Programa Impressões

No quarto episódio do Programa Impressões, Paulo Won compartilha como a Bíblia esteve presente em sua vida desde a infância, inicialmente em coreano e depois em português. Ele relembra a influência de seu avô, sua trajetória até o ministério pastoral e o aprofundamento dos estudos bíblicos, especialmente nas línguas originais.

A conversa aborda a relação entre estudo acadêmico e vida espiritual. Paulo explica que o conhecimento de hebraico e grego pode ampliar a compreensão das Escrituras, mas não deve se tornar um fim em si mesmo: a Bíblia informa, forma e transforma, conduzindo a pessoa ao relacionamento com Deus e à prática da fé.

O episódio também destaca a responsabilidade de pastores, presbíteros, diáconos, professores e demais lideranças na promoção da leitura bíblica. Em uma realidade marcada pela pressa e pela fragmentação, os participantes ressaltam a necessidade de ouvir a Palavra de Deus com atenção e permitir que ela oriente a vida e o serviço cristão.

Ao conhecer o Centro de Produção da Bíblia, Paulo se impressiona com a qualidade e o cuidado presentes em cada etapa. A produção da Bíblia em braile e os projetos em Libras recebem destaque como expressões concretas da missão de tornar a Palavra de Deus acessível a todas as pessoas.

Neste episódio
  • a presença da Bíblia na infância e na formação de Paulo Won;
  • Romanos 8 e a nova vida em Cristo;
  • hebraico e grego como ferramentas para compreender melhor as Escrituras;
  • o equilíbrio entre conhecimento acadêmico e espiritualidade;
  • a importância da alfabetização bíblica para a liderança cristã;
  • o processo de produção de Bíblias no Brasil;
  • a Bíblia em braile, Libras e outros recursos de acessibilidade.

Links
Página do episódio
Página do Programa Impressões

Créditos
Apresentação: Rev. Erní Seibert
Participação: Rev. Paulo Won
Produção e realização: Sociedade Bíblica do Brasil
Edição e captação: Área de Comunicação Social da SBB

Acompanhe os conteúdos da Sociedade Bíblica do Brasil e conheça outros projetos que promovem a causa da Bíblia.

Creators and Guests

Host
Rev. Dr. Erní Walter Seibert
Diretor-presidente da Sociedade Bíblica do Brasil (SBB); bacharel em Teologia pelo Seminário Concórdia, em Porto Alegre (RS); mestre em Teologia pelo Seminário Concórdia de São Leopoldo (RS); doutor em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Bernardo do Campo (SP); e MBA em Marketing de Serviços pela Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo (USP).
Guest
Paulo Won
Brasileiro, filho de pai coreano e mãe mineira. Desde a infância, teve contato com a Bíblia e com a vida cristã, percebendo ainda cedo o chamado para o ministério pastoral. Antes de estudar Teologia, formou-se em Relações Internacionais e trabalhou no mercado financeiro. Em 2005, iniciou sua formação teológica no Seminário Servo de Cristo e, posteriormente, concluiu o mestrado em Estudos Bíblicos na Universidade de Edimburgo, na Escócia. Sua atuação se concentra no ensino da Bíblia e das línguas originais — especialmente grego e hebraico — em seminários e ambientes digitais.

What is Programa Impressões?

No Programa Impressões, personalidades cristãs de diferentes áreas compartilham suas histórias de fé, vocação e serviço.

Depois de conhecerem de perto o trabalho da Sociedade Bíblica do Brasil, os convidados conversam com o Rev. Erní Seibert sobre sua relação com as Escrituras, os desafios de sua trajetória e o impacto da Bíblia em suas escolhas, ministérios e formas de contribuir com a sociedade.

São encontros com líderes, escritores, artistas, comunicadores e outras personalidades que ajudam a compreender como a Palavra de Deus continua marcando vidas e produzindo novas impressões.

Uma produção da Sociedade Bíblica do Brasil, que trabalha para tornar a Bíblia disponível e acessível a todas as pessoas.

Olá, estamos começando mais um programa Impressões.

Temos sempre convidados especiais que vêm aqui na

Sociedade Bíblica do Brasil, conhecem as instalações a

sete, e aí depois a gente faz esse

programa que esperamos seja do seu agrado e

traga muitas informações para vocês.

