Programa Impressões

O Dr. Diego Dy Carlos, professor e pesquisador do Novo Testamento no Seminário Martin Bucer, conversa com o Rev. Dr. Erní Walter Seibert sobre sua trajetória com a Bíblia e a reconciliação como um dos grandes temas das Escrituras. A partir da teologia paulina, o episódio mostra como a reconciliação com Deus se expressa na unidade da Igreja e no relacionamento entre as pessoas.

Diego recorda sua conversão aos 12 anos, o primeiro contato pessoal com a Bíblia e o caminho que o levou ao ensino e à pesquisa do Novo Testamento. Ele explica a contribuição do apóstolo Paulo para a compreensão da justificação pela fé, da união com Cristo, da identidade cristã e do ministério da reconciliação.

A conversa também aborda a polarização na sociedade e dentro das comunidades cristãs. Em vez de reproduzir as divisões do mundo, a Igreja é chamada a viver como uma comunidade reconciliada, formada por pessoas diferentes, mas unidas em Cristo e comprometidas com uma missão comum.

Na visita ao Centro de Produção da Bíblia, Diego destaca a dedicação dos colaboradores, os processos gráficos e, especialmente, a produção da Bíblia em braile. O diálogo amplia a reflexão para a inclusão de pessoas com deficiência visual e de pessoas surdas, a tradução bíblica para Libras e a relação entre a Bíblia impressa e os formatos digitais.

Neste episódio
  • a conversão e os primeiros contatos de Diego Dy Carlos com a Bíblia;
  • a formação do Antigo e do Novo Testamento;
  • a contribuição do apóstolo Paulo para a teologia cristã;
  • reconciliação com Deus e reconciliação entre as pessoas;
  • polarização, unidade e missão da Igreja;
  • a produção de Bíblias no Centro de Produção da Bíblia;
  • Bíblia em braile, Libras e acessibilidade;
  • a relação entre leitura bíblica impressa e digital.

Sobre o participante
Dr. Diego Dy Carlos é professor e pesquisador do Novo Testamento no Seminário Martin Bucer, em São José dos Campos, com atuação em teologia paulina. No episódio, também apresenta uma iniciativa de formação e discipulado voltada a acadêmicos cristãos brasileiros.

Links e recursos

Créditos
Apresentação: Rev. Dr. Erní Walter Seibert
Participação: Dr. Diego Dy Carlos
Realização: Sociedade Bíblica do Brasil
Produção e edição: Área de Comunicação Social da SBB

Acompanhe os conteúdos da Sociedade Bíblica do Brasil e conheça outros projetos que promovem a causa da Bíblia.

Creators and Guests

Host
Rev. Dr. Erní Walter Seibert
Diretor-presidente da Sociedade Bíblica do Brasil (SBB); bacharel em Teologia pelo Seminário Concórdia, em Porto Alegre (RS); mestre em Teologia pelo Seminário Concórdia de São Leopoldo (RS); doutor em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Bernardo do Campo (SP); e MBA em Marketing de Serviços pela Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo (USP).
Guest
Diego Dy Carlos
Professor e pesquisador do Novo Testamento no Seminário Martin Bucer, em São José dos Campos, com atuação em teologia paulina. No episódio, também apresenta uma iniciativa de formação e discipulado voltada a acadêmicos cristãos brasileiros.

What is Programa Impressões?

No Programa Impressões, personalidades cristãs de diferentes áreas compartilham suas histórias de fé, vocação e serviço.

Depois de conhecerem de perto o trabalho da Sociedade Bíblica do Brasil, os convidados conversam com o Rev. Erní Seibert sobre sua relação com as Escrituras, os desafios de sua trajetória e o impacto da Bíblia em suas escolhas, ministérios e formas de contribuir com a sociedade.

São encontros com líderes, escritores, artistas, comunicadores e outras personalidades que ajudam a compreender como a Palavra de Deus continua marcando vidas e produzindo novas impressões.

Uma produção da Sociedade Bíblica do Brasil, que trabalha para tornar a Bíblia disponível e acessível a todas as pessoas.

Olá, estamos com vocês em mais um programa

Impressões.

É um programa onde recebemos um convidado aqui

na Sociedade Bíblica do Brasil.

Conhecemos um pouco dele, do trabalho dele e

sobre as impressões que ele vai nos trazer

sobre a Bíblia e sobre sua visita aqui

na Sociedade Bíblica do Brasil.

