No Programa Impressões, personalidades cristãs de diferentes áreas compartilham suas histórias de fé, vocação e serviço.
Depois de conhecerem de perto o trabalho da Sociedade Bíblica do Brasil, os convidados conversam com o Rev. Erní Seibert sobre sua relação com as Escrituras, os desafios de sua trajetória e o impacto da Bíblia em suas escolhas, ministérios e formas de contribuir com a sociedade.
São encontros com líderes, escritores, artistas, comunicadores e outras personalidades que ajudam a compreender como a Palavra de Deus continua marcando vidas e produzindo novas impressões.
Uma produção da Sociedade Bíblica do Brasil, que trabalha para tornar a Bíblia disponível e acessível a todas as pessoas.
Olá, estamos com vocês em mais um programa
Impressões.
É um programa onde recebemos um convidado aqui
na Sociedade Bíblica do Brasil.
Conhecemos um pouco dele, do trabalho dele e
sobre as impressões que ele vai nos trazer
sobre a Bíblia e sobre sua visita aqui
na Sociedade Bíblica do Brasil.
Hoje temos aqui conosco o nosso convidado, professor
Dr. Diego Dy Carlos.
Tudo bem, Diego?
Muito bom, pastor.
Muito obrigado por me receber.
Conta um pouquinho quem é o Diego de
Carlos.
O que você faz?
Hoje eu sou o professor pesquisador no Seminário
Martin Buzzi, aqui em São José dos Campos,
onde dou aula na área de Novo Testamento
com especialização na teologia paulina e desenvolvo algumas
pesquisas também na área de Novo Testamento, de
produção de texto e, recentemente, a gente começou
agora também uma academia para tentar reunir potenciais
acadêmicos brasileiros e acadêmicos brasileiros que possam também
trabalhar a Bíblia em nosso contexto.
A ideia é juntar essa turma aqui de
vários lugares do Brasil e a gente fazer
um discipulado mútuo, mas também nos aperfeiçoar na
parte acadêmica também em comunidade.
Então, esse é o meu trabalho, o meu
ministério aqui no Brasil.
Que legal.
Diego, você é professor de Novo Testamento.
Como é que a Bíblia entrou na tua
vida?
Então, eu fui achado por Cristo aos 12
anos de idade.
Então, eu era muito novinho, os meus pais
não eram crentes, não eram protestantes, meu pai
tinha um pouco de background de igreja evangélica,
a família dele inteira era, mas tudo isso
para dizer que a Bíblia não era parte
do meu cotidiano, não era parte da minha
vida familiar.
Aos 12 anos eu me converti e o
meu pai me deu uma de suas Bíblias
que ele tinha lá.
E foi assim que eu li a minha
primeira Bíblia, foi assim que eu recebi a
minha primeira Bíblia e eu lembro que, naquele
ímpeto de novo convertido, eu li os quatro
evangélios no final de semana, no primeiro final
de semana.
Fiquei um pouco confuso, né?
Após ler Lucas, por que que não muda
a história?
Por que que tá tudo aqui igual?
Mas essa foi a minha primeira experiência com
as Escrituras e desde então, graças a Deus,
tem sido meu alimento diário.
O João já tinha muita novidade.
É, o João já melhorou, só agora já
temos uma novidade pra você que ia repetir
tudo até o final.
Que bonito, que bonito isso.
E o estudo da Bíblia, pra quem inicia,
sempre é complicado, até pelos termos que a
gente usa.
Quando a gente diz você é especialista em
novo testamento, o que é um testamento?
Por que essa palavra?
Nós temos a nossa Bíblia que é um
livro só, mas essa Bíblia é dividida naquilo
que nós chamamos de dois testamentos ou duas
alianças, dois momentos que também simbolizam dois momentos
históricos.