No programa de hoje temos um convidado especial,

como sempre são nossos convidados, o reverendo professor

Paulo Won.

Tudo bem, Paulo?

Tudo bem, reverendo Daniel.

É um prazer estar com o senhor na

SBB e em contato com toda essa estrutura

que é para beneficiar o reino de Deus.

Você é brasileiro, não é, Paulo?

Sou brasileiro nato.

Então veja...

Parece, né?

Dá para ver.

Dá para ver.

Quando eu falo para públicos fora do Brasil,

eu sempre digo a cara típica de brasileiro.

Você pode dizer o mesmo, né?

Porque brasileiro não tem cara típica.

Não tem.

Não somos todos brasileiros.

É uma mistura abençoada.

É, muito abençoada.

Mas vamos lá, como a gente não veio

falar do povo brasileiro, mas vamos falar sobre

impressões, eu queria perguntar um pouquinho para o

pessoal te conhecer melhor, como a Bíblia entrou

na vida do Paulo?

A Bíblia entrou na minha vida muito cedo.

Eu sou quarta geração de cristãos na família,

começando com a minha bisavó e eu passei

muito tempo da minha infância, praticamente cresci com

os meus avós.

E o meu avô, particularmente, sendo ele presbítero,

ele tinha um amor muito grande pela palavra

de Deus.

E ele tinha um hábito que algumas pessoas

têm, que eu vi aqui no Brasil, que

era copiar a Bíblia.

Ele copiou umas cinco vezes a Bíblia ao

longo da vida e eu sempre estava do

lado, vendo o processo dele de cópia, ajudando

às vezes ele.

Então, a primeira Bíblia que eu tive contato

na vida foi a Bíblia em coreano.

Então, lendo em coreano, aprendendo coreano, desde o

começo, desde as minhas primeiras leituras, sempre a

Bíblia esteve presente.

E a partir do momento que eu entrei

na escola, aprendi a língua portuguesa.

Eu sou brasileiro nato, mas eu aprendi a

língua portuguesa depois.

Aí a Bíblia entrou também com o processo

natural e na minha época nós usávamos a

RA, Revista e Atualizada, antes da revisão de 1995.

Então, sempre com aquela Bíblia pequenininha, com bordas

douradas, que é o imaginário de Bíblia para

mim.

Para mim, Bíblia é isso.

E sempre em contato, lendo, sendo edificado.

Então, eu creio que eu não consigo enxergar

na minha vida um momento onde a Bíblia

não esteja presente.

Não esteja presente.

Isso, ela te acompanhou toda a trajetória.

Minha fiel companheira.

E algum versículo que você guarda especial no

coração?

Às vezes pode ser muitos, mas tem algum

que te toca mais de perto?

Romanos 8.

Romanos 8 como um todo, falando daquilo que

Cristo faz em nós e como nós vivemos

a nova vida no Espírito.

Começando que já não há mais condenação para

aqueles que estão em Cristo Jesus.

Indo para os versículos áureos.

O que diremos, pois, acerca dessas coisas?

A RA está aqui.

Eu tenho contato com várias outras versões, mas

aqui nós memorizamos e aquilo que vem como,

sabe, aquele peso, não somente da palavra de

Deus, mas o peso da própria língua, o

peso das palavras utilizadas, é a antiga RA

que a gente sempre usava.

Eu acho que todos que passaram por isso

têm essa experiência.

Eu lembro muitos textos RA.

E Romanos é um texto que quem estudou

Teologia, ele começa lá com a Saudação de

Paulo e vai indo e vai indo.

Quando você ouve outras versões, você acha até...

você entende, mas às vezes não tem aquela

empatia forte, sabe?

Mas é isso.

Romanos 8, para mim, é um texto que

sempre que eu leio, sempre que eu memorizo,

penso, mexe no coração.

Que bonito, que bonito.

E a tua trajetória, porque a gente nasce

e cresce no ambiente cristão, como foi o

seu caso, e quando é que lá na

cabecinha do Paulo entrou a ideia de seguir

para o ministério pastoral?

O ministério pastoral foi algo bem precoce, o

chamado.

Então, quando criança, eu já tinha mais ou

menos a relativa convicção de que Deus estava

me chamando para o pastorado.