Hoje temos aqui conosco o nosso convidado, professor

Dr. Diego Dy Carlos.

Tudo bem, Diego?

Muito bom, pastor.

Muito obrigado por me receber.

Conta um pouquinho quem é o Diego de

Carlos.

O que você faz?

Hoje eu sou o professor pesquisador no Seminário

Martin Buzzi, aqui em São José dos Campos,

onde dou aula na área de Novo Testamento

com especialização na teologia paulina e desenvolvo algumas

pesquisas também na área de Novo Testamento, de

produção de texto e, recentemente, a gente começou

agora também uma academia para tentar reunir potenciais

acadêmicos brasileiros e acadêmicos brasileiros que possam também

trabalhar a Bíblia em nosso contexto.

A ideia é juntar essa turma aqui de

vários lugares do Brasil e a gente fazer

um discipulado mútuo, mas também nos aperfeiçoar na

parte acadêmica também em comunidade.

Então, esse é o meu trabalho, o meu

ministério aqui no Brasil.

Que legal.

Diego, você é professor de Novo Testamento.

Como é que a Bíblia entrou na tua

vida?

Então, eu fui achado por Cristo aos 12

anos de idade.

Então, eu era muito novinho, os meus pais

não eram crentes, não eram protestantes, meu pai

tinha um pouco de background de igreja evangélica,

a família dele inteira era, mas tudo isso

para dizer que a Bíblia não era parte

do meu cotidiano, não era parte da minha

vida familiar.

Aos 12 anos eu me converti e o

meu pai me deu uma de suas Bíblias

que ele tinha lá.

E foi assim que eu li a minha

primeira Bíblia, foi assim que eu recebi a

minha primeira Bíblia e eu lembro que, naquele

ímpeto de novo convertido, eu li os quatro

evangélios no final de semana, no primeiro final

de semana.

Fiquei um pouco confuso, né?

Após ler Lucas, por que que não muda

a história?

Por que que tá tudo aqui igual?

Mas essa foi a minha primeira experiência com

as Escrituras e desde então, graças a Deus,

tem sido meu alimento diário.

O João já tinha muita novidade.

É, o João já melhorou, só agora já

temos uma novidade pra você que ia repetir

tudo até o final.

Que bonito, que bonito isso.

E o estudo da Bíblia, pra quem inicia,

sempre é complicado, até pelos termos que a

gente usa.

Quando a gente diz você é especialista em

novo testamento, o que é um testamento?

Por que essa palavra?

Nós temos a nossa Bíblia que é um

livro só, mas essa Bíblia é dividida naquilo

que nós chamamos de dois testamentos ou duas

alianças, dois momentos que também simbolizam dois momentos

históricos.

Então a primeira parte, ou o primeiro testamento

que nós temos, nós chamamos de um antigo

testamento, que são as Escrituras judaicas, escritas em

hebraico, e essas Escrituras foram produzidas ao longo

de centenas de anos, até alguns séculos, 3,

4 séculos antes da chegada do nosso Senhor

Jesus Cristo.

E essa era a Bíblia que o nosso

Senhor Jesus conhecia, que o apóstolo Paulo conhecia,

após a vinda do nosso Senhor Jesus, e

aí nós temos então, especialmente através dos seus

discípulos, a produção do Novo Testamento.

Eles começaram a escrever, primeiro os evangelistas, pelo

menos na ordem que nós temos na Bíblia,

nós temos os evangelistas escrevendo a respeito da

vida, obra, ensino do Senhor Jesus, os demais

apóstolos, especialmente Paulo, interpretando e reinterpretando os ensinamentos

do Senhor Jesus naquilo que nós conhecemos como

as cartas, os demais livros do Novo Testamento.

E aí nós temos a continuação, a segunda

parte da Bíblia, quando nós então juntamos todos

esses livros, os dois testamentos, nós temos uma

unidade perfeita, maravilhosa, que é a Bíblia que

nós conhecemos.

É um livro só.

Um livro só.

Um livro e muitos autores.

Qual é o autor que mais contribuiu para

o Novo Testamento?

Eu sou sempre parcial com isso, porque a

minha especialidade na teologia é Paulina, então eu

vou falar Paulo.

Não tem como, mas assim, ele escreveu 13

dos 27 documentos do Novo Testamento, 13 pertencem

a ele, dependendo de quem você imagina que

escreveu, Hebreus, talvez 14, vou ficar com as

13 que são mais garantidas.