Então a primeira parte, ou o primeiro testamento
que nós temos, nós chamamos de um antigo
testamento, que são as Escrituras judaicas, escritas em
hebraico, e essas Escrituras foram produzidas ao longo
de centenas de anos, até alguns séculos, 3,
4 séculos antes da chegada do nosso Senhor
Jesus Cristo.
E essa era a Bíblia que o nosso
Senhor Jesus conhecia, que o apóstolo Paulo conhecia,
após a vinda do nosso Senhor Jesus, e
aí nós temos então, especialmente através dos seus
discípulos, a produção do Novo Testamento.
Eles começaram a escrever, primeiro os evangelistas, pelo
menos na ordem que nós temos na Bíblia,
nós temos os evangelistas escrevendo a respeito da
vida, obra, ensino do Senhor Jesus, os demais
apóstolos, especialmente Paulo, interpretando e reinterpretando os ensinamentos
do Senhor Jesus naquilo que nós conhecemos como
as cartas, os demais livros do Novo Testamento.
E aí nós temos a continuação, a segunda
parte da Bíblia, quando nós então juntamos todos
esses livros, os dois testamentos, nós temos uma
unidade perfeita, maravilhosa, que é a Bíblia que
nós conhecemos.
É um livro só.
Um livro só.
Um livro e muitos autores.
Qual é o autor que mais contribuiu para
o Novo Testamento?
Eu sou sempre parcial com isso, porque a
minha especialidade na teologia é Paulina, então eu
vou falar Paulo.
Não tem como, mas assim, ele escreveu 13
dos 27 documentos do Novo Testamento, 13 pertencem
a ele, dependendo de quem você imagina que
escreveu, Hebreus, talvez 14, vou ficar com as
13 que são mais garantidas.
E Paulo, de fato, foi um grande intérprete
de Jesus.
Então a gente fala não apenas pela quantidade
que ele produziu, Lucas produziu mais juntando Lucas
e Atos, a quantidade de palavras ali é
bem maior, mas Paulo foi quem realmente reinterpretou
Jesus e os seus ensinos de uma forma
que marcou a história do cristianismo.
Então foi ele quem trabalhou profundamente a ideia
de justificação pela fé, por exemplo.
A cristologia de Paulo, comparada com a cristologia
de Hebreus, é muito elevada, ele desenvolveu bastante
isso.
Então a ideia da nossa união com o
Senhor Jesus, que é muito importante para a
teologia do Novo Testamento, para a ideia de
igreja, da identidade cristã, a reconciliação, que para
mim é um dos grandes temas de toda
a Bíblia, Paulo desenvolveu isso de forma muito
profunda.
E uma contribuição ainda também notável, não só
para o Novo Testamento, como para a história
do cristianismo, foi a ênfase de Paulo na
reconciliação entre judeus e gentios, que deu origem
à igreja.
Então nisso que foi um conflito muito sentido,
especialmente nas primeiras décadas e primeiros séculos do
cristianismo, Paulo contribuiu bastante para reconciliar esses dois
grupos na igreja.
Então por isso eu creio que Paulo tem
um papel fundamental, não quer dizer que ele
seja mais inspirado, precisamos de todo o Novo
Testamento, mas a contribuição dele foi muito grande.
Essa palavra, reconciliação, é uma palavra importante para
o nosso mundo também hoje, não é?
Demais, demais.
E para a nossa igreja, a igreja brasileira,
se nós ficarmos aqui no nosso país, especialmente
nos últimos anos, tem sido bastante polarizada por
vários assuntos, questões políticas, ideológicas, teológicas também, e
acaba que nós esquecemos que somos embaixadores da
reconciliação de Deus e esquecemos da ênfase bíblica
de que uma igreja reconciliada precisa estar sempre
reconciliando.
Se você observar, por exemplo, aquelas sessões das
cartas de Paulo que nós chamamos de sessões
exortativas, onde Paulo aplica geralmente na segunda metade,
Romanos 12 em diante, Efésios 4 a 6
e por aí afora, você vai ver que
Paulo trabalha bastante a ética comunitária da igreja,
ou seja, uma igreja reconciliada se esforça, Efésios
capítulo 4, por manter a unidade que o
Espírito produziu.