Dei várias voltas na vida, não fui estudar

Teologia de primeira.

Eu estudei Relações Internacionais, depois trabalhei muito tempo

no mercado financeiro, até como eu entendo que

foi o próprio agir de Deus para me

tornar mais maduro, para estudar a Bíblia melhor.

E depois, em 2005, começando a estudar oficialmente

e tendo a possibilidade de me aprofundar naquilo

que é a grande paixão na minha vida,

que é a Bíblia Sagrada.

Então eu tive a oportunidade de estudar no

Seminário Servo de Cristo, mas também me aprofundar

no mestrado em Estudos Bíblicos na Universidade de

Edimburgo, onde eu me apaixonei de vez por

aquilo que é a dificuldade da maioria dos

seminaristas, que são as línguas originais.

Então, foi um caminhar cada vez mais profundo

para dentro da Palavra de Deus.

Edimburgo você estudou.

É em Edimburgo que fica a Catedral de

Santiago.

Isso, onde pregava o John Knox, onde ele

está também enterrado em uma vaga de estacionamento.

Então foi uma experiência também muito boa de

estar em um centro de excelência e ir

estudando as línguas originais.

E toda a parte exegética, hermenêutica, foi algo

que me marcou como a maior experiência de

vida que eu já tive.

Então isso não somente consolidou a questão do

meu chamado, mas também da questão do como

eu vou exercer esse chamado.

Então hoje, ensinando as pessoas, tanto a nível

de seminário quanto online, as línguas originais, tanto

o grego e o hebraico, eu percebo que

as pessoas têm um interesse cada vez maior

pela Palavra de Deus.

Não somente em ler a Palavra de Deus,

em conhecer mais profundamente a Palavra de Deus.

Isso tem sido algo muito gratificante.

Vamos entrar um pouquinho nessa esfera de ler

a Bíblia em português e depois descobrir que

por trás tem um hebraico.

Aramaico está ali, mas as pessoas nem percebem.

Nem percebem às vezes.

E o grego, hebraico e grego.

Qual a importância que você vê para uma

pessoa para despertar nela o desejo de conhecer

os originais da Bíblia?

Eu creio que é a questão do que

a gente pensa ser a tradução.

Geralmente a gente pensa o seguinte.

Nós temos a tradução.

Eu sempre costumo falar que as nossas traduções,

o Brasil está na vanguarda da tradução bíblica

mundial.

Você pega qualquer tradução boa, ela está próxima

aos originais.

Não tem aquela que não.

Qual é a versão que está mais próxima

ou que é mais fiel?

Cada qual com a sua mitologia, ela chega

perto.

E as pessoas sabendo disso criam essa expectativa

e essa curiosidade.

O que será que esse texto que está

traduzindo em português quer dizer na sua profundidade?

Alguns chegam a perguntar o que quer dizer

de verdade?

Será que essa palavra que foi escolhida está

certa?

Ela expressa uma verdade correspondente à língua original?

E nós sabemos que todo o processo de

tradução faz com que nós percamos ao longo

do tempo certas nuances, certas coisas que nos

enriqueceriam a percepção do próprio texto bíblico.

As pessoas uma vez sabendo dessas coisas, eu

acho que têm essa curiosidade e alguns criam

essa vontade de estudar mais profundamente para poderem

estudar, não somente conhecer o texto melhor, mas

para poder pregar melhor, ensinar na escola bíblica

melhor.

Então o que eu tenho visto é que

a preocupação de aprender as línguas originais, antes

restritas aos seminaristas e aos pastores, agora tem

se difundido.

Professores de escola bíblica querem aprender.

Leigos, crentes normais do dia a dia querem

aprender.

Porque, vamos lá, conhecer a Bíblia não é

só a questão espiritual.

A questão espiritual é o centro, mas conhecer

a Bíblia nos ajuda a melhorar a nossa

cultura, o nosso repertório de vocabulário, a nossa

experiência como seres humanos.

Então a Bíblia, sendo ela um livro completo,

proporciona uma experiência completa para as pessoas.

Então, nesse mundo onde nós temos tanta coisa

sendo produzida e vendo que as pessoas ainda

têm um grande interesse nas Sagradas Escrituras, nós

vemos que as Sagradas Escrituras oferecem algo que

outras literaturas não podem oferecer.