E Paulo, de fato, foi um grande intérprete

de Jesus.

Então a gente fala não apenas pela quantidade

que ele produziu, Lucas produziu mais juntando Lucas

e Atos, a quantidade de palavras ali é

bem maior, mas Paulo foi quem realmente reinterpretou

Jesus e os seus ensinos de uma forma

que marcou a história do cristianismo.

Então foi ele quem trabalhou profundamente a ideia

de justificação pela fé, por exemplo.

A cristologia de Paulo, comparada com a cristologia

de Hebreus, é muito elevada, ele desenvolveu bastante

isso.

Então a ideia da nossa união com o

Senhor Jesus, que é muito importante para a

teologia do Novo Testamento, para a ideia de

igreja, da identidade cristã, a reconciliação, que para

mim é um dos grandes temas de toda

a Bíblia, Paulo desenvolveu isso de forma muito

profunda.

E uma contribuição ainda também notável, não só

para o Novo Testamento, como para a história

do cristianismo, foi a ênfase de Paulo na

reconciliação entre judeus e gentios, que deu origem

à igreja.

Então nisso que foi um conflito muito sentido,

especialmente nas primeiras décadas e primeiros séculos do

cristianismo, Paulo contribuiu bastante para reconciliar esses dois

grupos na igreja.

Então por isso eu creio que Paulo tem

um papel fundamental, não quer dizer que ele

seja mais inspirado, precisamos de todo o Novo

Testamento, mas a contribuição dele foi muito grande.

Essa palavra, reconciliação, é uma palavra importante para

o nosso mundo também hoje, não é?

Demais, demais.

E para a nossa igreja, a igreja brasileira,

se nós ficarmos aqui no nosso país, especialmente

nos últimos anos, tem sido bastante polarizada por

vários assuntos, questões políticas, ideológicas, teológicas também, e

acaba que nós esquecemos que somos embaixadores da

reconciliação de Deus e esquecemos da ênfase bíblica

de que uma igreja reconciliada precisa estar sempre

reconciliando.

Se você observar, por exemplo, aquelas sessões das

cartas de Paulo que nós chamamos de sessões

exortativas, onde Paulo aplica geralmente na segunda metade,

Romanos 12 em diante, Efésios 4 a 6

e por aí afora, você vai ver que

Paulo trabalha bastante a ética comunitária da igreja,

ou seja, uma igreja reconciliada se esforça, Efésios

capítulo 4, por manter a unidade que o

Espírito produziu.

E aquelas virtudes éticas que Paulo vai listar

depois, elas têm a ver com essa manutenção

da vida comunitária da igreja e os vícios

que ele denuncia e que nós precisamos mortificar

têm a ver com vícios, muitos deles, que

destroem essa unidade.

E uma vez unida, essa igreja precisa comunicar

esse tipo de mensagem da reconciliação para um

mundo muito fragmentado, muito fragmentado, especialmente no Ocidente

e na América Latina, nós temos visto isso.

Então é uma mensagem que para mim é

central nas Escrituras e extremamente relevante hoje.

Há dois anos, quase dois anos, houve a

Assembleia Mundial das Sociedades Bíblicas.

As sociedades bíblicas não fazem assembleia todos os

anos ou não tem um tempo tão marcado.

E teve a Covid, tudo no meio, então

foram sete anos, quase oito anos, sem uma

assembleia geral trabalhando.

E aí quando a comissão organizadora da assembleia

escolheu um tema, porque vieram sociedades bíblicas de

todos os continentes, países, tem 150 e poucos

países com sociedade bíblica.

Mais países com sociedade bíblica que países representados

na ONU.

É muito curioso isso.

Então quando veio essa turma toda junto para

a reunião, um dos temas fortes que eles

marcaram e que eles disseram, esse é um

tema que nós temos que falar para o

mundo de hoje, é a reconciliação.

Reconciliação.

Muito bom.

E aqui no Brasil, a sociedade bíblica do

Brasil, nós escolhemos falar quatro anos.

Os dois primeiros é a reconciliação com a

sociedade, esse aspecto, e igreja.

E agora, começando esse ano e ano que

vem, com Deus e consigo mesmo.

Então consigo mesmo também entra um pouco a

família junto.