E aquelas virtudes éticas que Paulo vai listar
depois, elas têm a ver com essa manutenção
da vida comunitária da igreja e os vícios
que ele denuncia e que nós precisamos mortificar
têm a ver com vícios, muitos deles, que
destroem essa unidade.
E uma vez unida, essa igreja precisa comunicar
esse tipo de mensagem da reconciliação para um
mundo muito fragmentado, muito fragmentado, especialmente no Ocidente
e na América Latina, nós temos visto isso.
Então é uma mensagem que para mim é
central nas Escrituras e extremamente relevante hoje.
Há dois anos, quase dois anos, houve a
Assembleia Mundial das Sociedades Bíblicas.
As sociedades bíblicas não fazem assembleia todos os
anos ou não tem um tempo tão marcado.
E teve a Covid, tudo no meio, então
foram sete anos, quase oito anos, sem uma
assembleia geral trabalhando.
E aí quando a comissão organizadora da assembleia
escolheu um tema, porque vieram sociedades bíblicas de
todos os continentes, países, tem 150 e poucos
países com sociedade bíblica.
Mais países com sociedade bíblica que países representados
na ONU.
É muito curioso isso.
Então quando veio essa turma toda junto para
a reunião, um dos temas fortes que eles
marcaram e que eles disseram, esse é um
tema que nós temos que falar para o
mundo de hoje, é a reconciliação.
Reconciliação.
Muito bom.
E aqui no Brasil, a sociedade bíblica do
Brasil, nós escolhemos falar quatro anos.
Os dois primeiros é a reconciliação com a
sociedade, esse aspecto, e igreja.
E agora, começando esse ano e ano que
vem, com Deus e consigo mesmo.
Então consigo mesmo também entra um pouco a
família junto.
Então esses aspectos diferentes da reconciliação, são muito
bonitos.
É um ministério.
Sim.
Paulo ali, você usou a palavra embaixador, segundo
Corinthians 5, quando Paulo fala do ministério da
reconciliação, porque somos embaixadores.
Representantes de Deus para falar sobre isso ao
mundo.
Esse seu tema de reconciliação com Deus e
uns com os outros é muito precioso para
mim, porque é parte de algo que eu
escrevi na minha tese de doutorado, é algo
que eu estou trabalhando em um texto agora
também.
E uma das ênfases que eu destaco lá
e que eu gosto de pregar também é
que o uns com os outros não é
opcional.
Quando Paulo fala da reconciliação vertical, Deus reconciliando
a humanidade consigo, a implicação natural disso para
Paulo é que nós então somos a sociedade
reconciliada.
E se você é reconciliado com Deus verticalmente,
a reconciliação horizontal é um resultado semelhante ao
que Jesus falaria que a boa árvore produz
bom fruto.
Então para Paulo é uma mensagem, uma só,
é integral aos dois aspectos.
E nós precisamos desenvolver isso, tanto na igreja
como na sociedade.
Eu acho que é um excelente tema.
E uma outra coisa que se verifica, eu
pude constatar isso com representantes do mundo inteiro,
que o contrário praticamente da reconciliação é a
polarização.
Onde cada um cuida dos seus interesses, ele
quer vencer.
Isso é muito estimulado.
E Paulo já lidava com isso em Primeiros
Coríntios, por exemplo.
1Coríntios capítulo 1, logo no início, verso
10 ou 14, Paulo vai no coração do
problema da igreja de Corinto, falando, olha, mas
como assim, está Cristo dividido?
Por que vocês estão divididos?
Um é de Apolo, um é de Pedro,
um é de Paulo, mas a gente não
pode dividir Cristo.
Nós somos um só.
Essas polarizações, essas briguinhas.