Verdade, verdade.

Estava pensando em dar um exemplo para quem

está acompanhando o nosso programa.

Pegar João 1.

No princípio era o verbo en archē, ēn ho logos.

A palavrinha logos, por exemplo, é um exemplo

clássico.

O que será esse logos?

Será que esse logos é uma mera correspondência

do davar Elohim?

Que está no Antigo Testamento.

Ou evoca aspectos da própria filosofia do mundo,

dentro do qual o Novo Testamento foi escrito,

que nós não podemos ignorar, porque a língua

é contingente à sua cultura maior.

Então o que será que João está falando?

Será que João está falando algo além daquilo

que nós traduzimos simplesmente como verbo ou como

palavra?

Então isso daí é fascinante.

Esse trabalho de pensar, não somente lendo as

linhas, mas lendo as entrelinhas daquilo que nós

temos no texto, é um negócio fascinante.

Eu peguei primeiro o João, logos, chama a

atenção.

Mas e o archê?

A filosofia lida com isso toda hora.

Nós estamos falando de princípio.

Que tipo de princípio?

É um princípio vital, é um princípio lógico?

Então você consegue viajar em muitos universos com

essa palavrinha.

Legal.

E tem um outro aspecto também que é

o acadêmico e o espiritual.

Quando a gente entra dentro desse mundo acadêmico,

às vezes ele é tão fascinante que a

gente esquece de o que isso significa para

mim, o que Deus fala para mim através

disso.

Como é que você vê esses dois lados

da mesma moeda?

O filósofo e pensador cristão James K. A. Smith,

ao falar sobre a jornada de Agostinho, Agostinho

de Ipona, ele usa uma imagem que eu

acho que expressa muito bem essa ideia.

Nós estamos numa jornada, nós pegamos o barco,

estamos atravessando o oceano, indo para o nosso

destino.

Eu creio que nós podemos ficar muito mais

apaixonados pelo barco do que pelo destino.

Então a academia nos oferece informações que são

informações fascinantes.

E muitas pessoas param aí pelo fascínio pela

informação e a informação pela informação.

Agora, como nos ensinou o apóstolo Paulo, toda

Palavra de Deus, inspirada pelo Espírito Santo, cumpre

um propósito para além da formação, da exortação,

cumpre o princípio que todo homem de Deus

possa ter boas obras e possa viver segundo

a vontade de Deus.

Isso fala da nossa espiritualidade.

Então, encarar e revestir-se da verdade que

a Bíblia é a Palavra de Deus, que

não apenas informa, mas nos transforma, que supre

as nossas necessidades mais interiores, às vezes não

é de um bom conceito teológico que você

está precisando num momento de desespero.

Às vezes um salmo que você abre, e

Deus, na simplicidade daquelas palavras falando com você,

e aquilo reverberando o seu coração, e você

tendo a certeza de que o Deus que

falou há 3 mil anos é o

mesmo Deus que te acompanha, eu acho que

é essa experiência de espiritualidade que as pessoas

querem ter.

Mas às vezes as pessoas param no estágio

anterior, que é se enfeitiçar pelos floreios, pelas

palavras, pelos conceitos.

Tem várias expressões na Bíblia que quando você

falava eu fui lembrando.

Sábios para a salvação pela fé em Cristo

Jesus.

Ele aponta o destino, a salvação pela fé

em Cristo Jesus.

Como é bonito isso, que a palavra de

Deus é Deus que fala conosco.

Com certeza.

Essa semana alguém me comentou, para reforçar o

que você disse, que a pessoa disse para

ele, olha, eu não escuto Deus, não escuto

Deus.

Ele disse, leia a Bíblia.

É, mas eu não escuto, então leia em

voz alta.

Ou leia um áudio, uma Bíblia em áudio.

Que você vai escutar a voz de Deus.

Porque Deus fala conosco de uma maneira tão

simples e singela que muitas vezes nós duvidamos

que é Deus falando conosco.

Mas é Deus falando conosco, está lá escrito.

Deus é bom.

E é bom para conosco.

Vamos agora, essa palavra para os líderes da

igreja.

O que você diria para um líder da

igreja?

Por que ele deveria estudar e aprofundar seu

conhecimento bíblico?