Então esses aspectos diferentes da reconciliação, são muito

bonitos.

É um ministério.

Sim.

Paulo ali, você usou a palavra embaixador, segundo

Corinthians 5, quando Paulo fala do ministério da

reconciliação, porque somos embaixadores.

Representantes de Deus para falar sobre isso ao

mundo.

Esse seu tema de reconciliação com Deus e

uns com os outros é muito precioso para

mim, porque é parte de algo que eu

escrevi na minha tese de doutorado, é algo

que eu estou trabalhando em um texto agora

também.

E uma das ênfases que eu destaco lá

e que eu gosto de pregar também é

que o uns com os outros não é

opcional.

Quando Paulo fala da reconciliação vertical, Deus reconciliando

a humanidade consigo, a implicação natural disso para

Paulo é que nós então somos a sociedade

reconciliada.

E se você é reconciliado com Deus verticalmente,

a reconciliação horizontal é um resultado semelhante ao

que Jesus falaria que a boa árvore produz

bom fruto.

Então para Paulo é uma mensagem, uma só,

é integral aos dois aspectos.

E nós precisamos desenvolver isso, tanto na igreja

como na sociedade.

Eu acho que é um excelente tema.

E uma outra coisa que se verifica, eu

pude constatar isso com representantes do mundo inteiro,

que o contrário praticamente da reconciliação é a

polarização.

Onde cada um cuida dos seus interesses, ele

quer vencer.

Isso é muito estimulado.

E Paulo já lidava com isso em Primeiros

Coríntios, por exemplo.

1Coríntios capítulo 1, logo no início, verso

10 ou 14, Paulo vai no coração do

problema da igreja de Corinto, falando, olha, mas

como assim, está Cristo dividido?

Por que vocês estão divididos?

Um é de Apolo, um é de Pedro,

um é de Paulo, mas a gente não

pode dividir Cristo.

Nós somos um só.

Essas polarizações, essas briguinhas.

E eu creio que a igreja tem muito

a aprender sobre escolher as suas brigas e

as suas prioridades, aquilo que nós somos chamados

a fazer.

E eu acho que a gente precisa...

O mundo inteiro, se olhamos aqui para a

situação do Brasil, as polarizações, as tensões.

Olhamos para os Estados Unidos, encontramos o mesmo.

Olhamos para a América Latina, desde a Argentina,

Chile, vai subindo, passa por todos os países.

Vamos para a África, volta a mesma coisa.

Vamos para a França, Europa, Itália, Alemanha, Portugal,

Espanha.

A polarização presente, Grécia, Oriente Médio.

E é triste observar que a igreja, ao

invés de fazer um contraponto, ou seja, com

uma comunidade dos reconciliados, fazer uma oposição a

essa tendência, a gente acaba entrando na mesma

pilha e na mesma correnteza.

E acaba polarizando dentro de si mesmo.

E a gente não entra, não anda naquela

contracultura do nosso tempo?

Alguma coisa está fora do lugar.

Uma outra coisa que eu verifico, não sei

se você concorda ou não, mas os polos

são muito religiosos.

Cada um diz que está dizendo qual é

a vontade de Deus.

O que a Bíblia ensina, onde a maioria

é cristã e se antagoniza.

E Paulo, quando fala na reconciliação, ele manda

todo mundo, ao invés de olhar um contra

o outro, olhar para Cristo, que é o

ponto-chave.

Sim, sim.

E a igreja não é um uniforme.

A reconciliação de Paulo não é que todos

devem ser iguaizinhos.

Somos diferentes, mas nós andamos por um rumo

só e temos um só Senhor.

Olha, que bonito esse tema de reconciliação.

Vale a pena ler a Bíblia desse ponto

de vista.

Mas vamos adiante na nossa conversa sobre a

sua visita aqui na Sociedade Bíblica.

A gente se conhecia de longe.

Hoje é a primeira vez que nos conhecemos

e você veio.

Naquela ocasião eu até disse, venha nos visitar.

Que bom que você está aqui hoje na

Sociedade Bíblica.

Conta das suas impressões.

Vamos fazer um roteiro das suas impressões.

Como foi a sua visita?

As suas impressões iniciais?

Fascinante.

Eu vim com o meu amigo Maurício, nosso

irmão em Cristo também.

E nós estávamos ali, de fato, impressionados com

várias coisas.

O nível de produção que vocês mantêm aqui

e o alvo crescente de produção de Bíblias.