E eu creio que a igreja tem muito
a aprender sobre escolher as suas brigas e
as suas prioridades, aquilo que nós somos chamados
a fazer.
E eu acho que a gente precisa...
O mundo inteiro, se olhamos aqui para a
situação do Brasil, as polarizações, as tensões.
Olhamos para os Estados Unidos, encontramos o mesmo.
Olhamos para a América Latina, desde a Argentina,
Chile, vai subindo, passa por todos os países.
Vamos para a África, volta a mesma coisa.
Vamos para a França, Europa, Itália, Alemanha, Portugal,
Espanha.
A polarização presente, Grécia, Oriente Médio.
E é triste observar que a igreja, ao
invés de fazer um contraponto, ou seja, com
uma comunidade dos reconciliados, fazer uma oposição a
essa tendência, a gente acaba entrando na mesma
pilha e na mesma correnteza.
E acaba polarizando dentro de si mesmo.
E a gente não entra, não anda naquela
contracultura do nosso tempo?
Alguma coisa está fora do lugar.
Uma outra coisa que eu verifico, não sei
se você concorda ou não, mas os polos
são muito religiosos.
Cada um diz que está dizendo qual é
a vontade de Deus.
O que a Bíblia ensina, onde a maioria
é cristã e se antagoniza.
E Paulo, quando fala na reconciliação, ele manda
todo mundo, ao invés de olhar um contra
o outro, olhar para Cristo, que é o
ponto-chave.
Sim, sim.
E a igreja não é um uniforme.
A reconciliação de Paulo não é que todos
devem ser iguaizinhos.
Somos diferentes, mas nós andamos por um rumo
só e temos um só Senhor.
Olha, que bonito esse tema de reconciliação.
Vale a pena ler a Bíblia desse ponto
de vista.
Mas vamos adiante na nossa conversa sobre a
sua visita aqui na Sociedade Bíblica.
A gente se conhecia de longe.
Hoje é a primeira vez que nos conhecemos
e você veio.
Naquela ocasião eu até disse, venha nos visitar.
Que bom que você está aqui hoje na
Sociedade Bíblica.
Conta das suas impressões.
Vamos fazer um roteiro das suas impressões.
Como foi a sua visita?
As suas impressões iniciais?
Fascinante.
Eu vim com o meu amigo Maurício, nosso
irmão em Cristo também.
E nós estávamos ali, de fato, impressionados com
várias coisas.
O nível de produção que vocês mantêm aqui
e o alvo crescente de produção de Bíblias.
A disposição de todos os que nós encontramos
trabalhando ali na gráfica, dezenas deles, a alegria
de estar aqui com alguns que nós tivemos
o privilégio de conversar aqui há 23 anos,
36 anos.
Felizes por estarem aqui e demonstrando essa alegria,
como o senhor e eu estávamos conversando antes,
essa ideia de missão da SBB.
E para mim foi fascinante ver isso, eles
comprando essa ideia e demonstrando isso na maneira,
na atitude que eles demonstram no trabalho.
Mas para mim o ponto chave, o ponto
alto, o ápice aqui da minha visita foi
ver a produção das Bíblias em braile.
Para mim aquilo foi, e ainda estou digerindo
ainda o impacto disso, que é parte da
missão da SBB, pelos custos e tudo, isso
é uma missão que a SBB tem levado
adiante.
Para mim isso é um fator de inclusão
que tem a ver com essa reconciliação que
nós estamos falando, incluindo os nossos irmãos com
deficiência visual, nesse grande privilégio que é ler
as Escrituras.
Uma coisa que a gente não comentou, mas
por causa do que você falou sobre o braile,
um dos públicos, a missiologia fala em povos
não alcançados, vamos chamar público não alcançado, no
mundo inteiro um dos menos alcançados são os
surdos.
E eles enxergam, mas são surdos, mas a
sua língua não é a nossa língua.
