oração é que as Bíblias
produzidas pela SBB sejam um instrumento para nós
apressarmos a vinda de Jesus até onde estiver
alguém que não conhece Jesus, que a SBB
possa ser um instrumento de que a Palavra
de Deus, ou porções da Palavra de Deus,
possam chegar cada vez mais longe, por meio
físico ou por meio digital, não importa, mas
que a Palavra de Deus seja anunciada a
todos, porque essa é a nossa missão.
E até aqui o senhor tem ajudado, e
eu tenho a certeza, reverendo, que Deus há
de sustentar essa obra até o fim.
Amém, muito obrigado Paulo, muito obrigado vocês que
nos acompanharam.
Que Deus abençoe a todos e que a
gente possa participar dessa grande sociedade da Bíblia
todos os dias.
Um abraço a todos.
Um abraço.