A disposição de todos os que nós encontramos

trabalhando ali na gráfica, dezenas deles, a alegria

de estar aqui com alguns que nós tivemos

o privilégio de conversar aqui há 23 anos,

36 anos.

Felizes por estarem aqui e demonstrando essa alegria,

como o senhor e eu estávamos conversando antes,

essa ideia de missão da SBB.

E para mim foi fascinante ver isso, eles

comprando essa ideia e demonstrando isso na maneira,

na atitude que eles demonstram no trabalho.

Mas para mim o ponto chave, o ponto

alto, o ápice aqui da minha visita foi

ver a produção das Bíblias em braile.

Para mim aquilo foi, e ainda estou digerindo

ainda o impacto disso, que é parte da

missão da SBB, pelos custos e tudo, isso

é uma missão que a SBB tem levado

adiante.

Para mim isso é um fator de inclusão

que tem a ver com essa reconciliação que

nós estamos falando, incluindo os nossos irmãos com

deficiência visual, nesse grande privilégio que é ler

as Escrituras.

Uma coisa que a gente não comentou, mas

por causa do que você falou sobre o braile,

um dos públicos, a missiologia fala em povos

não alcançados, vamos chamar público não alcançado, no

mundo inteiro um dos menos alcançados são os

surdos.

E eles enxergam, mas são surdos, mas a

sua língua não é a nossa língua.

Eles até aprendem a nossa língua, mas a

língua natural deles é a língua com gestos,

com sinais.

Aqui no Brasil é a língua brasileira de

sinais.

E a tradução da Bíblia para Libras, ela

praticamente não existe.

Só tem uma Bíblia completa no mundo inteiro

em libras.

Em língua de sinais.

Isso mostra que quando...

Eu falei Braille quando deveria ter falado em

libras?

Não, Braille é para o cego.

Para o surdo é livro.

Veja como a distribuição da Bíblia tem a

ver com a evangelização.

Quando não tem naquela língua a Bíblia, não

tem evangelização basicamente.

E o interessante é que a gente acha

que a nossa cidade não tem surdos e

não tem deficientes visuais, porque eles não estão

na nossa igreja e a gente não vê.

Mas o problema é que a gente não

faz nenhum esforço, ou quase nunca a igreja

local faz o esforço de alcançá-los, porque

eles estão na cidade.

E o senhor tem razão, eu creio nisso.

Há essa exclusão mesmo, essa dificuldade de incluí

-los, porque a gente não faz esse esforço.

Nem tem a Bíblia acessível para eles e

nem tem um esforço talvez mais intencional da

igreja em alcançá-los.

Eles estão lá.

E se eles entram na igreja, por exemplo,

o surdo, ele não entende nada.

Ele diz, eu não sou bem-vindo.

Não, é verdade.

Então é um desafio missionário que a gente

tem.

E reconcilia.

Inclusão.

O contrário da reconciliação das Escrituras também é

essa exclusão.

Não é voluntário que a gente não gosta

de surdos.

A gente até gosta deles, mas não demonstra

isso na prática.

Está bonito.

Muito bem.

E algum dos processos de produção da Bíblia

que te impressionou mais, além do braile?

Para mim é tudo novo.

Eu conheci a última vez, eu acho que

para mim é vergonha, talvez a última vez

que eu visitei uma gráfica, e aí você

vai saber a minha idade, era ainda na

tipografia.

Então eu lembro dos funcionários montando as páginas,

montando as linhas de cada página.

Então faz um bom tempo já.

Então ver a quantidade de impressões, e a

estatística que o senhor me falou é de

uma Bíblia a cada três segundos?

Isso.

E ver isso ali diante dos meus olhos,

a quantidade de páginas sendo impressas e cortadas

e encadernadas, e talvez de todos os processos,

o processo de costura, para mim foi muito

interessante também.

Eu gostei demais de ver.

Simples, mas muito eficaz, seguro e muito legal.

Tenho uma coisa de produção de Bíblia.

Quem olha aqui na SBB, onde é a

produção de Escrituras, ele vê esse monte de

Bíblia sendo feita, tem algumas reações que as

pessoas muitas vezes olham, diz que mercado enorme.

Não tem uma hora que vai saturar o

mercado, já tem todo mundo com Bíblia, e

a estatística indica algumas coisas bem interessantes.