Se uma pessoa é líder da igreja, independente

se é pastor, presbítero, diácono, ou professor de

escola dominical, ou uma pessoa que está lá

à frente acolhendo as pessoas, eu creio que

a Palavra de Deus não somente é importante,

mas é essencial e imprescindível.

Primeiro porque nós conhecemos quem é esse Deus

com o qual nós estamos nos relacionando.

Conhece a essência daquilo que é a vida

cristã, ou seja, viver a salvação do nosso

dia a dia.

E conhecer qual é o propósito que Deus

tem para nós participarmos desse grande projeto que

ele nos chama.

Então tudo isso está escrito nas Escrituras.

Então eu creio que um dos maiores problemas

que nós temos é um certo tipo de

analfabetismo bíblico ainda, muito presente em nossas igrejas.

Pessoas que, por exemplo, não são incentivadas a

ler continuamente a Palavra de Deus, que são

incentivadas a pensar certas coisas convenientes.

A Palavra de Deus é tão boa que

mesmo quando você pensa, o efeito é bom.

Deus pode mudar e transformar vidas.

Mas imagine você ler a Palavra de Deus

como um todo.

Eu acho que no nosso mundo, onde todo

mundo quer as coisas muito rápido, muito pronto,

nós perdemos a capacidade de prepararmos as coisas,

de termos paciência.

Não sei se é adequado falar isso, mas

nós precisamos ter paciência para Deus falar conosco.

Às vezes Deus não quer falar conosco na

velocidade 2x do WhatsApp.

Deus quer falar conosco de forma pausada, de

forma espaçada.

Tudo isso por meio da leitura da palavra

de Deus, por meio do ensino correto das

Escrituras.

Então no mundo totalmente de pernas para o

ar, tudo em uma velocidade que faz mal

para a nossa saúde.

Estonteante.

A gente fica zonzo às vezes.

Nós precisamos ter os nossos pés firmados naquilo

que não se abala com o tempo.

Então ler a Palavra de Deus, promover a

leitura da Palavra de Deus, são coisas que

são fáceis de fazer no contexto da igreja.

E a liderança se beneficia muito com isso,

porque o líder passa a liderar de acordo

com o coração de Deus, e não de

acordo com seus próprios pressupostos.

É a palavra que influencia a vida dele.

Sim, porque eu creio que Deus nos chama

como agentes de transformação e como agentes da

palavra.

Uma vez eu ouvi assim, a primeira Bíblia

que o ímpio vai ler é a sua

vida.

Assim, tudo bem, você entende o que a

pessoa está falando, mas que você então seja

uma encarnação fiel daquilo que as Sagradas Escrituras

nos dizem.

Então se você está num ponto de liderança,

você tem que mostrar como Paulo batia no

peito e falava, me imitem como eu imito

a Cristo.

Então o líder tem que fazer isso.

Para imitar a Cristo, tem que conhecer a

Palavra de Deus.

Muito legal.

Agora vamos entrar um pouquinho na sua visita

e sobre as impressões da sua visita.

Por onde é que você quer começar as

suas impressões para compartilhar com o pessoal que

está nos acompanhando?

Olha, nessa parte da gráfica, foi a primeira

vez que eu vim.

Eu já conhecia o Museu da Bíblia, já

tinha feito visitas, inclusive com turmas do seminário.

E visitar aqui foi muito especial, porque para

mim, eu gosto muito de livro.

Para mim, livro é uma experiência transformadora.

E nós estamos falando do livro dos livros.

Você pegar a Bíblia bem acabadinha, embaladinha, aquele

cheiro de novo, você abre a Bíblia nova,

você tem que até separar as páginas, porque

o negócio dourado está grudado.

Isso é uma experiência muito rica, mas ver

como isso é produzido aqui, faz você ter

um sentimento de gratidão ainda mais, ainda maior

para Deus, que possibilitou ter a SBB, uma

estrutura tão grande, de tão excelência.

O senhor tinha falado que a média é

de termos uma Bíblia a cada três segundos.

E numa qualidade de impressão, um cuidado, nós

visitamos as máquinas que fazem as costuras e

as irmãs que também costuram certas partes manuais.

Então não é um trabalho apenas de máquina.

Mecânico.

Mecânico.