Eles até aprendem a nossa língua, mas a
língua natural deles é a língua com gestos,
com sinais.
Aqui no Brasil é a língua brasileira de
sinais.
E a tradução da Bíblia para Libras, ela
praticamente não existe.
Só tem uma Bíblia completa no mundo inteiro
em libras.
Em língua de sinais.
Isso mostra que quando...
Eu falei Braille quando deveria ter falado em
libras?
Não, Braille é para o cego.
Para o surdo é livro.
Veja como a distribuição da Bíblia tem a
ver com a evangelização.
Quando não tem naquela língua a Bíblia, não
tem evangelização basicamente.
E o interessante é que a gente acha
que a nossa cidade não tem surdos e
não tem deficientes visuais, porque eles não estão
na nossa igreja e a gente não vê.
Mas o problema é que a gente não
faz nenhum esforço, ou quase nunca a igreja
local faz o esforço de alcançá-los, porque
eles estão na cidade.
E o senhor tem razão, eu creio nisso.
Há essa exclusão mesmo, essa dificuldade de incluí
-los, porque a gente não faz esse esforço.
Nem tem a Bíblia acessível para eles e
nem tem um esforço talvez mais intencional da
igreja em alcançá-los.
Eles estão lá.
E se eles entram na igreja, por exemplo,
o surdo, ele não entende nada.
Ele diz, eu não sou bem-vindo.
Não, é verdade.
Então é um desafio missionário que a gente
tem.
E reconcilia.
Inclusão.
O contrário da reconciliação das Escrituras também é
essa exclusão.
Não é voluntário que a gente não gosta
de surdos.
A gente até gosta deles, mas não demonstra
isso na prática.
Está bonito.
Muito bem.
E algum dos processos de produção da Bíblia
que te impressionou mais, além do braile?
Para mim é tudo novo.
Eu conheci a última vez, eu acho que
para mim é vergonha, talvez a última vez
que eu visitei uma gráfica, e aí você
vai saber a minha idade, era ainda na
tipografia.
Então eu lembro dos funcionários montando as páginas,
montando as linhas de cada página.
Então faz um bom tempo já.
Então ver a quantidade de impressões, e a
estatística que o senhor me falou é de
uma Bíblia a cada três segundos?
Isso.
E ver isso ali diante dos meus olhos,
a quantidade de páginas sendo impressas e cortadas
e encadernadas, e talvez de todos os processos,
o processo de costura, para mim foi muito
interessante também.
Eu gostei demais de ver.
Simples, mas muito eficaz, seguro e muito legal.
Tenho uma coisa de produção de Bíblia.
Quem olha aqui na SBB, onde é a
produção de Escrituras, ele vê esse monte de
Bíblia sendo feita, tem algumas reações que as
pessoas muitas vezes olham, diz que mercado enorme.
Não tem uma hora que vai saturar o
mercado, já tem todo mundo com Bíblia, e
a estatística indica algumas coisas bem interessantes.
Se nós continuarmos, todos os produtores de Bíblia
no mundo, a crescer no ritmo, vamos dizer,
vegetativo, a produção instalada vai seguindo como aumenta
a população, nós não vamos evangelizar o mundo
nunca.
Impressionante, não tem capacidade instalada.
E uma outra coisa bem interessante, do ponto
de vista missiológico agora, a próxima geração, não
a nossa geração, a próxima geração que está
começando a vir, ninguém nasceu cristão até hoje.
Então a próxima geração, ela precisa toda ser
evangelizada.
E é muito raro, é muito raro uma
pessoa ser evangelizada com a Bíblia do avô
ou do pai.
Interessante.
Ela até guarda como relíquia a Bíblia do
pai e do avô, mas lê a Bíblia
que ele quer agora, a Bíblia nova.
É interessante.
Eu gosto de anotar a minha Bíblia.