Se nós continuarmos, todos os produtores de Bíblia

no mundo, a crescer no ritmo, vamos dizer,

vegetativo, a produção instalada vai seguindo como aumenta

a população, nós não vamos evangelizar o mundo

nunca.

Impressionante, não tem capacidade instalada.

E uma outra coisa bem interessante, do ponto

de vista missiológico agora, a próxima geração, não

a nossa geração, a próxima geração que está

começando a vir, ninguém nasceu cristão até hoje.

Então a próxima geração, ela precisa toda ser

evangelizada.

E é muito raro, é muito raro uma

pessoa ser evangelizada com a Bíblia do avô

ou do pai.

Interessante.

Ela até guarda como relíquia a Bíblia do

pai e do avô, mas lê a Bíblia

que ele quer agora, a Bíblia nova.

É interessante.

Eu gosto de anotar a minha Bíblia.

Então, por isso mesmo, se a gente não

providenciar, nós somos 8 bilhões e alguma coisa

de habitantes do mundo, se a gente não

providenciar para os próximos anos, Bíblias para 2

bilhões de pessoas que vão estar alcançando ali

a adolescência ou a idade que eles aprendem

a ler e escrever, podem ler uma Bíblia,

mas vão ter alguma dificuldade de evangelizar o

mundo.

Eu tenho uma pergunta.

Eu sei que o entrevistado aqui sou eu,

mas eu vou ter que tirar uma curiosidade,

vou fazer uma pergunta para o senhor.

É fato que o número de Bíblias produzidas

e distribuídas no Brasil tem aumentado nos últimos

anos, correto?

Sim.

Vocês conseguem, na SBB, fazer uma aferição de se

isso é proporcional ao nível de literacia, de

conhecimento bíblico, o leitor brasileiro?

O brasileiro está lendo mais a Bíblia?

É possível fazer esse tipo de...

A resposta absoluta é sim.

Por exemplo, quando a gente faz a Bíblia

impressa, a gente não sabe se depois a

pessoa está lendo ou não, não tem registro

disso.

Mas a nossa Bíblia impressa também está gratuitamente

disponível nos meios digitais.

E esses números a gente tem, porque quando

você entra no aplicativo de Bíblia, na sociedade

bíblica, toda vez que você mexe no seu

telefone, você forma um registro onde é que

o seu telefone andou, dá para seguir.

Então nós temos quantos capítulos das nossas Bíblias,

das Bíblias da SBB, foram abertos.

Nos últimos anos tem crescido vertiginosamente o número,

nós já estamos em mais de 3 bilhões

de capítulos por ano.

Fascinante.

Então a gente não sabe quem abriu, isso

não vem a informação, mas foram abertos.

E se foram abertos, foram lidos.

Mas tem uma outra curiosidade estatística que a

maioria não sabe.

Os países que mais usam, o Brasil é

o segundo país no mundo que mais usa

o digital.

Os países onde o digital, a Bíblia digital

é mais lida são os países onde a

Bíblia impressa é mais distribuída.

Interessante.

Ou seja, o digital, o uso da Bíblia

digital é fruto da leitura da Bíblia impressa.

Interessante.

É muito curioso, mas é verdade.

E tem uma curiosidade, como é que se

mata a charada?

Como é usada?

A gente fez pesquisas nisso.

Quando você pega o celular, você pega para

ler a Bíblia, está bem.

Mas em geral você abre para fazer uma

consulta.

Você tem o acesso fácil no celular, você

acha muito rápido no celular.

Agora, quando você quer ler a Bíblia, estudar,

preparar alguma coisa, você deixa o digital do

lado, se precisa de alguma consulta, mas pega

uma Bíblia impressa.

Isso é 95% a 96% das

pessoas no mundo fazem isso.

Ou seja, o digital é um auxiliar para

a leitura do impresso.

E o contrário é verdade também.

Há países, e a gente tem estatística, onde

quase não é mais distribuída a Bíblia, eram

países que eram cristãos, em sua grande maioria,

e hoje as igrejas estão vazias.

A Europa é um exemplo maior disso, tem

exceções, mas a Europa é um grande vazio

de leitura da Bíblia impressa.

Na Europa pouco se abre a Bíblia digital.

Todos ali têm telefone, têm acesso ao digital,

mas não leem.

Nos países que a Bíblia impressa é distribuída,

cresce vertiginosamente a busca pelo digital.