Existem várias etapas de verificação do texto, de

você pegar certas lacunas, imperfeições, corrigi-las, sem

contar toda a parte de diagramação que nós

vimos aqui, de pessoas que ficam aqui oito

horas só lidando na frente do computador com

o tamanho da fonte.

Então você que é o nosso ouvinte e

o nosso espectador pode ter a certeza de

que a Bíblia que nós temos em mãos

passou por um processo muito fino de cuidado,

que eu tenho a certeza, que é feito

com muito amor.

Mas a despeito de tudo isso, ainda assim,

a parte que mais tocou meu coração foi

a parte daquela salinha do braile.

Uma maquininha produzindo cada página num tempo que

saiu uma Bíblia, né?

É uma página lá sendo cuspida num tempo

em que uma Bíblia inteira impressa normal sairia.

Mas atingindo pessoas tão especiais que precisam, por

não enxergar com a ponta dos dedos ainda

assim, ver pra eles o que Deus tem

pra eles, né?

A Palavra de Deus.

Então foi a parte mais especial.

Talvez é a menor salinha da SBB, mas

pra mim estar lá foi sensacional, porque desde

quando a gente soube que a SBB tinha

esse projeto, falei, nossa, a Sociedade Bíblica acertou

no alvo, porque esse é um dos motivos

da Sociedade Bíblica existir, de atingir inclusive pessoas

inalcançadas.

Pessoas que são minoria, mas que merecem receber

a Palavra de Deus na sua integridade.

Tem uma Bíblia que você viu que não

é uma Bíblia, é uma porção bíblica pra

criança.

Eu vi que lá é um projeto novo,

né?

Com texto e com desenhos para os pais

poderem se localizar, porque às vezes os pais

enxergam, não lembrarem.

Apostilas.

Gente, é um cuidado tão especial.

As crianças, né?

O jovem ler a Bíblia já é algo

muito importante.

Crianças cegas poderem ter contato com a luz

do mundo, que é Jesus Cristo por meio

da palavra, é algo muito emocionante, muito legal.

A Bíblia em braile é um negócio tocante,

de fato.

Tocante.

Tocante.

Eu estive numa convenção de igreja na semana

passada, contei pra você, um pastor que estava

na fileira sentado atrás de mim.

E o cego, você nota, mesmo que ele

não tenha os óculos escuros, a vista dele

está mais parada, porque ele não tem onde

fixar a vista.

E aí eles me disseram, esse senhor é

um pastor e a Bíblia dele é uma

Bíblia em braile.

Eu não consegui conversar com ele muito, cumprimentei

ele.

E a gente, pra cumprimentar o cego, tem

que pegar a mão dele.

Ah, sim.

Ele foi muito carinhoso, ele foi homenageado lá.

Mas como é importante esse ministério, que a

igreja desperte pra essas pessoas com necessidades especiais,

não é, Nelson?

Isso é o que nós podemos fazer como

inclusão.

Não é só inclusão social, é inclusão espiritual,

é inclusão no reino de Deus.

Tem cegos que, com aquele conhecimento que eles

têm pela leitura da Bíblia em braile, eles,

por vezes, preparam mensagens maravilhosas.

E eles têm uma sensibilidade diferente da nossa.

Então, às vezes, eles estão lendo um texto

cuja percepção é diferente daquilo que nós teríamos

normalmente.

E isso, com certeza, enriquece muito o ensino,

a igreja ser edificada por tudo isso.

A igreja vê que pessoas que têm deficiência

ou limitações, elas também têm voz, têm preeminência,

elas também fazem parte da vida ativa da

igreja.

Sem contar nos projetos de Libras, nos projetos

de Bíblia em áudio também.

Eu acho que são coisas que fogem um

pouquinho do mundo das impressões, daquilo que é

impresso, daquilo que sai da gráfica, mas que

dá aquele sentimento de que não está ficando

completo, estamos preenchendo as lacunas.

Você mencionou Libras.

Libras é para a pessoa língua brasileira de

sinais.

É o que significa um acrônimo, as primeiras

letras.

E para essas pessoas que são surdas, elas

precisam da língua de sinais para se comunicar,

essas pessoas são o público menos alcançado em

missões.

Sim, sim.

Nós estamos num projeto de tradução da Bíblia

em Libras aqui na Sociedade Bíblica.