Então, por isso mesmo, se a gente não
providenciar, nós somos 8 bilhões e alguma coisa
de habitantes do mundo, se a gente não
providenciar para os próximos anos, Bíblias para 2
bilhões de pessoas que vão estar alcançando ali
a adolescência ou a idade que eles aprendem
a ler e escrever, podem ler uma Bíblia,
mas vão ter alguma dificuldade de evangelizar o
mundo.
Eu tenho uma pergunta.
Eu sei que o entrevistado aqui sou eu,
mas eu vou ter que tirar uma curiosidade,
vou fazer uma pergunta para o senhor.
É fato que o número de Bíblias produzidas
e distribuídas no Brasil tem aumentado nos últimos
anos, correto?
Sim.
Vocês conseguem, na SBB, fazer uma aferição de se
isso é proporcional ao nível de literacia, de
conhecimento bíblico, o leitor brasileiro?
O brasileiro está lendo mais a Bíblia?
É possível fazer esse tipo de...
A resposta absoluta é sim.
Por exemplo, quando a gente faz a Bíblia
impressa, a gente não sabe se depois a
pessoa está lendo ou não, não tem registro
disso.
Mas a nossa Bíblia impressa também está gratuitamente
disponível nos meios digitais.
E esses números a gente tem, porque quando
você entra no aplicativo de Bíblia, na sociedade
bíblica, toda vez que você mexe no seu
telefone, você forma um registro onde é que
o seu telefone andou, dá para seguir.
Então nós temos quantos capítulos das nossas Bíblias,
das Bíblias da SBB, foram abertos.
Nos últimos anos tem crescido vertiginosamente o número,
nós já estamos em mais de 3 bilhões
de capítulos por ano.
Fascinante.
Então a gente não sabe quem abriu, isso
não vem a informação, mas foram abertos.
E se foram abertos, foram lidos.
Mas tem uma outra curiosidade estatística que a
maioria não sabe.
Os países que mais usam, o Brasil é
o segundo país no mundo que mais usa
o digital.
Os países onde o digital, a Bíblia digital
é mais lida são os países onde a
Bíblia impressa é mais distribuída.
Interessante.
Ou seja, o digital, o uso da Bíblia
digital é fruto da leitura da Bíblia impressa.
Interessante.
É muito curioso, mas é verdade.
E tem uma curiosidade, como é que se
mata a charada?
Como é usada?
A gente fez pesquisas nisso.
Quando você pega o celular, você pega para
ler a Bíblia, está bem.
Mas em geral você abre para fazer uma
consulta.
Você tem o acesso fácil no celular, você
acha muito rápido no celular.
Agora, quando você quer ler a Bíblia, estudar,
preparar alguma coisa, você deixa o digital do
lado, se precisa de alguma consulta, mas pega
uma Bíblia impressa.
Isso é 95% a 96% das
pessoas no mundo fazem isso.
Ou seja, o digital é um auxiliar para
a leitura do impresso.
E o contrário é verdade também.
Há países, e a gente tem estatística, onde
quase não é mais distribuída a Bíblia, eram
países que eram cristãos, em sua grande maioria,
e hoje as igrejas estão vazias.
A Europa é um exemplo maior disso, tem
exceções, mas a Europa é um grande vazio
de leitura da Bíblia impressa.
Na Europa pouco se abre a Bíblia digital.
Todos ali têm telefone, têm acesso ao digital,
mas não leem.
Nos países que a Bíblia impressa é distribuída,
cresce vertiginosamente a busca pelo digital.
Há muitas informações nessas estatísticas.
Há muita coisa a ser usada em psicologia.
Mas isso é o fascínio do papel também.
Porque quando a internet começou a se popularizar,
e todo mundo falava que o livro iria
acabar, que agora está tudo digital, nada substitui
o livro.
E nada substitui a Bíblia, você abrir o
cheiro e escrever nela, e gastá-la, depois
trocar.
Por exemplo, a Bíblia em braile, que você
disse que impressionou, tem um detalhe também bem
curioso.