Há muitas informações nessas estatísticas.

Há muita coisa a ser usada em psicologia.

Mas isso é o fascínio do papel também.

Porque quando a internet começou a se popularizar,

e todo mundo falava que o livro iria

acabar, que agora está tudo digital, nada substitui

o livro.

E nada substitui a Bíblia, você abrir o

cheiro e escrever nela, e gastá-la, depois

trocar.

Por exemplo, a Bíblia em braile, que você

disse que impressionou, tem um detalhe também bem

curioso.

O cego, nós entregamos para ele também a

Bíblia em áudio.

Ele pode ouvir a Bíblia.

Mas o cego, quando ele aprende o braile,

não são todos que têm a oportunidade de

aprender o braile, ele diz que a experiência

da leitura dele no braile é o mesmo

que de uma pessoa que vê no livro.

Você lê, você para, pensa, relê aquilo, vai

adiante, volta lá e tal.

Ele tem isso com os dedos.

Ele lê, vai para adiante, para, pensa, volta.

O áudio, você pode até parar, voltar, vai

adiante, mas não é a mesma coisa.

Então, essa experiência da leitura que o papel

traz.

O digital reproduz parcialmente isso.

Inclusive, o digital, no início, eu usava coisas

do tempo da pré-história.

Scroll, rolar, era o rolo do livro.

Mas há muita curiosidade entre esses mundos.

Muito bom, muito bom.

Nada substitui o papel.

É verdade, é verdade.

E você pensando, você fosse agora contar para

alguém da sua visita, o que você diria

para a pessoa?

Dizer, eu não sei onde é que é

isso, como é que é isso?

O que você diria para o sujeito?

Olha, eu diria que todos os meus alunos

do seminário deveriam fazer uma visita aqui, conhecer

o processo não só de produção gráfica, mas

eu acho que ouvir o senhor e ouvir funcionários

que estão aqui há muito tempo, da missão

de distribuir a Bíblia no Brasil e em

outros países.

Eu acho que a gente consegue ver na

prática aquilo que o senhor Jesus falou, que

as portas do inferno não prevaleceriam contra a

sua igreja.

E é impossível pensar na saúde da igreja

sem Bíblia.

Então, nesse processo que o senhor estava falando

da relação entre a leitura do papel, da

Bíblia impressa, do digital na Europa, você vê

a dinâmica das igrejas na Europa, no geral.

Igrejas esvaziadas, com portas fechadas, talvez um processo

de distanciamento das Escrituras e você entra nesse

círculo vicioso.

A igreja é frágil, a Bíblia não é

distribuída, não é lida, e a igreja se

torna mais fraca ainda e fica preso nesse

círculo.

Então, eu acho que a gente precisa vir

aqui, a turma precisa vir na SBB, marcar

um encontro, conhecer a gráfica e ver isso

na prática, como que Deus tem feito isso

através de gente com visão.

E a gente brincava mais cedo, mas eu

crio muito nisso, que a gente vê que

o problema da igreja, você precisa de um

investimento financeiro muito grande para fazer o que

vocês estão fazendo aqui, mas muito disso é

distribuído, é revertido em doações, em distribuição das

Escrituras.

Isso, para mim, só é mais uma evidência

de que o problema da igreja nunca é

a falta de dinheiro, mas é a falta

de visão, de missão, de entender que Deus

nos chamou para fazer algo.

Desde quando isso começou na sociedade bíblica britânica

e estrangeira, até hoje, tanto de quantas sociedades

bíblicas ao redor, o senhor acabou de falar,

mais representação do que nas Nações Unidas.

Então, isso para mim relembra, traz isso tudo

à memória, de como Deus avança com a

sua igreja dessa forma.

Diego, permita-me chamá-lo de Diego.

Claro, por favor.

Obrigado pelo momento de conversa que nós tivemos,

por compartilhar com vocês que acompanham a gente

aqui.

Obrigado a todos que nos acompanharam em mais

um programa Impressões.

E que Deus continue abençoando nesse trabalho tão

especial que você tem, tanto na área de

educação, de ministrar o ensino da Bíblia, como

também na área de levar a palavra através

de livros, artigos.

Que Deus continue ao seu lado, ao lado

da sua família.

Muito obrigado pela sua visita no dia de

hoje.

Muito obrigado por esse tempo aqui.

Um abraço a todos vocês.