Então, até criar uma equipe de surdos, nós

já temos duas ou três equipes que estão

trabalhando, são orientadas, tem consultores que ajudam, mas,

por exemplo, explicar o rio Jordão, o Mar

da Galiléia, e assim por diante, coisas que

para nós, ouvintes e que temos a visão,

a gente vai aprendendo naturalmente esses conceitos, ou

conceitos que não são tão tocáveis como remissão

dos pecados.

Olha só.

Para colocar isso em sinais que a outra

pessoa surda entende e é tocada pela mensagem.

É um desafio.

É um desafio.

Muitos anos eu estive numa igreja, igreja profissional

de Cuiabá, que tem um ministério muito forte

de surdos, e eles geralmente vêm assim, pastor,

eu quero que o senhor me explique alguns

termos que eu sei que o senhor vai

usar, por exemplo, propiciação.

Como é que vai se explicar propiciação, remissão?

Tem certos termos que são tão importantes dentro

da teologia, dentro da Palavra de Deus, que

até para nós que conhecemos a língua, é

difícil às vezes de explicar.

E nós acessarmos um outro universo, que é

o universo dos nossos irmãos cegos, surdos, e

conseguir fazer isso com excelência e transmitir a

Palavra de Deus, eu creio que é um

avanço muito grande, muito grande, muito grande.

Você foi a primeira vez que veio nos

visitar aqui na sede da Sociedade Bíblica do Brasil.

O que você diria para uma pessoa que

está assistindo o nosso programa?

Você pode fazer um convite para ele agora

para vir.

O que você diria?

Venha que vale a pena.

Por que que vale a pena?

Eu acho que só a experiência de ver

coisas diferentes, de ver coisas grandes.

Você às vezes vai na loja que você

vai lá comprar a Bíblia, você vê dez

Bíblias empilhadas.

Aqui você vê milhares, dezenas de milhares de

miolos, de cadernos, de capas.

Então já é uma visita formidável pela quantidade

de coisas que você pode ver e pelo

processo.

Eu creio que você deve visitar, se você

puder vir visitar, de fazer um grupo e

vir aqui, é muito importante por vários aspectos.

Um, porque eu creio que as pessoas dão

mais valor quando você vê como que tudo

é preparado com carinho.

Uma Bíblia que seja singela, do tamanho de

uma espada ou da miniatura de um canivete,

é feita com tanto carinho que você passa

a ter um coração grato.

Eu saio daqui com um coração grato a

Deus pelo trabalho da SBB.

Também é importante porque te dá um referencial

mais analógico da vida.

Principalmente para aquelas pessoas que vivem à base

celular, você vem ver um negócio físico, Bíblia

física, e Bíblia geralmente a gente tem esse

apego físico, como ela é formada, como ela

é diagramada, como tudo é uma experiência muito

boa.

Mas também eu creio que a visita aqui,

conhecer a estrutura é algo muito positivo para

as pessoas terem a dimensão do que a

SBB faz.

O senhor me disse há pouco que a

SBB é a maior doadora de livros no

Brasil.

Isso pouca gente sabe.

Isso é graças ao trabalho da SBB, mas

graças ao trabalho de igrejas que são parceiras

da SBB.

Eu acho que isso é algo muito fornidável,

porque a SBB não subsiste por ela e

para ela.

Ela tem braços estendidos que alcançam as igrejas.

Isso é o trabalho do reino de Deus.

Pelas igrejas, pelas comunidades, pelas igrejas que compram

um lote de Bíblia e dão.

O senhor tinha me perguntado qual provavelmente a

sua primeira Bíblia foi uma Bíblia recebida de

graça.

De fato foi.

De fato foi.

Às vezes aquela Bíblia mais simples, com capa

de papel.

Mas é a Bíblia que você tem um

carinho enorme, porque foi a primeira.

Foi por meio dela que você compreendeu muitas

coisas da Palavra de Deus, vê como tudo

isso funciona e vê a dimensão da nossa

SBB, que em termos mundiais, geralmente o brasileiro

tem aquele negócio de síndrome de vira-lata.

O que o brasileiro faz?

Eu tenho a certeza que em termos de

traduções bíblicas, o Brasil está na vanguarda.

Não perde para ninguém, de verdade, se não

estiver em primeiro lugar.