O cego, nós entregamos para ele também a
Bíblia em áudio.
Ele pode ouvir a Bíblia.
Mas o cego, quando ele aprende o braile,
não são todos que têm a oportunidade de
aprender o braile, ele diz que a experiência
da leitura dele no braile é o mesmo
que de uma pessoa que vê no livro.
Você lê, você para, pensa, relê aquilo, vai
adiante, volta lá e tal.
Ele tem isso com os dedos.
Ele lê, vai para adiante, para, pensa, volta.
O áudio, você pode até parar, voltar, vai
adiante, mas não é a mesma coisa.
Então, essa experiência da leitura que o papel
traz.
O digital reproduz parcialmente isso.
Inclusive, o digital, no início, eu usava coisas
do tempo da pré-história.
Scroll, rolar, era o rolo do livro.
Mas há muita curiosidade entre esses mundos.
Muito bom, muito bom.
Nada substitui o papel.
É verdade, é verdade.
E você pensando, você fosse agora contar para
alguém da sua visita, o que você diria
para a pessoa?
Dizer, eu não sei onde é que é
isso, como é que é isso?
O que você diria para o sujeito?
Olha, eu diria que todos os meus alunos
do seminário deveriam fazer uma visita aqui, conhecer
o processo não só de produção gráfica, mas
eu acho que ouvir o senhor e ouvir funcionários
que estão aqui há muito tempo, da missão
de distribuir a Bíblia no Brasil e em
outros países.
Eu acho que a gente consegue ver na
prática aquilo que o senhor Jesus falou, que
as portas do inferno não prevaleceriam contra a
sua igreja.
E é impossível pensar na saúde da igreja
sem Bíblia.
Então, nesse processo que o senhor estava falando
da relação entre a leitura do papel, da
Bíblia impressa, do digital na Europa, você vê
a dinâmica das igrejas na Europa, no geral.
Igrejas esvaziadas, com portas fechadas, talvez um processo
de distanciamento das Escrituras e você entra nesse
círculo vicioso.
A igreja é frágil, a Bíblia não é
distribuída, não é lida, e a igreja se
torna mais fraca ainda e fica preso nesse
círculo.
Então, eu acho que a gente precisa vir
aqui, a turma precisa vir na SBB, marcar
um encontro, conhecer a gráfica e ver isso
na prática, como que Deus tem feito isso
através de gente com visão.
E a gente brincava mais cedo, mas eu
crio muito nisso, que a gente vê que
o problema da igreja, você precisa de um
investimento financeiro muito grande para fazer o que
vocês estão fazendo aqui, mas muito disso é
distribuído, é revertido em doações, em distribuição das
Escrituras.
Isso, para mim, só é mais uma evidência
de que o problema da igreja nunca é
a falta de dinheiro, mas é a falta
de visão, de missão, de entender que Deus
nos chamou para fazer algo.
Desde quando isso começou na sociedade bíblica britânica
e estrangeira, até hoje, tanto de quantas sociedades
bíblicas ao redor, o senhor acabou de falar,
mais representação do que nas Nações Unidas.
Então, isso para mim relembra, traz isso tudo
à memória, de como Deus avança com a
sua igreja dessa forma.
Diego, permita-me chamá-lo de Diego.
Claro, por favor.
Obrigado pelo momento de conversa que nós tivemos,
por compartilhar com vocês que acompanham a gente
aqui.
Obrigado a todos que nos acompanharam em mais
um programa Impressões.
E que Deus continue abençoando nesse trabalho tão
especial que você tem, tanto na área de
educação, de ministrar o ensino da Bíblia, como
também na área de levar a palavra através
de livros, artigos.
Que Deus continue ao seu lado, ao lado
da sua família.
Muito obrigado pela sua visita no dia de
hoje.
Muito obrigado por esse tempo aqui.
Um abraço a todos vocês.