Mas em termos também de impressão bíblica, de

material bíblico físico, mas não somente restrito ao

físico.

O como a SBB também, isso me impressionou,

de verdade.

Na nossa visita, o quanto de Bíblia em

espanhol que eu vi.

Eu acho que eu vi mais Bíblia em

espanhol no momento, isso depende do momento, da

gráfica, mas mais Bíblia em espanhol do que

Bíblia em português.

Isso é formidável, porque os nossos irmãos de

fala hispânica precisam da Palavra de Deus.

E nós temos muito mais falantes de espanhol

do que falantes de língua portuguesa no mundo,

se não me engano.

Muito mais países.

É um campo extraordinário.

Aqui no nosso quintal, na América do Sul,

da América Latina, México para baixo, o quanto

a SBB ainda pode ser um instrumento ainda

mais útil na promoção da Palavra de Deus.

Então é uma impressão minha formidável, saio daqui

com o coração muito alegre, de todo esse

processo de impressões aos milhares, coisa na casa

dos exponenciais que a SBB faz.

Parabéns, é uma visita que vale mesmo a

pena você que é crente, pastor, trazer a

sua membresia para conhecer.

Porque com certeza todo mundo vai sair daqui

com o coração com certeza mais grato a

Deus pela Bíblia.

Tem uma frase que a gente repete muito

aqui na Sociedade Bíblica.

É importante ter a Bíblia.

Ter uma Bíblia em casa é muito importante,

mas não basta.

Tem que ler a Bíblia.

Importante ler a Bíblia para conhecer, mas também

não basta.

Eu quando dava aula de teologia, dizia aos

meus alunos, quando você conhece a Bíblia toda,

você está que nem o diabo.

O diabo conhece a Bíblia toda, não tem

muita vantagem.

Ele conhece até bem melhor.

Então, ler para conhecer.

Mas aí você deve crer na Bíblia.

Confiar naquilo que ela diz, colocar aquilo como

centro da sua vida, que o centro da

Bíblia é Jesus, Jesus vai ser o centro

da minha vida.

Mas aí você vai viver a Bíblia.

Viver é pôr em prática aquilo que você

aprendeu, seguir aqueles ensinamentos.

E finalmente você vai compartilhar a Bíblia.

E isso é o que a gente vê,

como os nossos pais, os seus pais, os

irmãos fazem.

Quando alguém chega ao contato com a igreja

ou com o Evangelho, ele recebe uma Bíblia,

ele é compartilhado.

E isso a gente coloca, essa é a

grande sociedade da Bíblia.

É, a grande sociedade da Bíblia.

Isso eu acho tão especial, porque isso é

algo mundial, algo universal.

É a nossa linguagem do amor.

É a nossa linguagem de prestigiar alguém, de

dizer, ó, isso é o que eu creio,

isso é a coisa mais importante, isso é

o que eu estou compartilhando com você.

Muito bem, meu reverendo, professor Paulo.

Que alegria, eu acho que vocês todos também

ficaram impressionados com a simpatia, o carinho, a

firmeza no que ele ensina.

Muito obrigado pela sua visita.

Você quer dar uma palavra de despedida para

os que estão nos acompanhando nesse programa Impressões?

Primeiro, mais uma vez, parabéns a todo o

trabalho da SBB.

A minha oração é que Deus continue abençoando

toda essa casa, todos os braços de atuação,

as regionais, as igrejas que são parceiras da

SBB.

E a minha oração é que as Bíblias

produzidas pela SBB sejam um instrumento para nós

apressarmos a vinda de Jesus até onde estiver

alguém que não conhece Jesus, que a SBB

possa ser um instrumento de que a Palavra

de Deus, ou porções da Palavra de Deus,

possam chegar cada vez mais longe, por meio

físico ou por meio digital, não importa, mas

que a Palavra de Deus seja anunciada a

todos, porque essa é a nossa missão.

E até aqui o senhor tem ajudado, e

eu tenho a certeza, reverendo, que Deus há

de sustentar essa obra até o fim.

Amém, muito obrigado Paulo, muito obrigado vocês que

nos acompanharam.

Que Deus abençoe a todos e que a

gente possa participar dessa grande sociedade da Bíblia

todos os dias.

Um abraço a todos.

Um abraço.